sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Psicopatia, uma característica social


Ultimamente caiu na boca do povo a curiosidade e o temor sobre a própria segurança, exemplo disso são os livros que tem sido lançados em todo mundo. Tais livros se referem de uma forma simples aos psicopatas, indagando sempre a questão, como saber quando há um psicopata ao redor.
            Em nossa comunidade, somos incentivados a como turistas, trocar de lugar e roupas constantemente, seja no trabalho como nas férias. Nessas constantes trocas, perdemos nossa identidade e nossas perspectivas. Não criamos mais perspectivas de futuro, vivemos no eterno hoje, evitando o passado sem interesse no futuro, como suspensos no espaço. Vivemos incentivados pelo mais gozar, gozar a qualquer custo e a qualquer preço, incentivados pelo hedonismo devemos ser felizes, ninguém pode reclamar nem pestanejar sobre si mesmo.
            Diferente disso, no teatro constantemente se troca de roupa, mas se sabe quem é, sua própria identidade e que aquilo tudo não passa de encenação. E é aqui que entra o psicopata, age como se fosse num teatro, tudo é encenado. Demonstra ser alguém com total segurança de si mesmo. Não deixa de impressionar os que estão ao seu redor pela sua inteligência e a forma como faz as coisas.
            Para ganhar as cosias que deseja, usa-se de um atributo muito característico desse tipo de personalidade, a sedução. Ironicamente poderia se dizer, que seduz tão bem, que nem se percebe o seu jogo, mas isso não é uma ironia, muitas vezes é a própria verdade, pois também é mentiroso.
            No começo com suas mentiras e seu “bom caráter” encanta a todos, passa como o certinho e modelo a ser seguido. Quando lhe apontam erros, a maioria se esforça em o defender, pois ele também parece demonstrar e oferecer sempre ajuda a todos.
            Porém, nem todos conseguem se defender e esconder se até o final. O psicopata é cercado pelo seu desejo de grandeza, de ser o maior, ninguém pode ser o maior que ele, quando vê alguém que sente ameaçar essa sua posição, faz de tudo para eliminar este.
            Como demonstração de um psicopata em ação, temos exemplos literários como Yago na peça, Otelo de Shakespeare, Dorian no livro O Retrato de Dorian Gray, Kevin em Precisamos falar sobre o Kevin, Alex e seus drugis  em Laranja Mecânica entre outros...
            Em Laranja Mecânica temos o exemplo de um grupo de amigos adolescentes, que anda pelas ruas de sua cidade, e comete crimes de todos os tipos, como assalto, espancamento, estupro... Até que são pegos pela polícia e Alex, o líder da gangue é preso após ter assassinado uma senhora, entregue pelos próprios amigos.
            Na cadeia, comete mais um assassinato, mas sai logo, pois se oferece a um novo plano de governo, o método Ludovico. Sai da prisão “transformado”, porém ao voltar para casa não é mais aceito e fica a vagar pelas ruas da cidade.
            Enquanto vaga perdido, sem rumo, encontra em grupos todos aqueles a quem ele e seus amigos haviam feito algum mau. Apanha e tem de sair como pode, fugido, pois não consegue mais sentir raiva e vontade de brigar. E contra então a polícia e vê neles sua salvação, porém esses policiais que ele avista, são seus velhos amigos, que também acabam o violentando e o deixando perdido no meio da estrada. Em meio a esse caminho que se encontrava, bate numa casa, onde o cuidador de um senhor (escritor) já idoso  de cadeira de rodas permite que ele entre e lhe oferece janta e tudo o necessário para que ele se sinta bem. No entanto Alex não percebe que esse senhor era o que ele e seus amigos haviam invadido a casa, estuprado e assassinado sua mulher, e quebrado suas pernas.
            Sem perder tempo o escritor liga para todos seus amigos e no dia seguinte prende Alex no quarto onde dormira, e liga o som com todo volume em direção a Alex para que esse escute a nona sinfonia de Ludwig Von Bethoven. Diante da situação, não aguentando Alex pula da janela.
            Acorda no hospital e agora recebe o ministro do interior, responsável pelo método aplicado sobre Alex. Tudo parece tranquilo. Porém são tudo questões de protocolo, são tiradas fotos, os jornais registram a cena e enquanto tudo isso se passa para o lado de fora, Alex se lembra de suas antigas aventuras e seus antigos pensamentos e vontades voltam a sua mente. Nisso se encerra o filme, mas creio que todos sabemos como continuaria...

            Em nossa sociedade as coisas funcionam muito parecidamente com o relato feito acima a partir do filme Laranja Mecânica. Psicopatas nos cercam, nos traem e cuidam de nós, “supostamente”. Infelizmente se encontram em todas as esferas da vida pública, sendo que muitas vezes onde menos pensamos poder os encontrar, agem como camaleões escondidos em meio a multidão.

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