quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Juízo de condenação

Você já deve ter ouvido falar sobre as questões de condenação e o fato que isso supostamente passa por um crivo interno do sujeito ou conforme as ferramentas que este tem. A primeira ideia pela próprio título vem em ligação com as questões dos juízes. Bom, e é verdade, é de juiz que falo aqui, mas não o da corte e nem o penal. O juiz interno. Aquele que a partir de certos atributos aplica seu juízo, seja de bom e mau como daquele que se põe pra fora, onde se recusa aquilo que vem. Citando Freud, " Em princípio que é mau é alheio ao Eu e o que se encontra fora é-lhe idêntico. Em outras palavras, encontramos fora um motivo de condenação de algo que é nosso. Que não aceitamos em nós. Aqui cabe inúmeros exemplos, mas me aterei a apenas alguns, como a questão da semelhança, se sei que aquilo que estas fazendo, é algo idêntico a mim ou ao que fui, lhe reprovo em meu julgamento. Isso é mau, não vê que só faz cagada". Um exemplo onde é facilmente percebível que aquilo que condenas no outro não foi bem resolvido em ti. E como dizia Sartre, o inferno são os outros, mas cabe aqui acrescentar, o pior do inferno são os outros de dentro e não os de fora, porém, para reconhecer os de dentro precisamos dos de fora.
Isso vemos sobremaneira aplicado a letras de música, mas não como elaboração de conflitos, mas sim como exploração e demonstração do que é o social, tal qual valo-me aqui de letras do projota, Pra não dizer que não falei do ódio. Nesta letra fala de uma história de alguém que cresceu só e deseja a paz. Algo que não lhe foi possível antes. Porém o outro ao seu jeito e modos, costumes, tenta lhe aplicar um modo como achas que deve ser. E quando falamos de dever ser, tocamos um ponto muito interessante, pois diz respeito a algo sempre em perspectiva pra todos, onde é preciso elaborar, não sugestionar. Mas como cresce o modo que todos tem opinião e devem ter segundo a regra do social, regra é sugestionar. Mas pra que serve?
Nisso, entramos em conseguinte em outra questão do juízo, que também encobre a condenação, o juízo de existência, que se constrói a partir de nosso modo de vida. Bom, pelo menos deveria ser assim, mas o social que deveria ser algo que acompanha nas bordas, se torna o centro. E ai? E ai que o sujeito fica apagado, encarregado mais um na massa. "Mais um boi da boiada".
Contra a estas perspectivas, entra a questão do que é o social e se nosso dever ser segue o que disse ele, o aquilo que está em nós.
Pra encerrar, pra poder dever ser, é preciso primeiro ser. E nisso o centro não é exatamente o que diz o social, pois neste sentido, segue tu os rituais, mas e você?

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Literatura, figuras de linguagem e metáforas cotidianas

Com a ficção, sempre se criaram formas metafóricas, figurativas e linguageiras de falar sobre o drama humano. Estas formas, que se transformam em figura de linguagem, tem adentrado dentro do universo cultural das sociedades. Ainda mais hoje, quando livros viram filmes. Se não desejar, não precisa nem ler o livro, basta ver o filme. Neste sentido, há frases que se tornam universais e outras que entram dentro do vocabulário das conversas do dia a dia. Uma delas, quando a pessoa quer sair do ar, trocar a realidade, é "fui pra Nárnia", "tá em Narnia", que como se tornou comum conceber significa quero estar fora disso daqui, como está fora. E aqui, me atenho e me detenho nestas colocações, pois elas fizeram em grande sentido parte deste ano que se encerra. Ano em que gostaríamos de estar em outra realidade, tanto no sentido da fantasia como no sentido de qualquer outra, pois a brasileira ficou muito ruim. Mas cá entre nós, e a pessoal? Fui pra Nárnia, não seria uma forma de dizer que se foge da própria realidade?
As portas de Nárnia, são como as que dão acesso a outro mundo onde nossos problemas ficam de fora. É como retornar ao mundo infantil e deixar as preocupações da vida adulta de lado. É como voltar ao tempo de calmaria e fantasia para se evitar as turbulências do cotidiano ...
Porém, neste outro mundo, nós não deixamos de ser nós mesmos e tal qual no filme, há os que são heróis e os que são vilões. Bem como aqueles que guardamos dentro de nós mesmos em nosso imaginário e nossa fantasia. Um caminho, que percorremos, estando ou não estando em Nárnia, estando em nós mesmos ...
E é sob esta perspectiva, de nós mesmos que é preciso passar e vencer, crescendo aos poucos e criando as responsabilidades necessárias para viver, pra que a vida adulta não se torne tão penosa e difícil de sustentar.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

A descrença da crítica política e social numa nação que paga as contas dos outros

Quem nasceu no final dos anos 80, começo dos 90, ou anterior a isso, conheceu o tempo da hiper inflação do brasil do começo da década de 90. E de fato, acho que este fantasma retorna hoje nos preços de mercado. Não é como foi, uma troca todo dia de preço. Mas de pouco em pouco é. E o pior, nada pra baixo, a não ser o salário e a renda. Em outras palavras, se pune a população por causa de erros políticos. Pra se safar, que se ferrem os outros. Se efetuam cortes nas funções mais essenciais para o desenvolvimento de um país. Tudo a menos, exceto os benefícios aos políticos.
Toda dia se assiste uma revolta devido a má gestão, ações sem escrúpulo nenhum. Uma absurda desfaçatez. Mas calma ai, isso ainda não é o pior. Estes mesmos que praticam tais atos, tendem a ser eleitos, ou reeleitos no ano de eleição, o que demonstra uma absurda ruptura e falta de contato por parte do brasileiro com a realidade. Invés de progredir, mantemos o mesmo. A discussão é ideológica, não costuma ser construída por meio de argumentos, mas sim por crenças. Em outras palavras, como se a fantasia pudesse se tornar realidade. Mas que realidade? Não está o povo desconexo da mesma:
Sim, conforme os dados e o que vemos é o que se tem a dizer. Falta crítica por parte de si mesmo. Se acredita no que disseram. Filosoficamente falando, pois é a filosofia que trata dos discursos, se constrói a verdade por meio de falácias, falácias de grandeza. E disso se serve a ideologia. E por pior, isso não acontece só na política. A política é reflexo do que é a cultura. E explicando o que é a falácia de grandeza, é sustentar um argumento porque fulano de tal falou ou fez assim. Um modo que perde, deixa de lado os critérios em prol da crença. Uma crença, percepção que se torna cega por si. Um modo onde todos estão contra todos. Imbuídos na massa, sem a possibilidade de ver de fora. É claro, enquanto se manterem no mesmo, mesmo discurso, mesmas práticas e mesma frase e jeito, "aqui é o Brasil", "jeitinho brasileiro". E colocando estas frases como perguntas, o que é aqui no Brasil? Qual é o jeitinho brasileiro?

domingo, 17 de dezembro de 2017

Futebol, expectativa e a demoníaca emoção

A expectativa, o ocorrido, o jogo em si, da final do mundo de 2017 não deixam de ter sua relevância, no entanto, há algo mais relevante que isso tudo. Os comentários. Tanto os que se referem a um valeu a pena, como aqueles que supostamente discutem. Supostamente discutem, pois são diálogos de emoção. Como li por aí, e também já ouvi, puro sentimento. E como eu digo, paixão. Paixão, porque é desproporcional, não há medidas, não há pensamento, há emoção. E como em tudo, onde há só emoção, há atuação. Pronto, o desrespeito tá feito. Se forma um gruo de identificação e entre estes a bagunça, rebeldia está autorizada. Os de fora ... ah os de fora devem ser punidos. Ali se forma uma irmandade de pura emoção. E é importante ressaltá-lo, pois isso não diz respeito só ao Grêmio, também está para todos times de futebol que praticam tal esporte no Brasil. Mas por que aqui falar de Brasil só, e o resto do mundo?
Porque o resto do mundo é mais organizado e o fato de se dizer o país do futebol como se diz o Brasil, é característica impar. Uma proposta jornalistica vale recordar também, usada pra que se tivessem notícias em outros tempos. Dai que veio o espirito. O que nos demonstra mais uma vez, que se não pensarmos, pensam por nós, e somos puro efeito da massa em suas emoções, desproporções. E como se disse por aí, acabar com o mundo é uma proposta real. Pra encerrar, quero citar Wittgenstein, "o limite do meu mundo é o limite da minha linguagem". E bom, como você deve ter percebido, se há só emoção, o caos está feito. Futebol se discute sim!

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Os estranhos outros que nos habitam

Desde pequeno sabia que havia um outro que habitava em mim, estranho a mim este outro. Comportava ele meus medos, minhas seguranças, minhas expectativas, minhas fantasias. Com o passar do tempo, fui vendo que não era apenas um este outro, mas que eram vários que habitavam em mim, e que sem que eu quisesse me determinavam, escolhiam por mim, seja este ou estes, o medo, a culpa, a certeza, a paixão. Eram muitos eles, poderia ficar aqui os descrevendo e sei que não pararia de escrever. Era uma mistura de sentimento e razão. Aos poucos via que era eu, faziam parte do meu eu, aquele que conheço e a parte que desconheço. Com eles então estabeleci um diálogo pra que fosse possível que me entendesse e não me perdesse. Tendo o feito, percebi que sozinho eu me esgotava e caminhos não encontrava. Continuava cometendo os mesmos erros. Até que descobri uma tal de psicologia, que oferecia aquela velha prática, mas não tão velha chamada psicoterapia. Ingressei então em uma. Comparecia, percebia a diferença de mim daquele que me recebia, o usava como projeção de mim mesmo, dos meus sentimentos, dos novos e velhos outros que me habitavam. Dos novos e velhos outros que me impulsionavam e às vezes até, determinavam minhas ações. Assim, pude entrar em contato com aquilo que era estranho de mim. Usava aquele que me recebia e depois o esquecia, mas me fortalecia toda vez que mais uma vez ali comparecia, que ele se lembrava de mim. Isso também foi um fator que determinou pra que eu pudesse mudar minha ação. Que meu pensamento ganhasse novas vias. Que minha posição fosse outra. Assim aprendi a trabalhar em mim, sobre mim. Até que pude aproveitar aquela troca que tínhamos para a vida e pude ser um pouco mais senhor da própria casa. Os outros que em mim habitavam jã não escolhiam e nem nada faziam a revelia. Eu precisava saber o que estava fazendo. Assim tomei consciência da minha responsabilidade sobre quem sou e pra onde vou. E graças a isso, posso hoje me arriscar no vazio do espaço do novo. Posso soltar do abismo e saber que estou seguro, pois sei sobre o trajeto e que depois de um tempo eu tenho que abrir o paraquedas. Deste mesmo modo, pude aprender aquilo que eu tinha em mim mesmo e podia me auxiliar para onde estava e para onde ia. Assim segui. E hoje sei, poder ter seguido assim, foi o melhor que eu pude fazer ...

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

O mundo digital e a segunda vida como forma de esconder a primeira

Desde os anos 2000 vivemos uma nova era, a era digital. Começou ela propriamente antes, mas marco esta data, pois foi um tempo que se tornou mais universal, onde primeiramente os computadores ficaram disponíveis a um maior número de pessoas, se estendendo com o tempo a todos. Os que não podiam ou não podem ter um, com o tempo e o avanço tecnológico da era digital tiveram acesso ao mesmo modelo de outra forma, por tablets ou celulares, onde se aproximava o outro por aplicativos e distanciava ao mesmo tempo os de perto, criando um espaço como disse já em 1990 Lipovetsky da Era do Vazio.
Nessa mesma linha, surgiu primeiramente o orkut, onde tinha as comunidades de identificação pra que os sujeitos se identificassem em grupos como: bandas, estilos, dentre outros, criando aos poucos, pequenos aforismas que criavam identificação. "Nunca acabei uma borracha", "Não fui eu, mas meu eu lírico", "Só os fortes vencem", "Só os fortes são felizes", dentre outras ... Frases essas, que vemos hoje no facebook, que criam certa identificação, e também podemos dizer certa demanda, mas não de quem a compartilha, mas sim do social, como a que rola todo dia, ser ou estar feliz, de forma que aparenta que todos estão sempre felizes, mas daí cabe aqui um espaço, hiato, que parece não acontecer com as formas de produção digital, onde cabe pensar: como que é, quem é todo momento feliz e nunca fica triste?
Bom, eu acho que deve ser um bocado de chato. Mas é interessante aqui considerar também que se demonstrar triste jã não é mais permitido, devemos ser felizes, realizados, estar sempre em um estado de plenitude, mas aqui também, cabe discordar, pois ficar, estar triste, também é um modo de poder se realizar, refletir sobre a vida. Estar sempre feliz é como ter sempre chegado ao ponto desejado, estar sem sofrimento. Mas, também sabemos que isso é mentira. Tristes são só os que conhecemos pessoalmente, os que conhecemos pelas redes sociais, sempre estão incrivelmente bem. Felizes, realizados, seguros de si, como se a eles não faltasse nada.
Pode parecer ridículo, mas é essa a ideia que se tem passado. O que se sabe por conseguinte ser uma mentira.
Pra encerrar, cito-me a mim mesmo em um poema que fiz, que diz respeito as relações pessoais, digitais que se tem presenciado hoje em dia

Poetiza da vida noturna e moderna
Encontro você e lhe reconheço como diferente de mim.
Uso você;
Esqueço de você;
Você no entanto, lembra de mim;
Estou sempre esquecendo de você,
Perco você;
No final acho que você não é tão diferente de mim, e quem eu esqueço não é você, mas é a mim.
O que está acontecendo comigo?

Mas, o outro digital pode esquecer de mim? O que acontece quando alguém lê a mensagem e não responde na hora, não está disponível naquele momento?

sábado, 2 de dezembro de 2017

Um desabafo quanto ao que vem por ai ...

Os Eua produziu o conhecido efeito Trump, o Brasil que adora mimetizar (copiar) faz o mesmo, produz o efeito Bolsonaro. É interessante ver as entrevistas dele, mas não porque eu apoie ele, mas pelas perguntas e colocações dos jornalistas.
Não é Bolsonaro o problema, o problema é o Brasil.
Quero que fique claro, não apoio Bolsonaro e nem a maioria das medidas dele, pois o que ele acha que é assunto de violência e repressão eu acho que é questão de saúde mental, bom, mas dai também não é só ele que viaja nessas temas. A questão sobre o modo como se pensa o Brasil, se é que se pensa, é povoado por ideias fracassadas, que já provaram não ter dado certo em outras experiências do mundo e por um capitalismo selvagem, que explora de forma desumana aqueles que lhe servem. E o pior, servem de bom grado. Como Etiene de lá Botie escreveu a 5 séculos, são sujeitos que se voltam a servidão voluntária. Como Freud escreveu a quase 1 século, são sujeitos que servem e seguem os efeitos da massa.
E como se segue hoje na memória e mal estar sobrante do mesmo, que vem como acréscimo com o passar do tempo, vivemos efeitos devastadores enquanto não se tomam posições que favoreçam o povo. Não é problema do capitalismo isso, mas sim das pessoas que fazem mal uso do mesmo. Se formos ver o problema como sistema aqui, devemos lembrar que antes o problema é como as pessoas participam do mesmo.
Obrigado,
apenas um desabafo devido a gritante estupidez da mídia brasileira que se tornou uma verdadeira porcaria.