quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Depressão, afetos e humores do viver

Conforme Hornstein (2008) a auto estima provém do narcisismo infantil e das realizações conforme o ideal, onde perpassa-se uma história com sucessos, insucessos relacionados aos vínculos do sujeito e seus projetos, tanto individuais como coletivos, que desde o futuro alimentam o presente.
            “Com tantos afluentes, o sentimento de estima de si é turbulento, instável. As experiências gratificantes ou frustrantes o fazem flutuar nas relações com os outros, a sensação (real ou fantasiada) de ser estimado ou rechaçado pelos demais;” (HORNSTEIN, p. 23, 2008) A auto estima, é sustentada pelo social, sendo que junto a esse o sujeito se apropria de enunciados.
            Nessa trajetória, desde criança o sujeito frente a realidade, faz acordos, sendo que nas relações familiares encontra um tipo de prazer, e na escola, com amigos outros. O sujeito se abre para o futuro, aceitando diferenças como se representa e como vai se tornando em direção ao futuro. “A auto estima resulta do entramado de reconhecimentos narcisistas e dos projetos compartilhados e compartilháveis.” (HORNSTEINS, p. 24, 2008).
            O sujeito não se constitui sem narcisação, sendo investido e constituído pelas seus pais e as expectativas e elementos pessoais desses que desprendem de si no contato e cuidado com a criança. Disso por fim nascem também as formas de humor do viver do sujeito, em como ele se coloca em direção ao futuro e as marcas que ficam desde suas experiências primeiras e sua posterior simbolização. Tudo se perpassa no individuo por sua história e como ele se constituiu historicamente, em suas experiências e vínculos.
            A depressão quando aparece, demonstra como uma perca do tônus vital, onde o sujeito perde o interesse, se vê empobrecido no desejo ao futuro. Tais sentimentos, estão vinculados a história do sujeito e seu modo de investir no mundo e fazer contratos com a realidade, seja em aspectos individuais ou coletivos. No entanto quando o sujeito se vê privado da narcisização do ambiente que o cerca, se vê desinvestido e sem valor, o que relacionado com a depressão, tira o brilho da vida do sujeito, pois a crítica que ele recebe, vem de dentro, como Freud (1914) fala sobre a melancolia, (que mais tarde iria a vir trabalha no superego) o sujeito incorpora o objeto perdido dentro de si. Nisso se institui a função ocupada pelo superego no indivíduo, instância responsável pela crítica, incorporação dos pais, e moralidade, ética do sujeito.

            O depressivo fica como alguém punido por ele mesmo por não conseguir atingir as metas, qualquer falha se torna motivo para um forte rechaço. Claro que esse rchaço também faz parte da história do individuo e seu aparelho psíquico, pois tais fatos, se demonstram de forma individual em cada um.

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