Se
ouve ou se lê muito por ai que fazer compras é uma ótima terapia, conversar com
as amigas (os), tomar uma cerveja, etc. Bom, vou ter que discordar, isso tá
mais pra alívio de tensão, que inclusive não resolve nada, apenas tira o
sujeito de si e da dura realidade, permite como se pode dizer dar uma volta.
Que nem com a droga, nega a realidade por um momento e tudo parece bem. Mas o
momento acaba, por isso inclusive a repetição, compulsão no mesmo ato quando as
próprias questões começam ou já saíram do controle.
Comprar
é como aliviar, uma forma de se dar o direito podemos dizer de estar, ou se
sentir bem. Pelo menos no momento da compra, quando o objeto passa a ser seu.
Algo como disse anteriormente, parecido com a drogadição, onde se compra uma
ilusão. E é justamente por constar a compra como um alivia, se a considera e a
brinda com o nome de terapia, afinal, há algo mais divertido do que as amigas
se reunirem para as comprar? Os meninos pra tomar a cervejinha?
Em
ambos os casos o problema acontece quando há excesso, raspa a carteira, estoura
o cartão de crédito. No momento a sensação é de alívio, mas depois a mesma não
se mantêm, pois a própria escolha tem suas consequências. Mas pera ai, quem
liga pra isso?
Bom,
podemos dizer que se você realmente considera isso dessa forma e não liga, há
problema quanto aos seu juízos, como aquele de valor e o de existência. Valor
há em ter, o ser fica de lado. Existência é aparência, é preciso parecer para
poder ser, que como podemos observar, tem sido modelo pra muitas performances
por aí dentre o nosso social.
O
mais importante a contar é como o outro me vê, como estou figurando nos olhos
desse grande outro, grande outro que parece muito bem com o grande irmão de
1984 de George Orwell, aquele que tudo vê e tudo enxerga, inclusive os
pensamentos. Ficando assim o sujeito, a sujeitado, sem o si mesmo e cada vez
mais empobrecido.
No
entanto, por sua vez, na terapia ou psicoterapia leva em consideração um
sujeito, sujeito psíquico aonde há o inevitável conflito, sofrimento, sob os
quais é preciso trabalhar, trabalhar num movimento transforma dor. Transforma a
dor e permite ao sujeito poder enxergar e encarar a vida de outro jeito, sem
necessitar de adictos, seja pela droga, compras ou o que for que este tem
escolhido como forma de lidar com o sintoma e muitas vezes defender-se de si
mesmo. Sofrimento como no caso daqueles que elegem as terapias passageiras e
infrutíferas, mas no caso da psicoterapia a busca de ajuda para poder mudar.
Uma ajuda que se faz necessária em um tempo continuado sem possível sê-lo medir
devido as forças internas que exige para poder mudar. Tudo é questão de poder
amar-se, como disse Freud, amar pra não adoecer, mas amar a si mesmo pra não se
perder ...
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