O
percurso vertiginoso do desejo pelos seus novos destinos foi e é realizado pela
psicanálise como forma mais consciente sobre o assunto. Parafraseando Nelson
Rodrigues, ela nos traz “a vida como ela é.” Como prova disso vemos o carnaval,
festa das mascaras, o festim dos desejos proibidos onde todo mundo pode tudo.
Como
festa pagã da idade média, no dia do proibido, das coisas avessas, você podia
fazer tudo aquilo que não podia no resto do ano, como xingar o rei, o bispo. O
próprio rei e o bispo cheios da própria posição também poderiam fazer o que
eles quisessem. E dai surgiu a festa do confete, onde todo mundo se jogava
confete, brincava... Até que veio nosso atual carnaval, festa das mascaras, do
desejo proibido, é carnaval que é que tem?
É
como se no carnaval os sujeitos estivessem despossuídos de si mesmo, como se o
desejo proibido fosse de outro, afinal a culpa sempre é de um outro! E em toda
essa confusão, se esquece de quem é esse outro, costuma-se deixar como se fosse
um outro qualquer, como se ninguém desse bola para isso...
Mas
as pessoas dão!
É
comum escutarmos ou pelo menos já termos lidos que mesmo depois de muitos
carnavais as mascaras não caíram.
O
outro não é apenas um outro, mas são muitos outros, como se fossem várias
imagens, representações de um outro que nos habitam, a imagem que há em nós,
imagem e face proibida e reprimida todo ano, mas no carnaval, que nada, da pra
sai da umas passeadas.
Mas
não ignoramos que tem carnaval que pra alguns dura o ano todo, seja esse na
forma de ganhar dinheiro ou como produção cultural, afinal de contas o carnaval
também representa um apogeu a cultura do país. Mas e daí, quem liga pra isso?
Seria
verdade se fosse dito, que é difícil ver quem esta preocupado com as questões
culturais das escolas de samba, a preocupação do carnaval costuma ser outra, no
quanto se ira beber, quantos (as) vai se ficar...
Porém
há também os que fogem do carnaval, não pisam em locais de escola de samba e
nem de blocos, se saem, saem em algum evento que fuja ao estilo do carnaval,
seja esse em uma boate, barzinho ou acampando mesmo.
E
como sempre, há os que ficam em casa, como os contra regra, já que no país é
costume dizer que o ano começa depois do carnaval.
Pode
até ser assim pra que as cosias de certa forma comecem a anda, mas sabemos de
pessoas que comprometidas consigo mesmo e o próprio negócio trabalham de
primeiro de janeiro a 31 de dezembro. Do primeiro ao último dia do ano fiés a
si mesmos, sem mascaras de carnaval, usam as mascaras cotidianas, as que todo
mundo usa diante do desamparo, da dor e medo de sentir a si próprios.