segunda-feira, 15 de maio de 2017

O inquietante estranho inconsciente em nós mesmos


O estranho inquietante do inconsciente que nos faz às vezes fazer coisas estranhas, é a forma pessoal de quem o faz assinalar a própria condição a si mesmo. Estranho inquietante, pois este é o próprio inconsciente em seu caráter de pulsante, daquele que não descansa, não dorme e insiste em buscar a realização da sua meta, conforme essa se liga ao desejo, e as formas de prazer vinculadas a isso.
Frente a este eterno pulsar que habita em nós, demandamos algo a partir de nosso modo como concebemos, percebemos o mundo. É claro que este modo precisa e foi primeiramente também orientado pelas figuras de cuidado que tomaram conta de nós até então, os pais da primeira infância e os atuais de nosso presente. Pais estes, que influenciaram sobremaneira nosso modo de ser, pois também é importante considerar, que se viemos como pura energia ao mundo, precisamos de alguém que nos transmita as questões subjetivas e de identidade e da cultura.
Frente a esta transmissão, e o modo como se estabeleceu, temos nosso modo de ser a partir de nós mesmos e a forma como concebemos, recebemos o que vem do mundo, sendo que, o que vem do mundo está relacionado com tudo aquilo que se da diante de nossos encontros, seja com pessoas, objetos ou o que for que seja. É como os estímulos que vem de fora e o modo como os recebemos. Porém, como já somos alguém, há também os estímulos internos que influenciam a forma de ver e conceber estes estímulos que chegam a nós vindo do mundo externo. A exemplo, você já deve ter ouvido falar, ou talvez você também pense assim, que, quando está chovendo, se está trovejando, você tem que se cuidar, pois algum raio poderá cair em você. Essa percepção, faz com que este poderá fosse como real, então, um raio vai cair em você. Inclusive, há justificativas pra isso, afinal de contas, raios já caíram em algumas pessoas.
No entanto, é importante observar o acontecer desta cena, onde, diante de um estímulo externo, chuva e trovões, se passa a ideia de que algo ruim vai acontecer, afinal, o tempo está feio, da sinais da sua violência digamos. Frente a essa violência, o sujeito teme o ataque a si, no entanto, como se pode perceber, também, a possibilidade de um raio cair em alguém é quase mínima e tem também as questões de proximidade de lugares que se atrai raio, dentre outras, mas de toda forma, um raio dentro da sua casa em você, é quase sobrenatural que aconteça. Mas mesmo assim, se acredita que sim. E justifiquemos então o por que.

Saber de si, por si, é uma tarefa um tanto quanto difícil, então precisamos de artifícios externos para sabermos sobre si e nosso estado muitas vezes. Um exemplo disso, como citado acima, acontece em casos de temporais, onde se acredita que um raio irá cair sobre si. Um raio, que serve como objeto para o aparecimento de um conflito interno, ou força impulsionada no inconsciente que se teme que volte contra si, como um ataque a si mesmo, desconhecido pelo sujeito. Como uma incrível capacidade de fazer as coisas erradas, ou de precisar de alguém como ajuda, pois sozinho não pode. E justamente, sozinho não pode, pois não sabe nem a força, e nem qual o objeto que ataca, mas sabe que é de dentro. Tal ideia, como é possível perceber, se da na fobia, onde se teme uma força atacadora de dentro que nos ataca e aparece simbolizada por objetos de fora. E como Freud disse, para poder aparecer, precisa passar por filtros de nosso aparelho psíquico, onde passa com diferentes atributos, além daqueles que já tinha em si. Passa de uma forma que possa ser percebido sem causar uma maior desordem, uma inquietante forma de se mostrar de nosso inconsciente ...

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