domingo, 28 de junho de 2015

A Linguagem do Obsceno

Não deixa de ser fato corriqueiro a obscenidade do cotidiano. No entanto não em linguagem direta, mas sims empre por meios metafóricos ou de encenação mesmo. Algo como a poesia e o teatro. Não falta lirismo também dentre estes meios, seria como dizer que dentre a vida e o cotidiano passamos por diversos momentos dantescos, como que em viagens entre o céu o inferno e o purgatório.
Contra isso e a percepção do mesmo surgem as propagandas do mercado, o incentivo ao consumismo e a venda da felicidade, onde se acredita estar feliz a todo o momento. A luta pela felicidade se torna motivo de conquista ou derrota. Não se pode se dizer infeliz, tristeza não consta dentro dos limites do possível da vida.
Quanto a isto surge a linguagem do obsceno, da piada e da encenação, afinal de contas, nem tudo que se tem vontade de dizer, se pode dizr. Algumas coisas devem ser mascaradas, mas como nem tudo dá (não há quem aguente) algumas surgem dentro das piadas e também da linguagem do obsceno, imoral, debochado, por fim, fora da linguagem conhecida hoje como politicamente correto.
Politicamente correto é ser feliz, não ofender, nem dizer aquilo que se desejaria. Uma nova forma de implantar novos costumes. De certa maneira, até uma nova moral. A moral da purilidade, se, se tem vontade de falar certas coisas, como o ódio que se tem, ou o despeito das ações de um outro (normalmente do campo político), se deve falar dentre um meio possível. Normalmente de amigos e pessoas de ideias parecidas.
Dentre esta nova forma, se instala a permissão ao obsceno, imoralidade, deboche, indecênscia, inconveniência, pois se for feito não se pode falar. É feio, incorreto, o politicamente incorreto. E assim, se abre espaço a impunidade, dentre outros. Que o diga a política!
No entanto não é só a política, quem se exerce desta nova forma imposta. Isso se tornou cotidiano. Dentro do dia a dia, não se pode falar sobre si direito em público, muito menos sobre os outros. Isso pode cair nos ouvidos errados e acabar gerando um processo, ou alguma inconveniência.
Nisso, entram as formas com as quais funcionam os julgamentos. Enganam-se falando nisso, aqueles que aceditam que se baseiam estes na verdade dos fatos e na justiça. Audiência, processo, se ganha por força de argumentação e provas. E isso não é de hoje. Usando os termos de Dante dentro da divina comédia, é como viajar ao inferno e conhecer os velhos personagens que foram lá colocados pela história. Há tempos o direito funciona assim. E não é prioridade de nenhuma país, é um sistema geral.
Seria longo demais contar esta história aqui também, recomendo aos interessados, que leiam Foucaul e Giorgio Agamben que segue as linhas deste. Mas voltando ao que aqui se fala, dentro desta nova forma de moralidade vigente em nossos tempos, parece se suprimir a ética, que seria a prática da moral, em favor dos interesses pessoais. Imperativos morais, que sirvam pros outros, eu tenhos os meus...
Aqui entra de fato a nova forma com que as coisas acontecem. Uma forma inclusive da qual se bus não se falar. Perversa. Inclusive, nem mais assim se chama, agora o Manual Diagnóstico tentou enquadra-la num nome um pouco mais pomposo, parafilia afinal, perversão é feio! E é feio mesmo, se caracteriza pelas atitudes e imoralidade do praticante. Se há moral e ética nestes, a única que existe é a própria. Se há ética fora, seguem pelo convívio com o social, no entanto não deixam de buscar os furos possíveis, afinal, conhecem também muito bem a lei e os seus limites. Logo então maior que esta é a sua.
Pessoas assim, não deixamos de encontrar em nossas vidas, seja aquelas que vemos na televisão em seus discursos vazios, penetrantes e emocionantes, seja em comícios ou palestras da empresa. Sempre haverá aquele que sabe seduzir por um discurso vazio onde não há valor no que se entende de, mas sim no que se cativa dos ouvintes.

E de fato, isso se tornou uma forma de se ganhar as coisas, a final, aqui se lida com o desejo, é preciso movimentá-lo pra que exista comércio e relações interpessoais.

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