segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Quando as bússolas orientadoras estão perdidas

Em nossa vida, nos orientamos de acordo com nossos desejos (vontades) e uma busca sempre enigmática de uma completude perdida desde tenra idade, ou seja, desde que nascemos. No entanto, vale observar que o desejo tanto orienta como desorienta, suscitando a invenção de artifícios que cumprem um papel como de bússola. As bússolas são diversas. Ditam o que devemos fazer: como pensar, gozar, reproduzir, entretanto as fantasias de cada um permanecem irredutíveis aos ideais comuns.
Cada um a sua forma observa, recebe e usa as formas com as quais suas bússolas o orientam. O que chama a atenção para um caráter de nosso tempo. Estamos desbussolados! Mas o que, quer dizer isto?
Até o final do século passado, pouco tempo atrás, nossas bússolas, por mais diversas que fossem, apontavam, sem exceção para o mesmo norte, o Pai. Acreditava-se no patriarcado como uma orientação antropológica. No entanto, esta fase também estava em declínio. Declínio que se acelerou com a igualdade de condições, a intensificação do poder do capitalismo, o predomínio da técnica...
O paternalismo ficou em falta, sobrou um buraco, perdemos as figuras de identificação.
Outro discurso que estava em troca do antigo, também se ligava a inovação da tradição. Em vez de hierarquia se criou a rede. O atrativo do futuro começou a prevalecer sobre o peso do passado. O feminino se tornou viril. A igualdade estava colocada.
Tais fenômenos de fato, marcaram seus avanços e importantes ganhos da sociedade, no entanto, nos tiraram consequentemente também as identificações que tínhamos até então. A sociedade ficou desbaratinada quanto ao que fazer. Não sabe mais até onde é possível ir, até onde é possível satisfazer o desejo.
E é justamente por esse caráter que hoje encontramos sujeitos desbussolados.

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