Sentir vergonha diz respeito a que eu sei que estou fazendo algo de errado. E ao saber que estou fazendo algo de errado, no ato temo que alguém esteja vendo. Aqui cabe algumas perguntas: o que me envergonha no que estou fazendo? o que eu jamais gostaria que o outro (qualquer um que veja) soubesse que estou fazendo?
Questões estas, que nos remetem a nossa fantasia. O que pensamos sobre aquilo, que fica esclarecido quando podemos responder estas perguntas colocadas acima. Questões pra alguns fáceis de responder, mas pra outros nem tanto, afinal, em nossa sociedade como temos visto, a falta de vergonha tem sido um sintoma de nosso mal estar social. Que o digam os políticos. Mas nem estes conseguem mais disfarçar direito, pois temos visto seu cinismo, falsidade quando a verdade sobre eles e o que estão fazendo tem surgido.
Um fato ocorrido, esclarece muito disso, vi nesta tarde um vídeo publicado no facebook que mostrava duas meninas cantando num programa uma música, muito bem cantada inclusive, belas vozes das meninas, que falava sobre a enganação nossa de cada dia com os políticos. Resultado, fizeram de tudo pra que aquilo saísse do ar, que não ficasse no youtube ....
Mas, isso é um fato que não se perdoa mais. Aqui, podemos facilmente descrever a fantasia que os habita, ser pegos, desmoralizados pelo que fazem, pois no fundo sabem que é errado e jamais gostariam que nós soubéssemos.
Mas trazendo o mesmo a nosso cotidiano comum de nosso dia a dia. A vergonha, o que não gostaríamos que o outro visse ou soubesse vem de encontro a nossa moralidade, nossa noção de certo e errado, que mesmo que a temos não quer dizer que não façamos errado. Só não queremos que os outros saibam, mas cá entre nós, o que é esse errado? é errado pra mim ou pros outros?
segunda-feira, 20 de novembro de 2017
sábado, 4 de novembro de 2017
Nossas bases relacionais ...
Uma das primeiras diferenciações de nossas vidas se passa entre si mesmo e o outro diferente de si, primeiramente com a mãe, descobrindo e dando sustentação a existência do pai, primeiro este como sustento e base da mãe como própria condição desta e depois como um terceiro.
Bom, pelo menos deveria ser assim, mas sem nos fazermos de cegos, sabemos que a realidade hoje é diferente. Diferença esta que vem marcando a dificuldade em lidar com o diferente. Diferente que é mais ameaçador que amigo.
Uso este modelo, pois é a base de nossas relações e os grupos que formamos, nos unimos e também é claro, do que fizemos com nós mesmos a partir destas experiências e o quanto nos diferenciamos a partir de novas e diferentes experiências.
Mas e as ideologias se relacionam com isso?
Sim, mas segmento ideológico sempre ocorre quando você não ocupa sua posição por si, mas sim a que o grupo lhe confere, uma coisa como pertencimento, coisa esta que retoma a falhas nessas primeiras relações e os modos como elas aconteceram.
Logo, Freire estava errado quando dizia que de toda forma temos ideologias, ou de direita ou de esquerda. O que ele diz é ideologia, mas seguir é opcional, mas claro, desde que se saiba disso. E quem sabe?
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