quarta-feira, 17 de maio de 2017

Por que os homens e mulheres são assim? os vejo assim?

Homens são de Marte, Mulheres são de Vênus ... Uma frase comum, até título de um livro, livro que se não me engano o autor é John Grishman. Se não me engano, porque não sei se é mesmo esse o autor, o que faz supor que eu não li o livro. Pois é, não li. Sei dele porque é um livro que normalmente se lê e se faz a propaganda pelo próprio titulo. Bom, mas não é sobre o livro que falaremos, a temática dele serve-nos apenas como introdução a falar de homens e mulheres de uma forma geral.
Trago o tema então, para exemplificar um modelo comum que se tem de homens, como de mulheres. Mais particularmente que se tinha, quanto aos homens e acredito que quando escrito o livro que já não é tão novo também. Uma visão geral, mas muito particular hoje. Homens querem isso, aquilo, algo que fala do desejo que estes supostamente teriam, simplesmente por serem homens. Algo válido hoje de certa forma pras mulheres também num geral. Como se por ser homens ou mulheres, pensariam só naquilo. Homens por um largo período de tempo e também de certa forma presente hoje, ter um carro, pegar mulheres por ter um carro ou ser o suposto pegador. Sei que isto é um tema comum nas falas das pessoas, mas algo não muito escrito de forma direta como estou fazendo. E esclareço que o faço, pois é um tema que de certa forma me incomoda. Me incomoda, pois obviamente, todos homens não são iguais e nem todas as mulheres, mas se acredita nisso a partir de comportamentos e modos mostrados pelas pessoas. Modos estes que fazem que se os veja como um modelo evolucionista, onde por ser homens e a cultura obviamente, mesmo que esta fique de fora diante deste modo de pensamento pensam assim, ou fazem assim, "são todos iguais", "ah, homens!"
Mas, pois então, não é por aí, cada pessoa, independente se homem ou mulher, tem seu jeito de ser, jeito que se perpassa por sua história e modo de conceber o mundo. Modo este que é percebido no social de uma forma reducionista, pois simplesmente por ser homem se crê que são assim. É claro, que isso também passa por uma percepção da pessoa e seu histórico de relações, mesmo que a relação que venha a desenvolver seja a sua primeira.
Cito primeiramente os homens como aqueles vistos de um modo geral, que são assim, pois se escuta muito por aí esta frase, e parto aqui do cotidiano para esta reflexão. Mas não nos enganemos, as mulheres também tem seu jeito por ser mulher e o modo como estas são concebidas a partir do seio familiar e da cultura. Porém, esses modos, tanto para homens como para mulheres, parece ter como que perdido o rumo, afinal, desde maio de 68, a frase que ficou conhecida mundo a fora também ficou como imperativo, é "é proibido proibir", Uma frase que revoga outro sentido diante das revoluções, a liberdade democrática, feminista e de igualdade. Todos tem o direito igual e podem gozar da mesma forma. Uma reivindicação justa, mas que parece ter perdido o sentido, pois barreiras para o desejo e o livre convívio social parecem ter ido por água baixo também. Todos tem o direito, mas deveres, responsabilidades ....
Pois é, parece que estas não interessam.
E dai, todos homens são iguais? As mulheres também?
São de marte? Vênus?
O que quer dizer isto?
Questões que espero que não caiam no reducionismo de sempre de se achar que tá tudo bem e assim tá bom, afinal de contas, o reconhecimento do diferente em sua alteridade também é fundamental para o bom convívio social.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

O inquietante estranho inconsciente em nós mesmos


O estranho inquietante do inconsciente que nos faz às vezes fazer coisas estranhas, é a forma pessoal de quem o faz assinalar a própria condição a si mesmo. Estranho inquietante, pois este é o próprio inconsciente em seu caráter de pulsante, daquele que não descansa, não dorme e insiste em buscar a realização da sua meta, conforme essa se liga ao desejo, e as formas de prazer vinculadas a isso.
Frente a este eterno pulsar que habita em nós, demandamos algo a partir de nosso modo como concebemos, percebemos o mundo. É claro que este modo precisa e foi primeiramente também orientado pelas figuras de cuidado que tomaram conta de nós até então, os pais da primeira infância e os atuais de nosso presente. Pais estes, que influenciaram sobremaneira nosso modo de ser, pois também é importante considerar, que se viemos como pura energia ao mundo, precisamos de alguém que nos transmita as questões subjetivas e de identidade e da cultura.
Frente a esta transmissão, e o modo como se estabeleceu, temos nosso modo de ser a partir de nós mesmos e a forma como concebemos, recebemos o que vem do mundo, sendo que, o que vem do mundo está relacionado com tudo aquilo que se da diante de nossos encontros, seja com pessoas, objetos ou o que for que seja. É como os estímulos que vem de fora e o modo como os recebemos. Porém, como já somos alguém, há também os estímulos internos que influenciam a forma de ver e conceber estes estímulos que chegam a nós vindo do mundo externo. A exemplo, você já deve ter ouvido falar, ou talvez você também pense assim, que, quando está chovendo, se está trovejando, você tem que se cuidar, pois algum raio poderá cair em você. Essa percepção, faz com que este poderá fosse como real, então, um raio vai cair em você. Inclusive, há justificativas pra isso, afinal de contas, raios já caíram em algumas pessoas.
No entanto, é importante observar o acontecer desta cena, onde, diante de um estímulo externo, chuva e trovões, se passa a ideia de que algo ruim vai acontecer, afinal, o tempo está feio, da sinais da sua violência digamos. Frente a essa violência, o sujeito teme o ataque a si, no entanto, como se pode perceber, também, a possibilidade de um raio cair em alguém é quase mínima e tem também as questões de proximidade de lugares que se atrai raio, dentre outras, mas de toda forma, um raio dentro da sua casa em você, é quase sobrenatural que aconteça. Mas mesmo assim, se acredita que sim. E justifiquemos então o por que.

Saber de si, por si, é uma tarefa um tanto quanto difícil, então precisamos de artifícios externos para sabermos sobre si e nosso estado muitas vezes. Um exemplo disso, como citado acima, acontece em casos de temporais, onde se acredita que um raio irá cair sobre si. Um raio, que serve como objeto para o aparecimento de um conflito interno, ou força impulsionada no inconsciente que se teme que volte contra si, como um ataque a si mesmo, desconhecido pelo sujeito. Como uma incrível capacidade de fazer as coisas erradas, ou de precisar de alguém como ajuda, pois sozinho não pode. E justamente, sozinho não pode, pois não sabe nem a força, e nem qual o objeto que ataca, mas sabe que é de dentro. Tal ideia, como é possível perceber, se da na fobia, onde se teme uma força atacadora de dentro que nos ataca e aparece simbolizada por objetos de fora. E como Freud disse, para poder aparecer, precisa passar por filtros de nosso aparelho psíquico, onde passa com diferentes atributos, além daqueles que já tinha em si. Passa de uma forma que possa ser percebido sem causar uma maior desordem, uma inquietante forma de se mostrar de nosso inconsciente ...

domingo, 7 de maio de 2017

Servidão voluntária como perca da liberdade

A servidão a um outrem, a liberdade, sempre foram temas de muita controvérsia. Nos últimos tempos, o tema com o qual mais se tem debatido é a suposta liberdade. Digo suposta, porque muita ideia que tem se defendido ai como liberdade não passa de servidão. Nesse ponto, é interessante nos voltarmos a obra de La Bótie sobre o Discurso da Servidão, texto escrito no começo do século XVI, mais com um valor a seu tempo e a hoje.
La Bótie nesta obra, fala da questão da liberdade como algo ao qual o sujeito tem que lutar, como aquilo a respeito de nós mesmos que nos deixa livres quanto aos outros, favores, devoção ... Disso, podemos tirar o exemplo de Hipócrates, pai da medicina quando o rei da Pérsia quis atraí-lo para o seu lado à custa de lindos presentes, sendo que Hipócrates se negou a cura de bárbaros que queriam matar os gregos, pois se o fizesse teria problemas de consciência.
Quando se cede a tentações com estas impostas pelo rei persa a Hipócrates se torna uma pessoa submissa, sem brio, se cede a um outrem e a vontade deste, mesmo que isso não seja mais percebido pelas questões de como se vive na cultura, tal qual como vivemos hoje,

Digamos portanto que, se todas as coisas se tornam naturais para o homem quando se acostuma a elas, só permanece em sua natureza aquele que deseja apenas as coisas simples e não alteradas. Assim, a primeira razão da servidão voluntária é o hábito. É o que acontece com os cavalos mais briosos, que no início mordem o freio e depois brincam com ele, que há pouco escoiceavam assim que viam a sela e agora se apresentam sozinhos sob os arreios, e, vaidosos, pavoneiam-se debaixo da armadura. Os homens dizem que sempre foram súditos, que seus pais viveram desse modo. pensam que são obrigados a suportar o mal, persuadem-se com exemplos e consolidam eles mesmos, com o passar do tempo, a posse daqueles que o tiranizam. Mas, na verdade, os anos nunca dão o direito de praticar o mal. Antes, aumentam a injúria. (LA BÓTIE, 2017, p. 41)

Tal situação por fim, nos leva a refletir o que enfrentamos hoje diante da liberdade de expressão, democracia, achados como um avanço da civilização. Porém, é interessante pontuar neste ponto a opinião de alguns sociólogos, psicanalistas, historiadores como Bauman, Zizek e Karnal onde estes afirmam que a liberdade de expressão como a da democracia é uma questão que faz com que os sujeitos tenham um líder. Se não tiverem ainda que o procurem, como uma servidão voluntária. Algo que podemos considerar como força que reprima ou de contas dos impulsos que o sujeito traz dentro de si. Afinal de contas, se a cultura não dá mais conta disso, é preciso achar alguma figura que o faça, ou que pelo menos justifique meus atos. E justamente por isso, esconde-se o problema fundamental, a liberdade. Liberdade de quem e pra que?
Um questionamento que nos coloca diante da primeira questão da liberdade, nós mesmos. Tal qual com Hipócrates, que por uma questão pessoal diante de si mesmo se nega as tentações do rei.