Do
fim de ano cada um guarda a própria memória. Desde o primeiro Natal que tem na
memória como do primeiro presente. Ainda hoje me lembro da fantasia do papai
Noel e de como essa minha ilusão se perdeu. Era tradição que no dia que antecedia
o Natal se fosse a missa. E era no intervalo do atraso da mãe para sair de casa
que o papai Noel deixava o presente em cima da cama, pra que quando eu chegasse
eu ouvisse a mesma história, que o bom velhinho tinha entrado lá em casa quando
saímos, que o pai e a mãe tinham combinado com ele, que tinham deixado uma
chave reserva para ele entrar. Lá em casa não tinha chaminé como nos contos da
Disney, mas tinha o conto de Natal. Assim também era com o ano novo, eu
desejava aquilo que todos desejavam, que o ano novo fosse melhor que este que
já tinha sido bom. Era como uma descoberta que se renovava ano após ano. Até
que o Natal já tinha ganhado outro sentido, que tinha se perdido a ilusão para
mim, mas que sabia que era necessário que as crianças ainda pudessem acreditar,
para que elas também viessem a ter sua própria visão do Natal. No ano novo já
podia ter o olhar daquilo que tinha ganhado naquele tempo que se passou, assim
como daquilo que esperava do que viria. Era tempo de festejar, comemorar. Tempo
que passou e tempo que virá. Tempo da ilusão e de prosperar, em que cada um tem
a própria memória e recordação deste tempo, que conhecemos como Natal e fim de
ano. Ilusão do papai Noel, figura necessária as crianças que acreditam na magia
da realidade, mas que já aprenderam que para ganhar as coisas é preciso se
comportar. Uma condição que se guarda na memória para a vida toda, assim como o
espaço da ilusão que nos faz acreditar em nós mesmos e naquilo que virá.
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