Por que
precisamos mostrar ao mundo uma cara (ou uma careta) de felicidade?
“1. A felicidade dá status, assim como a riqueza. Por isso, os
sinais aparentes de felicidade podem ser mais relevantes do que a
íntima sensação de bem-estar.
2. Além disso, somos cronicamente dependentes do olhar dos outros.
Consequência: para ter certeza de que sou feliz, preciso constatar
que os outros enxergam a minha felicidade. Nada grave. Mas isso leva
a algo mais chato: a prova da minha felicidade é a inveja dos
outros. Consequência: para ter certeza de que sou feliz, preciso
constatar que os outros enxergam a minha felicidade. Nada grave, mas
isso leva a algo mais chato: a prova da minha felicidade é a inveja
dos outros.” (CALLIGARIS, 2013, p. 133)
Como resultado dessa necessidade de parecermos felizes, a
felicidade se torna uma grande impostura do qual receamos não
fazer parte, e que por isso mesmo é difícil de denunciar, ou se
o faz, é como se diz, da boca pra fora, critico nos outros, mas
mesmo assim eu repito o mesmo, pois ficar de fora, “deus me
livre!”
Você já deve ter imaginado até aqui como isso acontece
em nosso cotidiano, que o diga nas redes sociais, onde
todos são felizes, pois postar algo que pareça triste,
além de ser julgado chato pega mal. Pois é, e inclusive
fingir estar feliz é um jeto que muita gente acha de sair
da fossa, Fotos felizes, sem foto shop, esbanjam momentos de
realização, como algo pra mostrar mesmo. Mas isso seria
algo pra botar inveja nos outros? Não necessariamente,
depende do que você quer ao postá-las, mas em muitos
casos é sim, um jeito de se sentir feliz frente a
sociedade individualista em que vivemos. Se não se é
feliz, é preciso inventar que você é, então mesmo em
momentos difíceisse tira uma foto sorrindo e se posta
buscando as curtidas e os comentários.
Podes
mesmo assim, não concordar comigo, pois comecei com uma
citação, como se tivesse afirmando os modos de felicidade, no
entanto, cito como um exemplo, do que ocorre nas redes sociais,
no entanto salvo exceções é assim mesmo que acontece no mundo
facebookiano, não há virtude, não há propósito, às vezes é
mesmo só um jeito de passar por um momento difícil, como uma
negação da realidade, então crio outra a livre exercício da
fantasia, a final de contas, não é isso mesmo a segunda vida
que se vive?
Porém
cabe aqui objetar, se não seria essa necessidade de mostrar-se
feliz, uma demonstração de infelicidade, pois a final de
contas o que nos move, realizações alcançadas ou aquelas que
ainda desejamos alcançar?
Será
que já realizamos todos nossos desejos e sonhos? É difícil,
pois se assim fosse, com certeza a vida teria perdido a graça,
então, dentro de nossos mecanismos do eu e formas de adaptação
a nós mesmos frente a sociedade, em contradições e em busca
do sossego, sendo felizes, ou também infelizes, mas com grandes
expectativas.
A
final de contas, o que realmente é a felicidade?
CALLIGARIS C. Felicidade nas telas. In:Todos os reis estão nus. São
Paulo: Três Estrelas, 2013.