sábado, 10 de setembro de 2016

A pressa é inimiga da percepção


Quando escrevo, ou busco reflexões, gosto de exemplos literários ou cinematográficos, pois estes nos permitem pensar em nós a partir da expressão de fora. Neste mesmo sentido, cito o gato da Alice, a Alice do País das maravilhas, onde acompanhamos um ser hiperativo, apressado, assim como nós em nosso cotidiano, onde acabamos confundindo nossa percepção por causa da pressa. Assim por fim, tem se traçado nosso cotidiano, dos horários e compromissos marcados, onde acordamos apressados e dormimos cansados. Com uma necessidade de alcançar ou realizar tudo, pensamos em tudo, menos em nós mesmos.
Como diz uma música do Black Sabath, Killing yourself to life, morremos para viver, para sobreviver e garantir o pão de cada dia nos perdemos de nós. Frases ditas não são ditas, sentimentos não são expressos …
 Aquele que anda devagar, para pra conversar, ver e ouvir é considerado desocupado. Quantas belezas perdemos de ver e escutar devido a essa mesquinhez do tempo e dos sentidos em que vivemos?
Como se diz em Italiano, siamo chi siamo, Quem somos, ou melhor quem nos tornamos, o que perdemos a esse modo em que vivemos?

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Depressão, uma questão que precisa de cuidado.

Olá, obrigado por ter visitado este link. Talvez você pense pelo título que é um texto, pode ser que sim, mas é mais uma conversa. Uma conversa sobre a depressão, sua estranha manifestação cíclica e o engano do suposto bem estar. Digo engano, pois o sujeito se firma em pequenos momentos, onde como toda maré alta, depois do tempo violento das revoltas do mar, há a calmaria. Porém, é importante ressaltar, que mesmo o mar depois de toda calmaria é previsto uma nova revolta. Esse fator nos é útil, pois ressalta alguns aspectos da depressão, que semelhante aos movimentos do mar, na calmaria tudo parece bem, mas não se sabe quando será a próxima recaída. Pequenos eventos ou acontecimentos podem a provocar. O sujeito acredita que estando em movimento, não se isolando poderá resolver seus problemas, se livrar do sofrimento, mas ledo engano!
O problema permanece real, de forma que às vezes o sujeito o nega de forma muito abrupta, como se tudo estivesse bem, realizando compras, satisfazendo desejos que normalmente não colocaria em questão. Depois no entanto, vem as contas e o abatimento. A realidade impera outra vez.
Outra vez e outro dia, mas não é só desta forma, pois a depressão se caracteriza pela crença no desvalor quanto a si mesmo, no quanto prefere dormir, ou mesmo desmaiar às vezes, pois sair de onde está é perigoso, é preferível evitar a realidade e ficar na fantasia. Fantasia que retoma ao começo de nossa conversa, onde se crê que tá tudo bem, pois um momento de convívio social, de desprendimento de si, faz com que o sujeito possa se sentir bem. Que bom estes momentos, mas eles não devem deixar de lado a questão do necessário cuidado de si, muitas vezes estranho ao sujeito, pois como característica mesmo da doença, desiste de si.
Procurar uma terapia parece penoso, é demasiado ir até a terapia, que dirá lá sobre si falar, o que falar?

Uma questão que deve ser trabalhada, mas é preciso o primeiro passo, tenha coragem, marque a consulta, compareça.