sábado, 22 de abril de 2017

Um sonho continuado a partir das histórias

Um bom filme, um romance, uma poesia são extremamente capazes de conter, ou mesmo suscitar nossas angústias, desejos, medos, ambições, nossas curiosidades e nossos medos. Funcionam como que uma identificação projetiva, onde projetamos no outro coisas nossas e nos identificamos com ele. Fator comum este podemos dizer hoje na identificação com o herói das séries em meio ao seu drama.
Tal fator também é rico nas obras de literatura infantil e contos de fadas que ajudam as crianças a nomear, passar por fases e dar sentido a muitas coisas de suas histórias. É como uma base para a transformação e crescimento mental que possibilita o sonhar. Nossas vidas podem se enriquecer a partir do contato com esses objetos, objetos estes que nos ajudam e ensinam a lidar com nossas fantasias, mas claro, desde que tenha quem nos conte histórias, nos auxilie quanto aos sentidos delas e nos dê os elementos necessários para poder continuar. E justamente neste ponto, onde há um outro que nos dê o suporte, a possibilidade temos os encontros com diferentes outros em nossas vidas, outros estes que às vezes tanto podem contribuir com a possibilidade do sonhar e dar sentido, como aqueles que nos paralisam por questões que não permitem a continuidade. Continuidade esta da própria história e potencial contido em cada um, onde a partir de sua história, vivências e sentido das mesmas o sujeito se impulsiona para algo. Fenômeno este que fica visível na identificação com as histórias em filmes, romances, séries ou com os personagens da mesma, afinal de contas, há nossos desejos, anseios, mas também medos.
Tal fator se diferencia na curiosidade e possibilidade que o sujeito da a si mesmo de continuar, pois também, que um outro faça todo trabalho por mim é muito mais fácil, pois não exige muito. A não ser a continuidade da própria história. O que chama atenção quanto a arrependimentos futuros que o sujeito possa vir a ter, como o de não ter vivido a própria vida por ter sido apagado por um outrem, ou mesmo pra realizar o desejo deste outro.
Esse fenômeno de certa forma foi comum no século XX onde os pais davam sua vida para que seus filhos dessesm continuidade de si. Mas e esses filhos? Pois bem, essa é a justa questão, pois é o resultado do hoje onde a própria cultura interfere de forma diferente que no século passado. A projeção dos sonhos realizados hoje é maior do que nunca, no entanto nos esbarramos com o próprio fator humano e a dificuldade encontrada por cada um diante de seu potencial e capacidade de sonhar. Algo que passa como que pelo critério do conhecimento de si e a capacidade de prever, sonhar com o prório futuro e as consequências de suas escolhas.

Não basta apenas projetar, se identificar com figuras de histórias já traçadas como em filmes, romances, seriados, pois estes tem seu destino dado por quem escreve a história. E nós, bom nós é sempre uma questão paradoxal, afinal de contas, somos o próprio diretor do sonho, personagem principal ...

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