domingo, 18 de outubro de 2015

Precisamos ser, ou nos mostrar felizes?

Por que precisamos mostrar ao mundo uma cara (ou uma careta) de felicidade?

“1. A felicidade dá status, assim como a riqueza. Por isso, os sinais aparentes de felicidade podem ser mais relevantes do que a íntima sensação de bem-estar.
2. Além disso, somos cronicamente dependentes do olhar dos outros. Consequência: para ter certeza de que sou feliz, preciso constatar que os outros enxergam a minha felicidade. Nada grave. Mas isso leva a algo mais chato: a prova da minha felicidade é a inveja dos outros. Consequência: para ter certeza de que sou feliz, preciso constatar que os outros enxergam a minha felicidade. Nada grave, mas isso leva a algo mais chato: a prova da minha felicidade é a inveja dos outros.” (CALLIGARIS, 2013, p. 133)
Como resultado dessa necessidade de parecermos felizes, a felicidade se torna uma grande impostura do qual receamos não fazer parte, e que por isso mesmo é difícil de denunciar, ou se o faz, é como se diz, da boca pra fora, critico nos outros, mas mesmo assim eu repito o mesmo, pois ficar de fora, “deus me livre!”
Você já deve ter imaginado até aqui como isso acontece em nosso cotidiano, que o diga nas redes sociais, onde todos são felizes, pois postar algo que pareça triste, além de ser julgado chato pega mal. Pois é, e inclusive fingir estar feliz é um jeto que muita gente acha de sair da fossa, Fotos felizes, sem foto shop, esbanjam momentos de realização, como algo pra mostrar mesmo. Mas isso seria algo pra botar inveja nos outros? Não necessariamente, depende do que você quer ao postá-las, mas em muitos casos é sim, um jeito de se sentir feliz frente a sociedade individualista em que vivemos. Se não se é feliz, é preciso inventar que você é, então mesmo em momentos difíceisse tira uma foto sorrindo e se posta buscando as curtidas e os comentários.
Podes mesmo assim, não concordar comigo, pois comecei com uma citação, como se tivesse afirmando os modos de felicidade, no entanto, cito como um exemplo, do que ocorre nas redes sociais, no entanto salvo exceções é assim mesmo que acontece no mundo facebookiano, não há virtude, não há propósito, às vezes é mesmo só um jeito de passar por um momento difícil, como uma negação da realidade, então crio outra a livre exercício da fantasia, a final de contas, não é isso mesmo a segunda vida que se vive?
Porém cabe aqui objetar, se não seria essa necessidade de mostrar-se feliz, uma demonstração de infelicidade, pois a final de contas o que nos move, realizações alcançadas ou aquelas que ainda desejamos alcançar?
Será que já realizamos todos nossos desejos e sonhos? É difícil, pois se assim fosse, com certeza a vida teria perdido a graça, então, dentro de nossos mecanismos do eu e formas de adaptação a nós mesmos frente a sociedade, em contradições e em busca do sossego, sendo felizes, ou também infelizes, mas com grandes expectativas.
A final de contas, o que realmente é a felicidade?

CALLIGARIS C. Felicidade nas telas. In:Todos os reis estão nus. São Paulo: Três Estrelas, 2013.