sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Os estranhos outros que nos habitam

Desde pequeno sabia que havia um outro que habitava em mim, estranho a mim este outro. Comportava ele meus medos, minhas seguranças, minhas expectativas, minhas fantasias. Com o passar do tempo, fui vendo que não era apenas um este outro, mas que eram vários que habitavam em mim, e que sem que eu quisesse me determinavam, escolhiam por mim, seja este ou estes, o medo, a culpa, a certeza, a paixão. Eram muitos eles, poderia ficar aqui os descrevendo e sei que não pararia de escrever. Era uma mistura de sentimento e razão. Aos poucos via que era eu, faziam parte do meu eu, aquele que conheço e a parte que desconheço. Com eles então estabeleci um diálogo pra que fosse possível que me entendesse e não me perdesse. Tendo o feito, percebi que sozinho eu me esgotava e caminhos não encontrava. Continuava cometendo os mesmos erros. Até que descobri uma tal de psicologia, que oferecia aquela velha prática, mas não tão velha chamada psicoterapia. Ingressei então em uma. Comparecia, percebia a diferença de mim daquele que me recebia, o usava como projeção de mim mesmo, dos meus sentimentos, dos novos e velhos outros que me habitavam. Dos novos e velhos outros que me impulsionavam e às vezes até, determinavam minhas ações. Assim, pude entrar em contato com aquilo que era estranho de mim. Usava aquele que me recebia e depois o esquecia, mas me fortalecia toda vez que mais uma vez ali comparecia, que ele se lembrava de mim. Isso também foi um fator que determinou pra que eu pudesse mudar minha ação. Que meu pensamento ganhasse novas vias. Que minha posição fosse outra. Assim aprendi a trabalhar em mim, sobre mim. Até que pude aproveitar aquela troca que tínhamos para a vida e pude ser um pouco mais senhor da própria casa. Os outros que em mim habitavam jã não escolhiam e nem nada faziam a revelia. Eu precisava saber o que estava fazendo. Assim tomei consciência da minha responsabilidade sobre quem sou e pra onde vou. E graças a isso, posso hoje me arriscar no vazio do espaço do novo. Posso soltar do abismo e saber que estou seguro, pois sei sobre o trajeto e que depois de um tempo eu tenho que abrir o paraquedas. Deste mesmo modo, pude aprender aquilo que eu tinha em mim mesmo e podia me auxiliar para onde estava e para onde ia. Assim segui. E hoje sei, poder ter seguido assim, foi o melhor que eu pude fazer ...

Nenhum comentário:

Postar um comentário