quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Vertiginoso destino do desejo em tempos dos carnavais

O percurso vertiginoso do desejo pelos seus novos destinos foi e é realizado pela psicanálise como forma mais consciente sobre o assunto. Parafraseando Nelson Rodrigues, ela nos traz “a vida como ela é.” Como prova disso vemos o carnaval, festa das mascaras, o festim dos desejos proibidos onde todo mundo pode tudo.
Como festa pagã da idade média, no dia do proibido, das coisas avessas, você podia fazer tudo aquilo que não podia no resto do ano, como xingar o rei, o bispo. O próprio rei e o bispo cheios da própria posição também poderiam fazer o que eles quisessem. E dai surgiu a festa do confete, onde todo mundo se jogava confete, brincava... Até que veio nosso atual carnaval, festa das mascaras, do desejo proibido, é carnaval que é que tem?
É como se no carnaval os sujeitos estivessem despossuídos de si mesmo, como se o desejo proibido fosse de outro, afinal a culpa sempre é de um outro! E em toda essa confusão, se esquece de quem é esse outro, costuma-se deixar como se fosse um outro qualquer, como se ninguém desse bola para isso...
Mas as pessoas dão!
É comum escutarmos ou pelo menos já termos lidos que mesmo depois de muitos carnavais as mascaras não caíram.
O outro não é apenas um outro, mas são muitos outros, como se fossem várias imagens, representações de um outro que nos habitam, a imagem que há em nós, imagem e face proibida e reprimida todo ano, mas no carnaval, que nada, da pra sai da umas passeadas.
Mas não ignoramos que tem carnaval que pra alguns dura o ano todo, seja esse na forma de ganhar dinheiro ou como produção cultural, afinal de contas o carnaval também representa um apogeu a cultura do país. Mas e daí, quem liga pra isso?
Seria verdade se fosse dito, que é difícil ver quem esta preocupado com as questões culturais das escolas de samba, a preocupação do carnaval costuma ser outra, no quanto se ira beber, quantos (as) vai se ficar...
Porém há também os que fogem do carnaval, não pisam em locais de escola de samba e nem de blocos, se saem, saem em algum evento que fuja ao estilo do carnaval, seja esse em uma boate, barzinho ou acampando mesmo.
E como sempre, há os que ficam em casa, como os contra regra, já que no país é costume dizer que o ano começa depois do carnaval.

Pode até ser assim pra que as cosias de certa forma comecem a anda, mas sabemos de pessoas que comprometidas consigo mesmo e o próprio negócio trabalham de primeiro de janeiro a 31 de dezembro. Do primeiro ao último dia do ano fiés a si mesmos, sem mascaras de carnaval, usam as mascaras cotidianas, as que todo mundo usa diante do desamparo, da dor e medo de sentir a si próprios.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Entre o começo de uma terapia, o conhecimento e o cuidado de si

Há coisas de mim que não saberia como iria te contar, não saberia colocar em palavras, falta registro ou mesmo capacidade em mim para poder realizar tal operação, talvez seja necessário pedir sua ajuda. Há coisas em mim, que me atrapalham quando conto uma história, é como se fossem barreiras que se interpolassem em meu caminho.
Esperava te olhar e poder encontrar algo, mas em ti eu incorporava tudo àquilo que eu falava, às vezes como tu me olhava, me falava era como alguém que julgasse, outrora como alguém que queria muito me ajudar, até me dava apoio quanto a algumas decisões que eu já havia tomado e a procedência dessas mesmas que eu pensava em continuar. Mas nem tudo que eu pensava, idealizava eu seguia, quando diante de ti (eu mesmo) tinha que contar isso me sentia com grande vergonha e ficava introspectivo diante de mim mesmo entre voltas para que não fosse possível ver isso. Mas também não era só nesse caso que eu ficava entre voltar, não era de tudo que queria te falar, pois havia coisas que eram minhas e não gostaria de falar pra ninguém. Era como aqueles atos, momentos onde você quebra tudo na certeza que logo se refarão. No entanto também sabia que não era assim, então melhor não falar sobre mesmo.
Pelo menos assim eu pensava, mas tu tinha atendido meu pedido, me ajudava a começar a escrever essa história diferente, mas isso não tirava minha confusão, palavras trocadas, nem meus enormes esforços ora pra não contar, ora me esforçando ao máximo pra conseguir contar, mas nesses momentos a lágrima escorria livremente e simplesmente como se eu não soubesse mais do porque, mas isso também seria uma forma de ficar as voltas comigo mesmo, sabia no que me tocava e porque eu chorava, e eu chorava porque era difícil poder falar alguma coisa. Sozinho eu não teria conseguido parar de chorar e contar sem ter que sair as voltas, mas tuas palavras por mais que fossem duras como entravam, faziam sentido e derrepente, eu não chorava mais, era como se toda aquela carga do choro tivesse passado. Era também uma forma de me esquecer, não sabia se era por questões de não querer mais tocar no assunto, ou se era porque tinha havido uma operação psíquico aí. É assim que vocês chamam entre vocês e que se fala na literatura né?
Bom, de toda forma eu não sei, mas sei sim que os motivos que me fizeram chorar já não operavam em mim, lembrar-me deles era motivo de esperança, atitudes, escolhas e algo diferente que eu sabia que tinha começado. Mas era muito ruim a incerteza que me vinha ao mesmo tempo, pois eu não podia ver nada concreto, as pessoas do meu lado esperavam uma mudança imediata...
Mas com o tempo isso também não me importava mais, quem estava em terapia e sabia sobre ela era eu, não meus familiares e nem quem ficava me falando de como tinha mudado, ou de alguns não tão próximos que me diziam estar igual ou pior, de toda forma não era só estranhos que diziam que eu estava pior. Dizem vocês também que a doença tem um benefício secundário a pessoa e que também envolve algo do familiar, algo que segura o sintoma da família né?
Não concordo explicitamente que uma pessoa simbolize a doença de uma família toda, mas concordo sim com o sentido de que há identificações, projeções como vocês dizem de uns sobre os outros e que com isso, quando há mudanças e não há mais sobre quem fazer essas cosias deve haver uma irritação por não se sentir mais entre os iguais. Deve ser por que também vê pela terapia do outro que também é preciso mudar.
De toda forma aqui sou um pouco teórico, a final não em dizes tu que somos todos auto teorizantes sobre nós mesmos? Não, não pera aí, não foi você que me disse, eu li isso num livro de psicologia.
Bom, o que eu quis foi contar um pouco sobre a terapia, sempre quis poder fazer uma análise eu também disso...