domingo, 15 de fevereiro de 2015

Entre o começo de uma terapia, o conhecimento e o cuidado de si

Há coisas de mim que não saberia como iria te contar, não saberia colocar em palavras, falta registro ou mesmo capacidade em mim para poder realizar tal operação, talvez seja necessário pedir sua ajuda. Há coisas em mim, que me atrapalham quando conto uma história, é como se fossem barreiras que se interpolassem em meu caminho.
Esperava te olhar e poder encontrar algo, mas em ti eu incorporava tudo àquilo que eu falava, às vezes como tu me olhava, me falava era como alguém que julgasse, outrora como alguém que queria muito me ajudar, até me dava apoio quanto a algumas decisões que eu já havia tomado e a procedência dessas mesmas que eu pensava em continuar. Mas nem tudo que eu pensava, idealizava eu seguia, quando diante de ti (eu mesmo) tinha que contar isso me sentia com grande vergonha e ficava introspectivo diante de mim mesmo entre voltas para que não fosse possível ver isso. Mas também não era só nesse caso que eu ficava entre voltar, não era de tudo que queria te falar, pois havia coisas que eram minhas e não gostaria de falar pra ninguém. Era como aqueles atos, momentos onde você quebra tudo na certeza que logo se refarão. No entanto também sabia que não era assim, então melhor não falar sobre mesmo.
Pelo menos assim eu pensava, mas tu tinha atendido meu pedido, me ajudava a começar a escrever essa história diferente, mas isso não tirava minha confusão, palavras trocadas, nem meus enormes esforços ora pra não contar, ora me esforçando ao máximo pra conseguir contar, mas nesses momentos a lágrima escorria livremente e simplesmente como se eu não soubesse mais do porque, mas isso também seria uma forma de ficar as voltas comigo mesmo, sabia no que me tocava e porque eu chorava, e eu chorava porque era difícil poder falar alguma coisa. Sozinho eu não teria conseguido parar de chorar e contar sem ter que sair as voltas, mas tuas palavras por mais que fossem duras como entravam, faziam sentido e derrepente, eu não chorava mais, era como se toda aquela carga do choro tivesse passado. Era também uma forma de me esquecer, não sabia se era por questões de não querer mais tocar no assunto, ou se era porque tinha havido uma operação psíquico aí. É assim que vocês chamam entre vocês e que se fala na literatura né?
Bom, de toda forma eu não sei, mas sei sim que os motivos que me fizeram chorar já não operavam em mim, lembrar-me deles era motivo de esperança, atitudes, escolhas e algo diferente que eu sabia que tinha começado. Mas era muito ruim a incerteza que me vinha ao mesmo tempo, pois eu não podia ver nada concreto, as pessoas do meu lado esperavam uma mudança imediata...
Mas com o tempo isso também não me importava mais, quem estava em terapia e sabia sobre ela era eu, não meus familiares e nem quem ficava me falando de como tinha mudado, ou de alguns não tão próximos que me diziam estar igual ou pior, de toda forma não era só estranhos que diziam que eu estava pior. Dizem vocês também que a doença tem um benefício secundário a pessoa e que também envolve algo do familiar, algo que segura o sintoma da família né?
Não concordo explicitamente que uma pessoa simbolize a doença de uma família toda, mas concordo sim com o sentido de que há identificações, projeções como vocês dizem de uns sobre os outros e que com isso, quando há mudanças e não há mais sobre quem fazer essas cosias deve haver uma irritação por não se sentir mais entre os iguais. Deve ser por que também vê pela terapia do outro que também é preciso mudar.
De toda forma aqui sou um pouco teórico, a final não em dizes tu que somos todos auto teorizantes sobre nós mesmos? Não, não pera aí, não foi você que me disse, eu li isso num livro de psicologia.
Bom, o que eu quis foi contar um pouco sobre a terapia, sempre quis poder fazer uma análise eu também disso...


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