Diante da
realidade brasileira que enfrentamos nessa época, é difícil não
observar nossa brasileidade e a questão moral, que por sinal, não é
só dos políticos que está mal. Para seguir nessa discussão, quero
fazer uma referência a uma obra e um filme bem conhecidos, “Ensaio
sobre a cegueira”.
No
filme, vemos um grupo separado por um muro do resto da sociedade, que
está ali por ter contraído uma doença que os deixa cegos.
Aparentemente, essa doença não tem explicativa porque acontece,
simplesmente as pessoas do nada perdem a visão, sendo que então,
são levadas para o local onde estão os mesmos. Lá onde ficam,
recebem comida e distribuem entre si, no entanto não demora muito
pra que comecem a monopolizar os suprimentos aqueles que pegam e
fazer exigências. Aí, se instala o caos e o abuso, onde acabam
entrando em estado de guerra. No fim, um grupo vencedor, o qual
acompanhamos desde o início do filme, sai de onde estavam presos, e
descobrem as cidades desertas, não há ninguém pelas ruas que
esteja normal. Todos se tornaram cegos e perdidos. Passam por um
mercado e a herói do filme, que ainda podia ver, faz as coordenadas
para que peguem suprimentos.
Desta
mesma relação entre as pessoas “cegos” vimos estourar no país
uma onda avassaladora, nunca vista antes no Espírito Santo. Quer
dizer, nunca vista assim antes, o que não quer dizer que não vinha
acontecendo. No entanto, com a baixa da lei, os desejos sairão
passear e a violência tomou conta. Um fator que nos chama atenção
quanto ao sintoma, individual e social.
O vírus
que surge aqui tem nome, tem invadido as sociedades principalmente
depois da segunda guerra mundial. Chama-se ele: fascismo.
Caracterizado pela edificação de um Estado total, que se
sobreponha ao indivíduo a ponto de anulá-lo. Em suas
características, a intolerância, torna-se constante. Exclui-se a
diferença e se nega a alteridade, crescendo então a preocupação
com o inimigo, caracterizado como todo aquele que ataca suas
posições.
Tem esse
vírus um importante fator marcado por se apresentar como um fenômeno
natural, em outras palavras, todos o guardam em potencialidade.
Quando aparece, surge como algo necessário diante da vida em
sociedade que enfrenta o sujeito e o modo deste lidar com isso.
Lembrando aqui, que funciona como um vírus, que infecta e tende a
destruir o sistema.
Em outra
sua característica, é importante lembrar que o fascismo, se apóia
na reunião de uma comunidade, por uma exaltação do sentimento
nacional, de modo tal que justifique a primazia de seus direitos
sobre os outros povos. Fator tal, que nos mostra porque surgiu depois
e durante as duas grandes guerra, e não durante guerras de
mercenários. Para incendiar seu espírito, normalmente se
desenvolvem frente a um ideal escolhido por uma pessoa onde há um
grupo que a representa, o que aponta também para uma nova forma de
sofrimento, onde as pessoas constantemente buscam uma questão de
reconhecimento, acentuando com isso a característica da feminilidade
de nossa sociedade.
Aponto aqui a questão da feminilidade, pois é ela que tem caracterizado a globalização e as marcas desta. No entanto, para discutir isso, seria necessário outro texto, levando em consideração que o aqui discutido, é apenas um apontamento de um vírus que se agrava pelo mundo. Mas com certeza, há mais que esses. De toda forma, o que importa, é podermos olhar para as raízes da moralidade brasileira que parece ter se perdido em cada um. Mas pera aí, esta moralidade já existiu?
Nenhum comentário:
Postar um comentário