A
crise na economia, nos afeta de forma deveras impactante, no entanto
isso reflete o maior prejuízo da economia interna, não somente da
externa. Isso tem nos impactado de tal forma, que se tornou comum o
aumento da violência, o desespero e situações de desamparo. Porém
aqui vale refletir a necessidade de pensar além, sair de si, pois se
há corte nesse momento necessário, é no superficial e não no
essencial. O melhor investimento que se tem, é em si, pois somente
assim passamos pela crise da economia, mas mais uma vez vale
salientar que a primeira economia a se cuidar é da interna.
Neste
processo, ao cuidar de sua economia, o sujeito entra em terapia, traz
a sua demanda para que um outro, (o analista) lhe escute e o ajude
quanto aquilo que ele apresenta. No entanto, malemal sabe o sujeito,
que essa demanda que lhe traz a terapia pouco diz ainda sobre si,
aquilo que ele acredita que é o problema, é apenas uma parte, não
se resume a isso a questão.
Valhamo-nos
aqui de Freud, quando este fala da memória, citando que essa é
gravada de diversas formas e não única. É interessante aqui falar
disso, pois foi a partir desse significado que Freud começou a dar
mais base a sua teoria psicanalítica. Não somos únicos, somos
vários.
Tal
frase, pode gerar confusão, mas a expliquemos. A questão de sermos
vários, está referida as diversas formas que agimos cotidianamente,
seja nos jeitos comuns que conhecemos, como nos modos de se defender,
que pouco sabemos que temos, nem pra que serve. E de fato, seria
difícil poder dizer aqui um conceito geral para todos, pois aqui não
há universalidade, aqui há uma questão de subjetividade, onde cada
um constitui a sua perpassado pelo universal que é referente a
cultura.
Faço
questão de citar aqui as questões da subjetividade, pois a cultura
exerce influências sobre a forma que essa se organiza também. Neste
ponto, a cultura faz diferença no princípio de realidade, aquilo
que é comum ou normal na época referida. Como exemplo podemos citar
o tempo da segunda guerra, onde dar abrigo a um judeu era loucura,
pois estava de acordo com o princípio que regia aquele tempo. Porém
hoje, seria estranho não dar abrigo a um judeu, isso evocaria uma
série de questões.
Neste
justo ponto, se encaixam as questões da constituição da
subjetividade que se constrói pela influência da cultura e o psíquico do sujeito, o qual temos como base de sustentação com
aquilo que ele é, sua identidade, modos de defesa. Tais fatores, não
podemos negar também, exercem influência naquilo que a sociedade
define como normal ou doente, devido a manifestações de certos
grupos e a vontade de outros.
Isso
se exerce por uma questão de poder e influências daqueles que
comandam as grandes instituições do mundo, como a medicina, desde
sua origem social política e alguns de seus derivados, como a
indústria farmacêutica, que ao mesmo tempo que nos graciou com um
grande avanço, nos mantêm seus refens. Refens no sentido mais
racional da palavra, pois nos reduz a um puro biologismo geneticista.
Mas seria injusto a criticar separadamente, pois nesse fator, muito
exercem influência, os médicos, psiquiatras, dentre outros.
E
neste ponto mesmo, é preciso ponderar, pois como nos ensina a
terapia, é possível fazer diferente, e pra isso, é preciso pensar
um pouco mais. Como no começo do texto dizia, questões de problemas
da economia, sempre se refletem primeiro na economia interna do
sujeito, onde este através de sua percepção, recebe e constrói o
mundo, pela sua crença, modo de enxergar e interpretar as coisas.
Porém, a questão não se resume a isso, pois se não, reduziríamos
tudo a uma simples questão da razão. E é justamente neste ponto
que quero entrar, além da razão, pois estão não toma conta de
tudo, apenas de uma parte, daquilo que pode se tornar consciente,
logo ainda há muita coisa a dentro da qual poderíamos falar, mas
para falar disso, também não podemos estabelecer um modelo geral, a
conversa aqui fica diferente, se abre a uma nova experiência.
Das
maiores experiências da vida, a que mais faz diferença é conhecer
a si mesmo. Uma experiência inclusive que assusta muita gente. Como
a água que assusta os gatos, onde malemal tocar faz saltar longe.
Isso faz a diferença do motivo da consulta e o adentrar na análise,
para olhar pra si é preciso se deixar molhar.
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