terça-feira, 24 de dezembro de 2019

Tempo da ilusão


Do fim de ano cada um guarda a própria memória. Desde o primeiro Natal que tem na memória como do primeiro presente. Ainda hoje me lembro da fantasia do papai Noel e de como essa minha ilusão se perdeu. Era tradição que no dia que antecedia o Natal se fosse a missa. E era no intervalo do atraso da mãe para sair de casa que o papai Noel deixava o presente em cima da cama, pra que quando eu chegasse eu ouvisse a mesma história, que o bom velhinho tinha entrado lá em casa quando saímos, que o pai e a mãe tinham combinado com ele, que tinham deixado uma chave reserva para ele entrar. Lá em casa não tinha chaminé como nos contos da Disney, mas tinha o conto de Natal. Assim também era com o ano novo, eu desejava aquilo que todos desejavam, que o ano novo fosse melhor que este que já tinha sido bom. Era como uma descoberta que se renovava ano após ano. Até que o Natal já tinha ganhado outro sentido, que tinha se perdido a ilusão para mim, mas que sabia que era necessário que as crianças ainda pudessem acreditar, para que elas também viessem a ter sua própria visão do Natal. No ano novo já podia ter o olhar daquilo que tinha ganhado naquele tempo que se passou, assim como daquilo que esperava do que viria. Era tempo de festejar, comemorar. Tempo que passou e tempo que virá. Tempo da ilusão e de prosperar, em que cada um tem a própria memória e recordação deste tempo, que conhecemos como Natal e fim de ano. Ilusão do papai Noel, figura necessária as crianças que acreditam na magia da realidade, mas que já aprenderam que para ganhar as coisas é preciso se comportar. Uma condição que se guarda na memória para a vida toda, assim como o espaço da ilusão que nos faz acreditar em nós mesmos e naquilo que virá.