sábado, 20 de fevereiro de 2016

A terapia como uma experiência diferencial

A crise na economia, nos afeta de forma deveras impactante, no entanto isso reflete o maior prejuízo da economia interna, não somente da externa. Isso tem nos impactado de tal forma, que se tornou comum o aumento da violência, o desespero e situações de desamparo. Porém aqui vale refletir a necessidade de pensar além, sair de si, pois se há corte nesse momento necessário, é no superficial e não no essencial. O melhor investimento que se tem, é em si, pois somente assim passamos pela crise da economia, mas mais uma vez vale salientar que a primeira economia a se cuidar é da interna.
Neste processo, ao cuidar de sua economia, o sujeito entra em terapia, traz a sua demanda para que um outro, (o analista) lhe escute e o ajude quanto aquilo que ele apresenta. No entanto, malemal sabe o sujeito, que essa demanda que lhe traz a terapia pouco diz ainda sobre si, aquilo que ele acredita que é o problema, é apenas uma parte, não se resume a isso a questão.
Valhamo-nos aqui de Freud, quando este fala da memória, citando que essa é gravada de diversas formas e não única. É interessante aqui falar disso, pois foi a partir desse significado que Freud começou a dar mais base a sua teoria psicanalítica. Não somos únicos, somos vários.
Tal frase, pode gerar confusão, mas a expliquemos. A questão de sermos vários, está referida as diversas formas que agimos cotidianamente, seja nos jeitos comuns que conhecemos, como nos modos de se defender, que pouco sabemos que temos, nem pra que serve. E de fato, seria difícil poder dizer aqui um conceito geral para todos, pois aqui não há universalidade, aqui há uma questão de subjetividade, onde cada um constitui a sua perpassado pelo universal que é referente a cultura.
Faço questão de citar aqui as questões da subjetividade, pois a cultura exerce influências sobre a forma que essa se organiza também. Neste ponto, a cultura faz diferença no princípio de realidade, aquilo que é comum ou normal na época referida. Como exemplo podemos citar o tempo da segunda guerra, onde dar abrigo a um judeu era loucura, pois estava de acordo com o princípio que regia aquele tempo. Porém hoje, seria estranho não dar abrigo a um judeu, isso evocaria uma série de questões.
Neste justo ponto, se encaixam as questões da constituição da subjetividade que se constrói pela influência da cultura e o psíquico do sujeito, o qual temos como base de sustentação com aquilo que ele é, sua identidade, modos de defesa. Tais fatores, não podemos negar também, exercem influência naquilo que a sociedade define como normal ou doente, devido a manifestações de certos grupos e a vontade de outros.
Isso se exerce por uma questão de poder e influências daqueles que comandam as grandes instituições do mundo, como a medicina, desde sua origem social política e alguns de seus derivados, como a indústria farmacêutica, que ao mesmo tempo que nos graciou com um grande avanço, nos mantêm seus refens. Refens no sentido mais racional da palavra, pois nos reduz a um puro biologismo geneticista. Mas seria injusto a criticar separadamente, pois nesse fator, muito exercem influência, os médicos, psiquiatras, dentre outros.
E neste ponto mesmo, é preciso ponderar, pois como nos ensina a terapia, é possível fazer diferente, e pra isso, é preciso pensar um pouco mais. Como no começo do texto dizia, questões de problemas da economia, sempre se refletem primeiro na economia interna do sujeito, onde este através de sua percepção, recebe e constrói o mundo, pela sua crença, modo de enxergar e interpretar as coisas. Porém, a questão não se resume a isso, pois se não, reduziríamos tudo a uma simples questão da razão. E é justamente neste ponto que quero entrar, além da razão, pois estão não toma conta de tudo, apenas de uma parte, daquilo que pode se tornar consciente, logo ainda há muita coisa a dentro da qual poderíamos falar, mas para falar disso, também não podemos estabelecer um modelo geral, a conversa aqui fica diferente, se abre a uma nova experiência.

Das maiores experiências da vida, a que mais faz diferença é conhecer a si mesmo. Uma experiência inclusive que assusta muita gente. Como a água que assusta os gatos, onde malemal tocar faz saltar longe. Isso faz a diferença do motivo da consulta e o adentrar na análise, para olhar pra si é preciso se deixar molhar. 

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