O
estranho inquietante do inconsciente que nos faz às vezes fazer
coisas estranhas, é a forma pessoal de quem o faz assinalar a
própria condição a si mesmo. Estranho inquietante, pois este é o
próprio inconsciente em seu caráter de pulsante, daquele que não
descansa, não dorme e insiste em buscar a realização da sua meta,
conforme essa se liga ao desejo, e as formas de prazer vinculadas a
isso.
Frente
a este eterno pulsar que habita em nós, demandamos algo a partir de
nosso modo como concebemos, percebemos o mundo. É claro que este
modo precisa e foi primeiramente também orientado pelas figuras de
cuidado que tomaram conta de nós até então, os pais da primeira
infância e os atuais de nosso presente. Pais estes, que
influenciaram sobremaneira nosso modo de ser, pois também é
importante considerar, que se viemos como pura energia ao mundo,
precisamos de alguém que nos transmita as questões subjetivas e de
identidade e da cultura.
Frente
a esta transmissão, e o modo como se estabeleceu, temos nosso modo
de ser a partir de nós mesmos e a forma como concebemos, recebemos o
que vem do mundo, sendo que, o que vem do mundo está relacionado com
tudo aquilo que se da diante de nossos encontros, seja com pessoas,
objetos ou o que for que seja. É como os estímulos que vem de fora
e o modo como os recebemos. Porém, como já somos alguém, há
também os estímulos internos que influenciam a forma de ver e
conceber estes estímulos que chegam a nós vindo do mundo externo. A
exemplo, você já deve ter ouvido falar, ou talvez você também
pense assim, que, quando está chovendo, se está trovejando, você
tem que se cuidar, pois algum raio poderá cair em você. Essa
percepção, faz com que este poderá fosse como real, então, um
raio vai cair em você. Inclusive, há justificativas pra isso,
afinal de contas, raios já caíram em algumas pessoas.
No
entanto, é importante observar o acontecer desta cena, onde, diante
de um estímulo externo, chuva e trovões, se passa a ideia de que
algo ruim vai acontecer, afinal, o tempo está feio, da sinais da sua
violência digamos. Frente a essa violência, o sujeito teme o ataque
a si, no entanto, como se pode perceber, também, a possibilidade de
um raio cair em alguém é quase mínima e tem também as questões
de proximidade de lugares que se atrai raio, dentre outras, mas de
toda forma, um raio dentro da sua casa em você, é quase
sobrenatural que aconteça. Mas mesmo assim, se acredita que sim. E
justifiquemos então o por que.
Saber
de si, por si, é uma tarefa um tanto quanto difícil, então
precisamos de artifícios externos para sabermos sobre si e nosso
estado muitas vezes. Um exemplo disso, como citado acima, acontece em
casos de temporais, onde se acredita que um raio irá cair sobre si.
Um raio, que serve como objeto para o aparecimento de um conflito
interno, ou força impulsionada no inconsciente que se teme que volte
contra si, como um ataque a si mesmo, desconhecido pelo sujeito. Como
uma incrível capacidade de fazer as coisas erradas, ou de precisar
de alguém como ajuda, pois sozinho não pode. E justamente, sozinho
não pode, pois não sabe nem a força, e nem qual o objeto que
ataca, mas sabe que é de dentro. Tal ideia, como é possível
perceber, se da na fobia, onde se teme uma força atacadora de dentro
que nos ataca e aparece simbolizada por objetos de fora. E como Freud
disse, para poder aparecer, precisa passar por filtros de nosso
aparelho psíquico, onde passa com diferentes atributos, além
daqueles que já tinha em si. Passa de uma forma que possa ser
percebido sem causar uma maior desordem, uma inquietante forma de se mostrar de nosso inconsciente ...
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