Conhecemos o mal-estar de
acordo com nossa leitura do mundo. Acreditamos que ele vem de fora, que não
circulará no nosso quintal. O mal pertence ao outro, mas não a mim. Uma
perfeita forma de projeção na qual o outro guarda aquilo que há de mal em mim.
Nesta mesma perspectiva conhecemos o mal-estar provocado pelo uso de substância
no qual aqueles que cometem tal ato parecem atentar contra a própria vida.
Pensa-se que eles representam a maldade do mundo, porém, em simultâneo, os maiores acusadores têm os mesmos desejos que estes,
expressam tanto como eles ou reprimem a todo custo aquilo que gostariam de
realizar, mas não podem, então se há um culpado ele está aí, já denominado.
Da mesma forma acontecem as projeções, identificações
projetivas em uma pandemia. Se há algum mal, não irá me atingir, acredito na
onipotência do pensamento, nem preciso de proteção. Um pensamento não tão
consciente, mas que denuncia a forma de funcionamento da pessoa, seu modo de
operacionalização inconsciente. Uma operacionalização não denominada e nem
representada, que acontece muito mais por impulso.
Visualizamos tal exemplo no fumante que arrisca a própria
vida para garantir que ele vai ter o cigarro como no alcoólatra que não deixa o
copo cair nem esvaziar. São condições tão fortes, que o cigarro é o exemplo
metafórico para o vício e a bebida como aquilo que não pode faltar, nem um
pouco diferente do vício.
Estes vícios, assim como diversos outros demonstram o
comportamento diante do perigo, não são todos que tem e mesmo quando se tem
isso não quer dizer grande coisa. É como saber que usar a máscara com o nariz
de fora é arriscado, todos supostamente sabem, mas alguns usam mesmo assim com
o nariz de fora e outros nem percebem que o nariz está de fora. O que dirá então
daqueles que se aglomeram ou não utilizam máscara?
É um comportamento diante do desconhecido, do qual
enquanto uns têm pavor e se previnem de toda forma, há aqueles que não querem
nem saber, é um mal que não os atinge, pois, se sentem protegidos por algo
mágico, um pensamento mágico.
Se você chegou até aqui, provavelmente se questionou
sobre porque eu utilizo apenas mal, quando o certo em alguns pontos seria mau,
pois diz respeito a algo próprio do sujeito. Pois bem, utilizo mal para
expressar o como este mal-estar, da angústia e do funcionamento do próprio
psiquismo são tratados e pensados de forma mágica, onipotente. Em certas
condições isto dificilmente escapa a qualquer um, no entanto, há aqueles que o
utilizam veemente a todos os momentos como se estivessem se pretejando de algo, mas que nada mais é do que de si mesmo.
Mas quando não consegues te proteger de ti e expõe os
outros?
Pois bem, este é o mesmo problema que nos encontramos
quando há um vírus diferente, estranho do qual pouco sabemos, mas julgamos
saber mais do que de fato sabermos. O que sabemos de fato, é que estão nos
engando. Mas depois de ter lido até aqui mais uma vez, quem tá enganando quem?
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