sexta-feira, 31 de julho de 2015

A ansiedade e o empresário no divã

A ansiedade faz parte da vida de todos, no entanto, é interessante notar, que não se parece ser algo que preocupe fora da adrenalina e da química do corpo. Como se a ansiedade fosse um simples elemento de distúrbio. Aí como é distúrbio, eu que não tenho, quem tem é o outro, os outros.
E como de fato, ansiedade é algo que todos sofrem, façamos referência que, ansiedade é algo que todos se queixam e descrevem como seu pior sofrimento, sendo que de fato neles atinge enormes intensidades e pode resultar nas atitudes mais loucas. Como as que levam um sujeito a falência frente a um negócio mal fechado, ou a perca de um patrimônio num jogo de poker pela crença que tudo vai dar certo acompanhado pelo medo do fracasso.
Dentro da ansiedade por fim, há a realística e a neurótica. A ansiedade realística se da diante de um problema a ser resolvido, como negócio a ser fechado, apresentação, palestra, etc. A neurótica por sua vez, é uma ansiedade necessária, algo como um medo que nos protege, nos faz ser mais diplomatas, cautelosos, nos protege das ameaças. Porém podes muito bem pensar, e esta certo, nem todos são assim. Pois é, nem todos são neuróticos, e as neuroses não são as mesmas. Cada sujeito tem sua própria subjetividade.
Ao se falar de ansiedade, sempre há um caso diferente em cada pessoa. Pode ser que hajam coisas muito parecidas de um com outro, mas de fato, sempre são casos diferentes, diferentes histórias, diferentes subjetividades.
Mas nos refiramos aqui a ansiedade presente nos negócios, no empreendedorismo, naqueles que normalmente costumou-se ver como implacáveis, controlados e sem perturbação. (Cláro que nos casos que se fazem dignos de tal admiração)
Porém a ansiedade da maioria dos empresários, é a segunda, a neurótica, especialmente quando estão em situações difíceis. Se a ansiedade realística nos faz ser prudentes, a segunda nos faz arriscar mais. As duas são baseadas no medo, mas o da segunda é imaginário.
Isso é frequente em empresários, vivem em um frequente estado de insatisfação. Mesmo quando tem uma fonte de lucro seguro na empresa, tratam de abrir mais frentes, em uma impulsividade incontrolável.
Porém de fato, a ansiedade não é algo próprio da empresa, pois se o empresário deixasse a empresa, levaria sua atitude ansiogênica para qualquer atividade.

Medo como raiz da ansiedade

Dentro de nossa história e a formação de nossa subjetividade, assim como avançamos em compreensão do mundo e ganho de realidade, com esta se somam, medos, complexos, dentre outros. Formas por fim com as quais nos protegemos e de certa forma as vezes também, atrapalhamos a nós mesmos. Dentro destas por fim, esta o medo de ser preterido e humilhado, medo de perder o status quo e o medo da perda de controle. No primeiro citado acima, o medo se relaciona com não ser reconhecido, não se destacar ou de não ser reconhecido pelas pessoas. “Em geral, aparece em decorrência de mães que educam por comparação: “Não seja como seu primo”, “Faça como seu irmão”, “Olha como sua prima deu certo”, “Viu o que o papai fez?”” (Garcia, 2012, p. 71). No segundo caso por sua vez, é o medo que inibe a capacidade de mudança, pois independente do estado de vida que o sujeito escolheu, há um gozo nisso, mesmo que o sujeito não se de conta disso. Esses são os ganhos secundários.“Em geral pessoas assim são as que foram educadas com mensagens orientadas para a perda: “Se você não estudar, não vai viajara nas férias” A mãe introjeta na crian,a a predominância de preservar.” (Garcia, 2012, p. 72), No terceiro caso também há um medo que inibe as mudanças, porque se as cosias continuarem do jeito que estão, bem ou mal vai dar para controlar o resultado. O que faz com que alguns empresários percam a capacidade de inovar, fazer diferente.
''É sabido que a presença da mãe na criação fortalece a autoestima, e que a presena, do pai reforça a capacidade de estratégia e planejamento.” (Garcia, 2012, . 72) Para desenvolver um filho mais empreendedor, é preciso que o pai “roube”o filho da mãe, propondo atividades entre dois, nem que seja uma simples caminhada, como ir até o posto de gasolina da esquina de casa, mas que haja um entrosamento entre os dois. “Algumas mãe não permitem isso; intrometem-se de tal modo que não deixam que o filho note a figura masculina. Agem como a Dalila da mitologia, que suprime a forçá de Sansão ao lhe cortar o cabelo.” (Garcia, 2012, p. 72,73).
A autoestima é um sentimento interno, uma certeza em ter a capacidade de resolver problemas e lidar com situações difíceis. A autoconfiança por sua vez, é externa e se manifesta mesmo que não haja a segurança interior. Na personalidade empreendedora, a autoestima é frequentemente menor que a autoconfiança, pois por sua própria posição o empresário tende a demonstrar segurança, mesmo quando quando não tem convicção de que é capaz. Parecem pessoas autoconfiantes, mas são fragilizados, tem ações inesperadas, repentinas como algo que acontece no momento inapropriado no sentido contra fóbico.

Aqui chegamos ao ponto crucial do texto e da trama desenvolvida aqui, afinal de contas, o que nos deixa diante do desamparo?

GARCIA L. Empresários no Divã. São paulo: Editora Gente, 2012. 

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Postar para ser alguém?

  A ordem das coisas, nunca foi tão procurada e tão confusa. Vida que se vive, não é só mais uma, se é preciso viver duas, a real e a que você mostra pros outros. Sobre isso não se cansa de fazer ironia inclusive na internet pelo youtube e redes sociais. Porém uma ironia que as pessoas agregaram a sua vida cotidiana como parte dela. Afinal, tudo o que se faz é preciso postar, é preciso passar a imagem que...
Fica algo posto como o espírito do tempo, cultura, algo do funcionamento geral do cotidiano. Porém aqui não podemos por isso afirmar que em todo planeta aconteça isso. É uma questão geográfica, acontece conforme o local. E falando nisso, que o diga o Brasil, que tem mostrado muito mais viver por imagem do que pelo real.

Talvez a geografia que falemos aqui está no psiquismo, uma questão da cultura mesmo e de como as coisas se desenvolvem na estrutura central da sociedade, a família.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Aborrescência ou Adolescência?

Mito criado no início do século XX, a adolescência é uma das formações culturais mais poderosa de nossa época, prisma pelo qual os adultos olham e os próprios adolescentes contemplam De certa forma uma entidade, um enigma sustentado pela imaginação de todos.
É comum ouvirmos chamar nossos jovens de aborrescentes, tanto pelos pais destes, como por um senso comum, como na escola e na vida cotidiana. Porém, dificilmente alguém se pergunta o por quê do termo. Se lhe é perguntado, a resposta é breve, afinal, são aborrescentes mesmo, não escutam, querem do jeito deles.
No entanto, as coisas não são bem por aí, a adolescência incomoda muito mais por aspectos pessoais de quem vê, do que pelo fato de ser um tempo de individualismo e impulsividade, afinal de contas.
Dentro da adolescência, vemos surgir grupos, ideais e a identidade do sujeito, onde este em procura de si mesmo, busca incessantemente uma forma de ser reconhecido, como algo que lhe permita também participar do mundo adulto. “O que vemos no espelho não é bem nossa imagem. É uma imagem que sempre deve muito ao olhar dos outros. Ou seja, me vejo bonito ou desejável se tenho razões de acreditar que os outros gostam de mim ou me desejam. Vejo, em suma, o que imagino que os outros vejam.”(Calligaris, 2009, p. 25)
Parado na frente do espelho, medindo as novas formas de seu corpo, caçando as espinhas e cravinhos, ojerizando seus novos pelos ou seios, o adolescente vive a falta do olhar apaixonado que ele merecia quando criança e a falta de palavras que o admitam como par na sociedade de adultos. A insegurança se torna assim o traço próprio da adolescência. Se lança assim numa pergunta, que durara o tempo (indefinido) de sua adolescência, o que será que os adultos querem e esperam de mim?
“O fato é que a adolescência é uma interpretação de sonhos adultos, forçada por uma moratória que força o adolescente a tentar descobrir o que os adultos querem dele.” (2009, p.33) Suas condutas em suma, são tão variadas como os sonhos adultos, expressão dos desejos reprimidos destes, por isso transgressoras. Ao menos aos olhos destes.
Na procura de reconhecimento, seduzido pelos caminhos que lhe são oferecidos, quanto tenta se integrar, se marginaliza. Transgridem para ser reconhecidos, e os adultos para os reconhecer constroem visões deles.
Estas visões são também de fato as linhas sobre as quais se organiza o comportamente adolescente em busca de reconhecimento, sendo ao mesmo tempo solidificação da rebeldia extrema dos adolescentes e sonhos, pesadelos ou espantalhos dos adultos. Destaquemos cinco dessas: o adolescente gregário, o delinquente, o toxicômano, o adolescente que se enfeia e o adolescente barulhento.
Dentro de suas novas descobertas, e da nova imagem que desobre de si o adolescente busca novos grupos, uma nova condição social, em que sua admissão não dependa mais dos adultos, transformando assim sua faixa etária num grupo social, onde os adultos são excluídos. Contrários agora a visão que tinham quando crianças, a verdadeira comunidade não é mais a família. Um movimento de certa forma hoje, não tão somente dos adolescentes, pois os adultos fartos de responsabilidade, sedentos de liberdade, também partilham dessa mesma experiência, ou invejam os adolescentes.
O grupo adolescente de toda forma, seja ele um estilo compartilhado ou uma gangue, aos olhos dos adultos é visto como uma patologia. Os gostos gregários dos jovens são considerados anormais e perigosos. Sem se perguntar muito por que os adolescentes são gregários, os adultos demonizam os grupos dos adolescentes, pois de fato a própria constituição do grupo adolescente é aos olhos dos adultos uma espécie de transgressão.
Ora os adultos consideram suspeito este afastamento dos adolescentes, justamente porém não sabem, ou não prestam atenção eles, que ocorre pelo reconhecimento negado ao adolescente. Trata-se de conseguir um reconhecimento, para o qual ninguém sabe lhe dizer quais são as provas, qual é o ritual iniciatório necessário.

Dentro ou fora da prática gregária, os jovens não desistirão de tentar sucitar a atenção e o reconhecimento dos adultos. O grupo que eles vierem a constituir seguirá um modelo de ação que deverá transgredir o pacto social, já que continua viva a esperança de merecer, por essa transgressão, a atenção dos adultos. A transgressão tenta encenar o que os adolescentes acreditam ser um desejo recalcado (esquecido) dos adultos. Há o projeto de entregar como presente para os adultosum comportamento, um gesto, do qual eles teriam sido frustrados e, assim , de merecer uma medalha. Quanto mais a interpretação do desejo dos adultos for certeira, mais esse projeto fracassará. Nesse caso, a transgressão adolescente presenteia os adultos com uma imagem que justamente eles querem reprimir. O erro dos adolescentes (erro em relação a sua própria estratégia) é pensar que para os adultos possa ser agradável encontrar uma encenação de seu próprio recalque.” (CALLIGARIS, 2009, p. 41)

A visão da adolescência que mais preocupa os adultos é a da toxicomania. Os adolescentes seriam mais sensíveis que os adultos ao uso de drogas ilegais. Na verdade não seria difícil argumentar que o interresse para as drogas dos adolescentes de hoje é a atuação da geração precendente. “Os adolescentes de hoje são os descendentes de uma geração que explicitamente ligou o uso das drogas a todos os sonhos de liberação e revolução (pessoal, sexual, social, etc.) que ela agitou e subsequentemente recalcou.”(2009, p.45)
Há também, o adolescente que se enfeia, como uma agressão ao padrão dominante, como uma forma de desafio a aprovação do adulto. No entanto, não é só pra isso que aponta este ato. Dentre suas funções de desafio ao mundo adulto, também esta a constituição de um novo grupo, onde todos se aprovam, agregando também em algumas ocasiões a recusa da sexualidade, e sobretudo da desejabilidade como valor social.
Uma recusa diante de si mesmo e o medo da desaprovação, uma forma de encontrar uma desejabilidade e sexualidade fora da norma. No entanto, a grande maioria dos adolescentes de cabelos ultraloiros, brincos, tatuagens e cara feia, caso encontrassem a si mesmos numa rua escura, trocariam de calçada preocupados ou correriam para casa assustadíssimos.
Em todas as suas tentativas de desafiar e provocar, o adolescente encontra uma dificuldade, onde por mais que invente maneiras de se enfeiar, se distanciar do canône estético e comportamental dos adultos, a cada vez, rapidamente a cultura parece achar meios de idealizar essas maneiras, de transformá-las em comportamentos aceitos, até desejáveis e invejáveis. Ou seja, a adolescência não para de alimentar os ideais sociais e do adulto. Um fato, que indica muitas possibilidades como explicação a adultos que vivem como adolescentes em nosso dia a dia de 2015.
Deste breve mergulho que fizemos nas fases e interpretações da adolescência, é possível visualisar sobre o mundo adulto, a construção da identidade deste, as interpretações sobre os que passam pela fase que eles já passaram e a perspectiva e projeções feitas sobre estes.

CALLIGARIS C. A Adolesência. São Paulo: Publifolha, 2009.


terça-feira, 7 de julho de 2015

Os Inimigos da democracia

Dentre os inimigos da democracia, há vários, inclusive aqueles que acreditam nela. Porém, o que parece que não se sabe, é que ela foi, digamos, escanteada a algum tempo, e as pessoas não perceberam. Se perceberam ainda não admitem a não ser nos falatórios que não levam a nada.
Quem manda hoje que tem haver com cracia, é a plutocracia, as coisas que estão sobre o domínio e interesse da mídia, daquilo que eles desejam que você acredite que. A verdade saiu de foco, se a alguém interessa é aos filósofos, psicólogos, psicanalistas...
Não é de tudo que se desconhece, pois é de conhecimento de grande parte da população que frente a TV e programas transmitidos por esta, se joga muita informação as pessoas, de forma a que se as modele conforme se deseja que elas sejam. E de fato, também se sabe que isso parte do desejo de alguém, ou as vezes alguns. Aqueles que detêm o poder, que detêm os meios de comunicação.
E é nisso que surge a trama, a trama do cotidiano, do dia a dia. Nela se inscreve a visão política, social, econômica, de moda, entre outras. Forma os modos de pensar, de conceber as coisas como verdade diríamos. E neste ponto, não falta espanto para as pessoas diante delas mesmas, do duplo de si e do outro. Nada tão temível como o duplo de si. Quanto a isso, é comum escutarmos de alguns, que não se suportariam, e também de fato há a grande maioria que nada diz, mas que não suporta muito de seus atos e constrói um grande ritual para poder converter o feito, ou simplesmente nega e diz que tá tudo bem.
Porém, estaríamos nós aqui mentindo também, se admitíssemos que a manipulação dos fatos e da verdade se encerra por aqui, no que a mídia quer contar. Nesta trama também se insere uma questão de história e pura encenação, de acordo a manipulação dos fatos e do que se quer contar e das promessa miraculosas. Promessas que escondem o sentido e não dão espaço a liberdade de pensamento, em outras palavras barbárie.
Nesta trama se inscreve as promessas messiânicas dos novos tempos. Nestas promessas, se criam contextos e elementos que firmam a necessidade da intervenção, como se fossem eles a polícia do planeta que luta contra a desordem e os fora da lei. Algo inclusive que nos lembra da Gestapo, polícia especial dos nazistas.
Creio que já tenha pensado, quem são os que fazem isso. Não é preciso os nomear, mas se o fizesse seria concordar com sua dominação e forma de entrar em nossa mente e nos manipular. Sim, estes são os Estados Unidos, aqueles que pregam a liberdade, e da mesma forma modelam a sua, mesmo você não morando lá e estando muito longe.
Nisso se cria um sistema de vigilância, de tal forma como colocado por Orwell em 1984, obra clássica onde fala da dominação do grande irmão. De fato aquilo fazia muito referência ao antigo regime de Stalin e do comunismo, no entanto hoje, no pós comunismo, depois de 1994 e a queda do muro de Berlin, a intensidade do grande irmão se comprova a cada dia.
Se duvida de minhas palavras, consulte o wikileaks. A maior ferramenta de denúncia e monitoramento que conhecemos hoje dentro do sistema de internet. Funciona de tal forma, que não sabemos se ele nos informa da espionagem, ou se nos espiona.
Vivemos de tal forma, que somos estranhos a nós mesmos. Cada vez mais câmeras, e mais incentivo a suposta segurança, mas segurança do que?
Há liberdade ainda nos sujeitos? Há segurança, pelo menos de si a si?
Ainda há, mas não neguemos os fatos que a sistematização do olho vivo e do grande irmão, cada vez mais nos paranoiciza quanto ao estranho outro que se encontra ao nosso redor, o que de fato também aumenta os indíces de xenofobia e de distanciamentos dos outros.

São questões por fim, que nãos e pode julgar tudo de uma forma só. Cada país tem sua forma de cultura e de funcionamento, uns funcionando de tal forma, que as pessoas estão mais separadas entre si emocionalmente, mas muito aproximadas profissionalmente em suas funções pelo contato e eficiência. E há também os lugares onde o convívio seja cativante, mas a economia seja precária. Que o diga o brasil, que eleva sua beleza natural e convívio social, mas nega a todo custo a violência e precaridade do sistema. Sendo que inclusive, a proposição que afirma que somos um país de ótima beleza natural e povo acolhedor, é uma forma de negar a violência social e sistema falido, porém falido para alguns, para um grupo que não deixa de se renovar, este sistema é o melhor.