Não
deixa de ser fato corriqueiro a obscenidade do cotidiano. No entanto
não em linguagem direta, mas sims empre por meios metafóricos ou de
encenação mesmo. Algo como a poesia e o teatro. Não falta lirismo
também dentre estes meios, seria como dizer que dentre a vida e o
cotidiano passamos por diversos momentos dantescos, como que em
viagens entre o céu o inferno e o purgatório.
Contra
isso e a percepção do mesmo surgem as propagandas do mercado, o
incentivo ao consumismo e a venda da felicidade, onde se acredita
estar feliz a todo o momento. A luta pela felicidade se torna motivo
de conquista ou derrota. Não se pode se dizer infeliz, tristeza não
consta dentro dos limites do possível da vida.
Quanto a
isto surge a linguagem do obsceno, da piada e da encenação, afinal
de contas, nem tudo que se tem vontade de dizer, se pode dizr.
Algumas coisas devem ser mascaradas, mas como nem tudo dá (não há
quem aguente) algumas surgem dentro das piadas e também da linguagem
do obsceno, imoral, debochado, por fim, fora da linguagem conhecida
hoje como politicamente correto.
Politicamente
correto é ser feliz, não ofender, nem dizer aquilo que se
desejaria. Uma nova forma de implantar novos costumes. De certa
maneira, até uma nova moral. A moral da purilidade, se, se tem
vontade de falar certas coisas, como o ódio que se tem, ou o
despeito das ações de um outro (normalmente do campo político), se
deve falar dentre um meio possível. Normalmente de amigos e pessoas
de ideias parecidas.
Dentre
esta nova forma, se instala a permissão ao obsceno, imoralidade,
deboche, indecênscia, inconveniência, pois se for feito não se
pode falar. É feio, incorreto, o politicamente incorreto. E assim,
se abre espaço a impunidade, dentre outros. Que o diga a política!
No
entanto não é só a política, quem se exerce desta nova forma
imposta. Isso se tornou cotidiano. Dentro do dia a dia, não se pode
falar sobre si direito em público, muito menos sobre os outros. Isso
pode cair nos ouvidos errados e acabar gerando um processo, ou alguma
inconveniência.
Nisso,
entram as formas com as quais funcionam os julgamentos. Enganam-se
falando nisso, aqueles que aceditam que se baseiam estes na verdade
dos fatos e na justiça. Audiência, processo, se ganha por força de
argumentação e provas. E isso não é de hoje. Usando os termos de
Dante dentro da divina comédia, é como viajar ao inferno e conhecer
os velhos personagens que foram lá colocados pela história. Há
tempos o direito funciona assim. E não é prioridade de nenhuma
país, é um sistema geral.
Seria
longo demais contar esta história aqui também, recomendo aos
interessados, que leiam Foucaul e Giorgio Agamben que segue as linhas
deste. Mas voltando ao que aqui se fala, dentro desta nova forma de
moralidade vigente em nossos tempos, parece se suprimir a ética, que
seria a prática da moral, em favor dos interesses pessoais.
Imperativos morais, que sirvam pros outros, eu tenhos os meus...
Aqui
entra de fato a nova forma com que as coisas acontecem. Uma forma
inclusive da qual se bus não se falar. Perversa. Inclusive, nem mais
assim se chama, agora o Manual Diagnóstico tentou enquadra-la num
nome um pouco mais pomposo, parafilia afinal, perversão é feio! E é
feio mesmo, se caracteriza pelas atitudes e imoralidade do
praticante. Se há moral e ética nestes, a única que existe é a
própria. Se há ética fora, seguem pelo convívio com o social, no
entanto não deixam de buscar os furos possíveis, afinal, conhecem
também muito bem a lei e os seus limites. Logo então maior que esta
é a sua.
Pessoas
assim, não deixamos de encontrar em nossas vidas, seja aquelas que
vemos na televisão em seus discursos vazios, penetrantes e
emocionantes, seja em comícios ou palestras da empresa. Sempre
haverá aquele que sabe seduzir por um discurso vazio onde não há
valor no que se entende de, mas sim no que se cativa dos ouvintes.
E de
fato, isso se tornou uma forma de se ganhar as coisas, a final, aqui
se lida com o desejo, é preciso movimentá-lo pra que exista
comércio e relações interpessoais.