sábado, 22 de julho de 2017

Depressão pra que? pra quem?

Toda semana leio em algum lugar que em breve a depressão será a doença que mais afetará pessoas no mundo. Um dado um tanto assustador, como também a nos colocar em reflexão. Nos colocar em reflexão, pois é um problema sério. Tomemos como prova a imensidão de suicídios que ocorrem todos os dias pelo mundo e o fato de um suicídio que impactou o mundo, Cheester, vocalista do Linkin Park foi encontrado morto. Isso levou muita gente a fazer o apela em postagens nas redes sociais pra que se leve a sério a depressão.
Levar a sério a depressão nos coloca diante do problema alertado pela OMS, porém é interessante considerar neste ponto que nem tudo que se diz ser depressão é depressão. Ficar triste não quer dizer estar deprimido. Porém, com a linguagem da psiquiatria e esse negócio que todo mundo tem um transtorno no DSM entrou nos meios sociais, estar triste se expressa por aquela frase já cotidiana "estou depre".
E de fato a depressão é coisa séria mesmo. Vamos a descrição dela então. Depressão é um estado onde o ânimo do sujeito fica abatido, perde o tônus (energia) vital, em outras palavras, a vontade de fazer as coisas não se processa, é melhor ficar ai. Parado. Enfrentar o desafio, ou cumprir a função é penoso de mais, dói mais do que a culpa do que não fazer nada. É como um sentimento de invalidez justificado. O chamado benefício secundário da doença e o problema a ser considerado quanto as ditas aposentadorias por depressão e o fingimento de dor, onde sem se considerar uma história, mas levando em consideração um breve relato está dado o diagnóstico. Como nem todos são frequentadores de psiquiatras, é justo esclarecer que esse é o modo de dar diagnóstico que se tem estabelecido. Mas voltando a depressão, é justo caracterizar que ela se estabelece por uma perda, como um luto, às vezes por perder alguém, tanto no que diz respeito a vir a óbito como fim de relacionamentos. Fim de relacionamentos inclusive algo motivador de muita dor. Num sentido bom, pois mostra que ainda não nos tornamos frios e somos seres de afeto. No entanto, as coisas modificam conforme a questão da intensidade do sofrimento causado pela perda. E isso vale tanto para a perda real de alguém como o fim do relacionamento. Nos dois casos nos damos conta de um luto, tempo de desprendimento de alguém onde é preciso retirar a energia que estava direcionada a este outro e voltar para si. Fator importante pra considerar a importância de porque não se envolver com ninguém logo após um relacionamento. A não ser é claro que não havia bem esse negócio de energia investida ou que esta já tivesse sido retirada faz tempo. De toda forma, importante considerar o tempo de luto necessário para poder voltar a estar consigo mesmo como um e não mais como um par.
Agora, voltando ao que motiva esta reflexão, o suicídio de Cheester, devemos levar em consideração a forma destrutiva em que o humano trata também a si mesmo como uma energia que se volta contra si mesmo como forma de destruição, ou de desinvestimento do mundo. Isso caracteriza mesmo a depressão num sentimento de vazio, futilidade e algo que tem se tornado comum hoje e que é preocupante, o tédio. Não há palavras que descrevam o tédio, apenas formas de lidar com este vazio. Um bom exemplo disso é estar plugado em três telas, de computador, Tv, video game ou celular mesmo como forma de cumprir os mandatos que se estabelece pra si mesmo das tarefas e nào estar fazendo nada a não ser .... sei lá, o vazio continua ai ....
É uma forma de dar continuidade a nada .... próprio do que a psicanálise chamou de compulsão a repetição e que na depressão se da de forma arrastada até que ....
Bom, todo mundo viu e hoje sabe de devido a grande mídia.

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