Para problemas, cada um acha sua solução e forma de enfrentar, mas tem uma que normalmente não se observa. A propaganda. Pode parecer estranho, mas ela dá informações preciosas. Quer saber do que os homens gostam? Consulte comerciais de cerveja. Produtos de limpeza como sabões, amaciantes, provocam a dona de casa que ainda se acredita existir em cada mulher. Boa parte das propagandas por fim informa um pouco do que gostam e são os homens e as mulheres. Há também as que falam da família ideal, as propagandas de margarina, onde toda a família unida, toma café da manhã junto. Fator estranho a nossa contemporaneidade.
E justamente neste fator de família unida, que nos provoca a propaganda, se insere o Natal e o Ano Novo. Tempo de reunir a família, trocar presentes e cear unidos, seja no Peru (Chester), Churrasco ou o modo que se escolhe nas famílias. O importante é estar unidos. No entanto, como em toda propaganda, não fala que, não são todos que gostam de Natal e Ano Novo.
Quer dizer, que essas festas apresentam antes um ideal construído como na propaganda, do que a realidade? Sim, porém, tais datas mantêm seu valor, pois em meio a correria do ano, a oportunidade de unir a família não se dá todo dia. É preciso um tempo para poder reunir. Não importa se a festa é chique ou não, mas sim a espontaneidade nos ali presentes. Seja entre familiares ou amigos, o que importa é poder estar junto com o outro sem encenação, por espontaneidade.
Como na propaganda, no entanto, não dá para se sustentar o Natal, pois não há famílias perfeitas. O filho constrói sua identidade, com o lado bom e também com as falhas dos pais. No casamento, os parceiros se mantem em busca incessante de tornar o amante parecido com a sua fantasia do amado (a) com quem se casaram. Para melhor situar, convívio entre diferentes gerações é difícil sustentar, a final, os filhos precisam também superar, se diferenciar dos pais para que possam crescer, existir. Valhamo-nos aqui de uma linguagem simbólica, pois também para que possamos existir é preciso respeitar e reconhecer na diferença. Assim como a diferença da vida real e da propaganda do Natal e Ano Novo, onde somente há felicidade e união, como se nada mais existisse aí.
Perdoamos a todos no Natal, mas nos esquecemos de perdoar nós mesmos, a vida, por ser tão diferente e não ser como no comercial, tudo perfeito. Perdemos a oportunidade para o término de um ano e começo de outro Feliz.
De toda forma, sabemos que há diferença entre a vida real, a propaganda e o ideal de ser humano e família. Assim, ao modo de cada um, vos desejo um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário