sábado, 30 de setembro de 2017
A questão da ansiedade como obrigação do dever
Estava passando o histórico do facebook e vendo as postagens, então uma séria me chama a atenção. Era a postagem de um psicanalista que curto a página, Lucas Napoli, onde ele fala a respeito das pessoas muito ansiosas e sua defesa da própria questão da ansiedade com rotinas pesadas. Em outras palavras, fala ele de uma forma de lidar com os excessos da ansiedade por outro excesso que faz possível aliviar a parte que não consegue dar conta de si mesmo. Como deve ter ficado claro, os excessos. Excessos esses que jogam o sujeito num sistema infernal no qual ele não pode sair, pois se ele sair, nada o resta se não o caos interior a respeito de si mesmo. O que lhe resta é apenas atuar até que possa encontrar um lugar onde tenha quem lhe possa escutar. É claro, desde que ele também esteja sujeito a falar e poder ouvir, ser cuidado. Poder colocar ordem no caos. Aparentemente pode soar isto como algo simples, mas o que menos consta neste sistema é simplicidade, pois estamos antes diante da complexidade e das questões de si onde o sujeito também tem uma forma de prazer diante do sofrimento e desse como disse anteriormente, sistema infernal. Módulo que prende o sujeito. Como num texto sem contexto, onde precisa tudo dizer, mas sem compreender. Como um sistema de pura descarga, onde não há quem ponha ordem. Até surgem aqueles que perreiam com estes sujeitos, mas de nada adianta, apenas fomentam o conflito. É preciso ouvir, deixar até certo limite atuar para que se possa concertar e consequentemente também então contextualizar o que se possa diante deste história que se vê acontecer, mas não se pode mudar. Até que, aquele que sofre possa sentir a própria dor para poder começar a organizar a confusão que a tanto tempo começou e depois que se instalou, um sistema formou, um sujeito complexizou. De tal forma, que nos valemos aqui de uma frase de Sartre muito válida aos modos de vida que temos visto por aí. O inferno são os outros, pois como não tenho como lidar com estes dos conflitos internos, projeto eles pra fora, os externalizo pra que possa me aliviar com eles.
terça-feira, 19 de setembro de 2017
Uma divagação sobre nosso cotidiano espaço brasileiro
Somos acostumados a ver no jornal, nas notícias diárias algo que nos reporte ao extremismo, seja ele religioso ou mesmo ideológico. O que temos aqui em nossa pátria nem um pouco realista e mais mitológica que prefere a mentira do povo acolhedor que garante qualidade de vida. No entanto, todos sabem que isso não se sustenta e temos mais um todos contra todos do que todos a favor de todos. A prova que a ética falhou. E antes de pestanejar, apostar na educação como se tem dito por ai não é a solução única e nem a mais primordial. É claro que devemos investir na educação de base, mas o problema está ainda antes da escola, lugar que hoje sofre as consequências da cultura permissiva onde tudo que se tornou proibido é proibir. Dai também tiramos as observações quando ouvimos de mães e pais que não é mais a criança que se adapta ao ambiente, mas sim este a ela.
Como se pode ver, os problemas dizem respeito a cultura e aquele velho jeito, fulano fez, por que eu não? Todos tem direitos iguais!
Verdade, mas deveres também, e acho que estes não constam dentre suas escolhas.
Não constam porque não figuraram dentro do vocabulário que foi passado podemos dizer, a não ser é claro aquelas que cumprem as funções da cultura, tal como ser grande e a qualquer custo, inclusive passando por cima dos outros, puxando o tapete. No caso, como podemos ver a diferença não interessa, apenas se faz parte do meu ciclo, se não tá fora.
Isso fica claro diante das quadrilhas e o funcionamento destas, mas não sejamos bobos também, isso não é problema exclusivo do tráfico, pois isso faz parte da classe política, médica, educadora, psicológica, empresarial e populacional por fim, pois o Brasil tem funcionado sobre esta perspectiva. Uma triste perspectiva. O diálogo é quase que um emaranhado de monólogos, pois a palavra se dirige apenas aqueles que são iguais. Os diferentes, que se virem ...
Os diferentes tem a escolha de se juntar ou ficar a mercê mesmo. Mas e a base, e a educação?
Ajudam a ter critérios, o que parece faltar em nossa sociedade dos excessos. Sociedade dos excessos que insiste em dizer que está tudo bem. Tudo bem pra quem?
Como se pode ver, os problemas dizem respeito a cultura e aquele velho jeito, fulano fez, por que eu não? Todos tem direitos iguais!
Verdade, mas deveres também, e acho que estes não constam dentre suas escolhas.
Não constam porque não figuraram dentro do vocabulário que foi passado podemos dizer, a não ser é claro aquelas que cumprem as funções da cultura, tal como ser grande e a qualquer custo, inclusive passando por cima dos outros, puxando o tapete. No caso, como podemos ver a diferença não interessa, apenas se faz parte do meu ciclo, se não tá fora.
Isso fica claro diante das quadrilhas e o funcionamento destas, mas não sejamos bobos também, isso não é problema exclusivo do tráfico, pois isso faz parte da classe política, médica, educadora, psicológica, empresarial e populacional por fim, pois o Brasil tem funcionado sobre esta perspectiva. Uma triste perspectiva. O diálogo é quase que um emaranhado de monólogos, pois a palavra se dirige apenas aqueles que são iguais. Os diferentes, que se virem ...
Os diferentes tem a escolha de se juntar ou ficar a mercê mesmo. Mas e a base, e a educação?
Ajudam a ter critérios, o que parece faltar em nossa sociedade dos excessos. Sociedade dos excessos que insiste em dizer que está tudo bem. Tudo bem pra quem?
segunda-feira, 18 de setembro de 2017
Todo excesso esconde uma falta
De início quero precaver os leitores que usarei termos técnicos, mas tentarei fazer a leitura o mais compreensível possível.
O excesso sempre foi algo que me chamou atenção como expressão de algo que surge como negativo de outro, seja por falta ou por excesso mesmo. Nisso quero me usar de um exemplo cotidiano tratado por Lacan de forma passageira. O amor cortês. Todo amor cortês responde a uma questão de uma sexualidade podemos dizer, sublimada, que muda sua meta de satisfação. Torna o sexual mais aceito, circulável. Em outras palavras, abrir a porta de um carro, deixar a mulher andar na frente, ser cavalheiro, implica um ganho, Questões puramente comuns em nosso cotidiano. Mas como tema aqui deste escrito é o excesso, tomemos-lhe em conta.
Todo excesso de cortesia, cavalheirismo, tem os seus porquês. Afinal de contas, ninguém costuma fazer algo que não lhe dê prazer, ou em outras palavras também, que não vise um ganho, nem que secundário, pois também não são todos que conseguem uma via que não seja direta de satisfação, então como disse no começo do texto, é preciso usar o negativo como forma de expressão de si para que não esteja se havendo consigo mesmo. Como pode-se ver, não é questão de fácil entendimento, pois se tomamos o ser humano por si, não é nada simples de compreensão e nem raso quando nosso objeto de análise é a verdade.
Nesta questão sobre a verdade de si, vale considerar as questões infantis, de um chamado infantilismo de nós mesmo e de nossa sexualidade, que se ligam inevitavelmente a algo primário, digamos originário de nós mesmo. Isso podemos observar usando o exemplo do cuidado materno e a forma como as mães satisfazem seus nenês, apressadamente, ou com o jogo de frustração, onde diante da falta do objeto de satisfação, se alucina o mesmo. Somente diante deste jogo de presença/ausência é possível que se construa um sujeito, pois caso contrário, vemos um sujeito que fica como joguete dos próprios impulsos que se lhe tornam difíceis controlar. Então lidamos com os excessos. Tanto no sentido prazeroso como desprazeroso. E neste ponto, cabe notar a questão do ganho de realidade com o passar dos anos, onde esta satisfação primária e os modos desta são substituídos aos poucos por outros modos, os chamados jeitos de ser e fazer. Observamos neste ponto, que não tocamos o ponto de ter, pois ele vêm também depois como uma questão diante da falta e o modo como se lida com esta. Para que se tenha objetos de forma prazerosa, antes é preciso ter sujeito que exista por si como si mesmo e não como questão de jogo de intensidades onde a relação com o outro é sempre problemática. E neste ponto, finalizando o texto e retomando aos inícios, o amor cortês surge justo como forma de domar a si mesmo e impedir vias diretas de satisfação, criando as chamadas vias alternativas, colaterais de modo de satisfação, afinal de contas também, como indica o rechaço aos aplicativos de relacionamento que tem o objetivos conhecidos por quem os usa, porém, é interessante observar que não rola nada sem que se troquem palavras. A não ser é claro que o assunto não seja este e estejamos mais uma vez diante de absurdas e irreprimíveis quantidades.
O excesso sempre foi algo que me chamou atenção como expressão de algo que surge como negativo de outro, seja por falta ou por excesso mesmo. Nisso quero me usar de um exemplo cotidiano tratado por Lacan de forma passageira. O amor cortês. Todo amor cortês responde a uma questão de uma sexualidade podemos dizer, sublimada, que muda sua meta de satisfação. Torna o sexual mais aceito, circulável. Em outras palavras, abrir a porta de um carro, deixar a mulher andar na frente, ser cavalheiro, implica um ganho, Questões puramente comuns em nosso cotidiano. Mas como tema aqui deste escrito é o excesso, tomemos-lhe em conta.
Todo excesso de cortesia, cavalheirismo, tem os seus porquês. Afinal de contas, ninguém costuma fazer algo que não lhe dê prazer, ou em outras palavras também, que não vise um ganho, nem que secundário, pois também não são todos que conseguem uma via que não seja direta de satisfação, então como disse no começo do texto, é preciso usar o negativo como forma de expressão de si para que não esteja se havendo consigo mesmo. Como pode-se ver, não é questão de fácil entendimento, pois se tomamos o ser humano por si, não é nada simples de compreensão e nem raso quando nosso objeto de análise é a verdade.
Nesta questão sobre a verdade de si, vale considerar as questões infantis, de um chamado infantilismo de nós mesmo e de nossa sexualidade, que se ligam inevitavelmente a algo primário, digamos originário de nós mesmo. Isso podemos observar usando o exemplo do cuidado materno e a forma como as mães satisfazem seus nenês, apressadamente, ou com o jogo de frustração, onde diante da falta do objeto de satisfação, se alucina o mesmo. Somente diante deste jogo de presença/ausência é possível que se construa um sujeito, pois caso contrário, vemos um sujeito que fica como joguete dos próprios impulsos que se lhe tornam difíceis controlar. Então lidamos com os excessos. Tanto no sentido prazeroso como desprazeroso. E neste ponto, cabe notar a questão do ganho de realidade com o passar dos anos, onde esta satisfação primária e os modos desta são substituídos aos poucos por outros modos, os chamados jeitos de ser e fazer. Observamos neste ponto, que não tocamos o ponto de ter, pois ele vêm também depois como uma questão diante da falta e o modo como se lida com esta. Para que se tenha objetos de forma prazerosa, antes é preciso ter sujeito que exista por si como si mesmo e não como questão de jogo de intensidades onde a relação com o outro é sempre problemática. E neste ponto, finalizando o texto e retomando aos inícios, o amor cortês surge justo como forma de domar a si mesmo e impedir vias diretas de satisfação, criando as chamadas vias alternativas, colaterais de modo de satisfação, afinal de contas também, como indica o rechaço aos aplicativos de relacionamento que tem o objetivos conhecidos por quem os usa, porém, é interessante observar que não rola nada sem que se troquem palavras. A não ser é claro que o assunto não seja este e estejamos mais uma vez diante de absurdas e irreprimíveis quantidades.
domingo, 10 de setembro de 2017
Peculiaridades do cotidiano
Temos nossa vida privada diante das questões pessoais
e o convívio com os outros a partir dos modos e jeito nosso, além é claro das questões respectivas a história de cada um, identificações e jeito
de lidar com a vida. Diante disso também, no cotidiano do dia a dia, não
deixamos de nos surpreender com fatos nem um pouco peculiares que vemos a cada
dia, seja por notícia, na TV ou mesmo na questão do convívio social. Nesta
ideia mesma, gostaria de falar de uma coisa nem um pouco
peculiar que acabei por presenciar. Estando na rua em um local que costuma se
reunir a galera, um senhor que estava pelo local oferece um santinho a um rapaz em troca de um cigarro. Normalmente
simplesmente se pede cigarro, independente de quem for em troca que se
compartilhe do vício, afinal também, todo fumante sabe o que é ficar sem cigarro e como este vem como um aditivo mesmo, forma de relaxar, desestressar
ou de lidar com a angústia mesmo.
No
entanto, nos atenhamos aqui a forma particular de humildemente pedir um cigarro
em troca de uma oração. Isso poderia ser indicativo de diversas coisas, como
uma forma de exorcizar no outro um vício que ele não consegue vencer. Mas calma
aí, esta ideia é contraditória por si mesma, afinal ele pede a alguém que tem,
o cigarro e o vício, logo parece que seu objetivo passa longe de exorcizar tal
hábito. Bom, então pensemos em outra ideia, como a mais próxima da verdade para
não cairmos em demasiada delonga. Sua intenção se concentrava em pedir um
cigarro e ganhar. Se não aceitasse o santinho, você era o mau, pessoa sem fé.
Mas cá entre nós, fé no que? Na necessidade de descarga a qualquer custo?
Antes
de perseguir, é importante considerar aqui a questão da necessidade como algo
que o sujeito não pode ficar sem. Ultrapassa a vontade, o quero ou não quero,
pois outras estranhas forças entram em jogo aqui. Forças que colocam como num
tempo morto, onde se fica paralisado sem a possibilidade de ir além. Com a
necessidade deste gozo. Um gozo até criativo, afinal de contas, um santinho por
um cigarro? Fé, no que?
Questões que nos colocam diante das mesmas questões da
propaganda, você necessita desta produto e pode ter fé, será bom pra você!
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