Um bom filme, um
romance, uma poesia são extremamente capazes de conter, ou mesmo
suscitar nossas angústias, desejos, medos, ambições, nossas
curiosidades e nossos medos. Funcionam como que uma identificação
projetiva, onde projetamos no outro coisas nossas e nos identificamos
com ele. Fator comum este podemos dizer hoje na identificação com o
herói das séries em meio ao seu drama.
Tal fator também é rico nas
obras de literatura infantil e contos de fadas que ajudam as crianças
a nomear, passar por fases e dar sentido a muitas coisas de suas histórias. É como uma
base para a transformação e crescimento mental que possibilita o
sonhar. Nossas vidas podem se enriquecer a partir do contato com
esses objetos, objetos estes que nos ajudam e ensinam a lidar com
nossas fantasias, mas claro, desde que tenha quem nos conte
histórias, nos auxilie quanto aos sentidos delas e nos dê os
elementos necessários para poder continuar. E justamente neste
ponto, onde há um outro que nos dê o suporte, a possibilidade temos
os encontros com diferentes outros em nossas vidas, outros estes que
às vezes tanto podem contribuir com a possibilidade do sonhar e dar sentido, como aqueles que nos paralisam por questões que não
permitem a continuidade. Continuidade esta da própria história e
potencial contido em cada um, onde a partir de sua história,
vivências e sentido das mesmas o sujeito se impulsiona para algo.
Fenômeno este que fica visível na identificação com as histórias em filmes, romances, séries ou com os personagens da mesma, afinal de contas, há nossos desejos,
anseios, mas também medos.
Tal fator se diferencia
na curiosidade e possibilidade que o sujeito da a si mesmo de
continuar, pois também, que um outro faça todo trabalho por mim é
muito mais fácil, pois não exige muito. A não ser a continuidade da
própria história. O que chama atenção quanto a arrependimentos
futuros que o sujeito possa vir a ter, como o de não ter vivido a
própria vida por ter sido apagado por um outrem, ou mesmo pra
realizar o desejo deste outro.
Esse fenômeno de certa
forma foi comum no século XX onde os pais davam sua vida para que
seus filhos dessesm continuidade de si. Mas e esses filhos? Pois bem,
essa é a justa questão, pois é o resultado do hoje onde a própria
cultura interfere de forma diferente que no século passado. A
projeção dos sonhos realizados hoje é maior do que nunca, no
entanto nos esbarramos com o próprio fator humano e a dificuldade
encontrada por cada um diante de seu potencial e capacidade de
sonhar. Algo que passa como que pelo critério do conhecimento de si
e a capacidade de prever, sonhar com o prório futuro e as
consequências de suas escolhas.
Não basta apenas
projetar, se identificar com figuras de histórias já traçadas como
em filmes, romances, seriados, pois estes tem seu destino dado por
quem escreve a história. E nós, bom nós é sempre uma questão
paradoxal, afinal de contas, somos o próprio diretor do sonho,
personagem principal ...
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