sábado, 29 de abril de 2017

Sempre há um culpado pra tudo ...

 Se tornou normal em nossa cultura achar culpados para tudo. Se algo não deu certo, ou não está bem, há um culpado. Se há algo que não deu certo pra mim, há um culpado, sentimento este que deu origem a algo muito de nossa cultura, o ressentimento, sempre há um culpado pra tudo. Sentimento este, que configura bem uma fala da peça de Sartre, entre Quatro paredes, quando no inferno se diz que o inferno são os outros.
No entanto, é importante ponderar, que, o outro também é o céu, representa coisas boas e não só más. O que nos coloca diante da questão de que tipo de relações estabelecemos e como esperamos do outro. Algo muito pessoal de cada um, pois há aqueles que acreditam no amor e compreensão do outro, como aqueles que sempre estão desconfiados do outro. Se ajuda, é de má vontade, “com certeza não é porque gosta de mim. O que quer com isso?”
E de fato, também em diferentes momentos, este outro pode ser céu e inferno. Uma questão situacional. Porém, se esperarmos tudo do outro, nada fazemos para nós mesmos, como se sempre dependessemos do outro e não pudessemos ir ou construir algo por nós mesmos. Repito o termo mesmos, pois é questão de si, que parece ter sido esvaziada. E não é comum inclusive ouvir as pessoas falarem de seus vazios, como numa angústia existencial, onde se é triste por existir?
Muito se escuta de fato, diferentes queixas, mas não um pensamento construído que busca significação diante da vida. Pode me objetar quanto a isso, colocando que isso é algo de uma terapia, e de fato não irei discordar. Mas terapia de toda forma precisa também de uma ajuda do sujeito quanto a si mesmo e não se faz só no tempo da sessão, e pensar sobre si, sem se deprimir ou sentir a chamada angústia do existir é um ato que hoje parece ter que ter coragem, afinal de contas, tudo tem parecido tão vazio e triste ….

Sim, sim, não deixa de ser verdade, mas como se começa no texto falando a respeito do outro, este não é só inferno, ele também é e pode ser céu. A questão é como se lida com este outro dentro de si que sempre se faz presente diante da figura de diferentes outros.

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