Quando
nascemos, nada temos, nada herdamos fora de nossa genética e algumas
característcas físicas, que ainda serão muito modeladas e
diferenciadas. Como disse o filósofo francês Sartre, quando nascemos
estamos jogados ao nada.
Se
nascêssemos e ficássemos sós, morreríamos logo, pois diferente dos
animais, o instinto que tem em nós é mínimo. Necessitamos de
cuidado para que nos tornemos alguém. Dentro deste cuidado, temos
nossas primeiras relações, a formação de nossa personalidade,
conforme o cuidado que recebemos e como este fica registrado em nós.
Não somos pura cópia genética e personalidade de nossos pais,
somos individuais diferentes, desde nosso nome até nosso pensamento
e modo de programar a vida, mesmo que tenha coisas que pareçam ser
muito parecidas de nossos pais.
Uma
dessas coisas às vezes parecidas, outras não, é o medo diante do
novo, da mudança e do desconhecido. Lidamos com este medo pelo apoio
de nossos heróis (pais), até que os sustentamos como nossos ideais,
no entanto não permanecem assim pra sempre, pois também é próprio
do crescimento a frustração quanto ao superpoder dos pais,
percebemos que não tem, era apenas uma ilusão de nossa onipotência,
a qual, primeiro conferimos o poder a nossos pais e depois a nós
mesmos.
No
entanto, a vida tem suas fases, onipotência para que tudo que se
pensa se realize não existe, mas mesmo assim em alguns casos
continuamos a acreditar que sim, que pensar em tenha sua influência.
E de fato tem, mas não por ter pensado e controlado o destino por
puro pensamento. Para que algumas coisas aconteçam é precisa que
haja pensamento e ação, uma combinação que da origem e
sustentação ao desejo, que permite que ele venha a se realizar. E
dai surgem as diversas formas de ação, planejamento tomado pelas
pessoas.
Aprendemos
por observação e experiência, olhando e escutando
os outros, mas conferimos a própria experiência, por ter feito
também, pois se não viveríamos a vida dos outros, seriamos eternos
expectadores que torcem, anseiam por, mas que nunca passam de
platéia. E de fato em algumas coisas na vida, somos apenas platéia,
pois haja força e vida para participar de tudo...
Diante
disso, surge o dito popular, onde se firma que cada um faça a diferença
onde estiver. Mas agora, encerrando este breve itinerário, é
preciso nos voltar para a diferença que é possível cada um fazer
diante dos outros e de si mesmo, diante dos outros e de si, pois
todos estes fazem primeiro parte de si mesmo e de como se percebe a
si e aos outros. Uma
questão da própria imagem de si mesmo e do diferente, princípio de
alteridade que nos impulsiona a nossas relações com os outros, seja
esta de forma receptiva ou fechada. Tudo são questões a partir de
nossa própria história.
Dentro
desta história, se confere quem somos, nossas potencialidades,
inibições e qualidades. No entanto não é apenas uma simples
questão de qualidades ou falta de qualidades, também há questões além
disso na preservação de si.
O medo de andar pra frente, de mudar
nossa situação, normalmente nos aprisiona. Nos deixa, fixa no
mesmo lugar. Se mudamos, mudamos porque o medo de não estar vivendo,
de ter perdido o sentido é maior que o da mudança. Deste
medo, nascem nossas dificuldades, sejam elas ligadas a relações
amorosas, afetivas, como no trabalho. Dificuldade especialmente em
momentos de crise, como o que vivemos hoje em nosso país. Crise que
faz com que muitos pensem em concurso, formas de estabilidade. No
entanto a crise em nosso estado e país mostra o quanto esta
estabilidade constante não existe. Acreditar nela também é ilusão.
Manter o controle sobre tudo, também é um aspecto infantil que
remonta a não responsabilidade, presente em grande expressão na
vida do adolescente, vida adorada hoje pela sociedade em seus moldes
de produção e venda de imagem.
Perpassamos
por fim, como apontado desde o início do texto por muitas imagens,
desde a que vem de nossos pais como a dos outros na sociedade e
também da cultura, muito influencia hoje pela plutocracia, forma com
que a mídia também governa e dita as verdades sobre as coisas.
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