Em
uma crítica feita ao povo americano logo após o ocorrido de
setembro de 2001 mulá Omar, fala da passividade das pessoas quanto
ao que diz o governo, sendo que com o mesmo é como se o governo
pensasse por elas e tivesse o incrível poder de sempre estar lhe
garantindo o que é bom e deles afastando todo o mal possível.
Uma
promessa tentadora, afinal de contas, nós que vemos de fora, não
sonhamos em morar nos Estados Unidos, nos tornar americanos e nos
livrar das pocarias e falta de oportunidade que se tornou essa terra
de ninguém chamada Brasil?
Isso
sonhamos nós, mas e os americanos? Bom, estes sonham com um colapso,
que uma catástrofe irá os atingir. Mas como juntar essa questão do
belo e do trágico numa mesma moeda como se está fazendo aqui? É
disso que se trata esse nosso breve passeio, como explicar que no
meio da riqueza sejamos assombrados com experiências catastróficas.
Para explicá-lo podemos usar o exemplo do que temos aqui em nossa
terra mesmo. Uma terra cheia de riquezas naturais, mas que ao mesmo
tempo frente a sua exploração produziu uma forma que parece não
poder ser interrompida. É algo como um modo de funcionamento, modo
esse que caracteriza o jeito brasileiro do sempre pode ser pra
depois, do modo mais fácil, do modo onde não há responsabilidade.
Fator esse que serve bem pra justificar porque dizemos que aqui a
terra é de ninguém.
Como num
exemplo de Freud, onde o sonhador de repente se vê nu diante da
multidão, o pior não é estar nu, mas sim que todos passam por ele
como se aquilo não fosse nada. E desse exemplo, podemos tirar a
expressão do que acontece no Brasil. As coisas se mostram a nu e
cru, mas mesmo assim é como se não houvesse nada, as pessoas
continuam indo e vindo e lutando pelas mesmas coisas.
O que
seria então essa nudez?
Esta
nudez responde como em uma recusa da realidade dos fatos ocorridos,
como se nada estivesse acontecendo de mais, então, por que abandonar
os mesmos segmentos e a busca que podemos dizer, de completude que o
sujeito busca?
Nos
encontramos então, diante da questão que o mulá tinha chamado a
atenção nos EUA, é preferível que tenha quem pense por mim do que
eu mesmo tome este trabalho, afinal de contas, assim é muito mais
tranquilo. Porém, isso se torna um problema de segmento mundial
diante da falta de consciência da própria questão de si mesmo. Os
sonhos que se sonha deixam de ser seus e são como produzidos por
como os outros sonham que você seja ou viva, uma questão de
manipulação, e que, justamente por ser manipulação ninguém faz
questão que você saiba, mas e dai, você se interessa em saber?
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