sábado, 1 de abril de 2017

Toda nudez precisa de sua consciência


Em uma crítica feita ao povo americano logo após o ocorrido de setembro de 2001 mulá Omar, fala da passividade das pessoas quanto ao que diz o governo, sendo que com o mesmo é como se o governo pensasse por elas e tivesse o incrível poder de sempre estar lhe garantindo o que é bom e deles afastando todo o mal possível.
Uma promessa tentadora, afinal de contas, nós que vemos de fora, não sonhamos em morar nos Estados Unidos, nos tornar americanos e nos livrar das pocarias e falta de oportunidade que se tornou essa terra de ninguém chamada Brasil?
Isso sonhamos nós, mas e os americanos? Bom, estes sonham com um colapso, que uma catástrofe irá os atingir. Mas como juntar essa questão do belo e do trágico numa mesma moeda como se está fazendo aqui? É disso que se trata esse nosso breve passeio, como explicar que no meio da riqueza sejamos assombrados com experiências catastróficas. Para explicá-lo podemos usar o exemplo do que temos aqui em nossa terra mesmo. Uma terra cheia de riquezas naturais, mas que ao mesmo tempo frente a sua exploração produziu uma forma que parece não poder ser interrompida. É algo como um modo de funcionamento, modo esse que caracteriza o jeito brasileiro do sempre pode ser pra depois, do modo mais fácil, do modo onde não há responsabilidade. Fator esse que serve bem pra justificar porque dizemos que aqui a terra é de ninguém.
Como num exemplo de Freud, onde o sonhador de repente se vê nu diante da multidão, o pior não é estar nu, mas sim que todos passam por ele como se aquilo não fosse nada. E desse exemplo, podemos tirar a expressão do que acontece no Brasil. As coisas se mostram a nu e cru, mas mesmo assim é como se não houvesse nada, as pessoas continuam indo e vindo e lutando pelas mesmas coisas.
O que seria então essa nudez?
Esta nudez responde como em uma recusa da realidade dos fatos ocorridos, como se nada estivesse acontecendo de mais, então, por que abandonar os mesmos segmentos e a busca que podemos dizer, de completude que o sujeito busca?

Nos encontramos então, diante da questão que o mulá tinha chamado a atenção nos EUA, é preferível que tenha quem pense por mim do que eu mesmo tome este trabalho, afinal de contas, assim é muito mais tranquilo. Porém, isso se torna um problema de segmento mundial diante da falta de consciência da própria questão de si mesmo. Os sonhos que se sonha deixam de ser seus e são como produzidos por como os outros sonham que você seja ou viva, uma questão de manipulação, e que, justamente por ser manipulação ninguém faz questão que você saiba, mas e dai, você se interessa em saber?

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