quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Itinerário a subjetividade

 Quando nascemos, nada temos, nada herdamos fora de nossa genética e algumas característcas físicas, que ainda serão muito modeladas e diferenciadas. Como disse o filósofo francês Sartre, quando nascemos estamos jogados ao nada.
Se nascêssemos e ficássemos sós, morreríamos logo, pois diferente dos animais, o instinto que tem em nós é mínimo. Necessitamos de cuidado para que nos tornemos alguém. Dentro deste cuidado, temos nossas primeiras relações, a formação de nossa personalidade, conforme o cuidado que recebemos e como este fica registrado em nós. Não somos pura cópia genética e personalidade de nossos pais, somos individuais diferentes, desde nosso nome até nosso pensamento e modo de programar a vida, mesmo que tenha coisas que pareçam ser muito parecidas de nossos pais.
Uma dessas coisas às vezes parecidas, outras não, é o medo diante do novo, da mudança e do desconhecido. Lidamos com este medo pelo apoio de nossos heróis (pais), até que os sustentamos como nossos ideais, no entanto não permanecem assim pra sempre, pois também é próprio do crescimento a frustração quanto ao superpoder dos pais, percebemos que não tem, era apenas uma ilusão de nossa onipotência, a qual, primeiro conferimos o poder a nossos pais e depois a nós mesmos.
No entanto, a vida tem suas fases, onipotência para que tudo que se pensa se realize não existe, mas mesmo assim em alguns casos continuamos a acreditar que sim, que pensar em tenha sua influência. E de fato tem, mas não por ter pensado e controlado o destino por puro pensamento. Para que algumas coisas aconteçam é precisa que haja pensamento e ação, uma combinação que da origem e sustentação ao desejo, que permite que ele venha a se realizar. E dai surgem as diversas formas de ação, planejamento tomado pelas pessoas.
Aprendemos por observação e experiência,  olhando e escutando os outros, mas conferimos a própria experiência, por ter feito também, pois se não viveríamos a vida dos outros, seriamos eternos expectadores que torcem, anseiam por, mas que nunca passam de platéia. E de fato em algumas coisas na vida, somos apenas platéia, pois haja força e vida para participar de tudo...
Diante disso, surge o dito popular, onde se firma que cada um faça a diferença onde estiver. Mas agora, encerrando este breve itinerário, é preciso nos voltar para a diferença que é possível cada um fazer diante dos outros e de si mesmo, diante dos outros e de si, pois todos estes fazem primeiro parte de si mesmo e de como se percebe a si e aos outros. Uma questão da própria imagem de si mesmo e do diferente, princípio de alteridade que nos impulsiona a nossas relações com os outros, seja esta de forma receptiva ou fechada. Tudo são questões a partir de nossa própria história.
Dentro desta história, se confere quem somos, nossas potencialidades, inibições e qualidades. No entanto não é apenas uma simples questão de qualidades ou falta de qualidades, também há questões além disso na preservação de si.
O medo de andar pra frente, de mudar nossa situação, normalmente nos aprisiona. Nos deixa, fixa no mesmo lugar. Se mudamos, mudamos porque o medo de não estar vivendo, de ter perdido o sentido é maior que o da mudança. Deste medo, nascem nossas dificuldades, sejam elas ligadas a relações amorosas, afetivas, como no trabalho. Dificuldade especialmente em momentos de crise, como o que vivemos hoje em nosso país. Crise que faz com que muitos pensem em concurso, formas de estabilidade. No entanto a crise em nosso estado e país mostra o quanto esta estabilidade constante não existe. Acreditar nela também é ilusão. Manter o controle sobre tudo, também é um aspecto infantil que remonta a não responsabilidade, presente em grande expressão na vida do adolescente, vida adorada hoje pela sociedade em seus moldes de produção e venda de imagem.
Perpassamos por fim, como apontado desde o início do texto por muitas imagens, desde a que vem de nossos pais como a dos outros na sociedade e também da cultura, muito influencia hoje pela plutocracia, forma com que a mídia também governa e dita as verdades sobre as coisas.

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