Com a ficção, sempre se criaram formas metafóricas, figurativas e linguageiras de falar sobre o drama humano. Estas formas, que se transformam em figura de linguagem, tem adentrado dentro do universo cultural das sociedades. Ainda mais hoje, quando livros viram filmes. Se não desejar, não precisa nem ler o livro, basta ver o filme. Neste sentido, há frases que se tornam universais e outras que entram dentro do vocabulário das conversas do dia a dia. Uma delas, quando a pessoa quer sair do ar, trocar a realidade, é "fui pra Nárnia", "tá em Narnia", que como se tornou comum conceber significa quero estar fora disso daqui, como está fora. E aqui, me atenho e me detenho nestas colocações, pois elas fizeram em grande sentido parte deste ano que se encerra. Ano em que gostaríamos de estar em outra realidade, tanto no sentido da fantasia como no sentido de qualquer outra, pois a brasileira ficou muito ruim. Mas cá entre nós, e a pessoal? Fui pra Nárnia, não seria uma forma de dizer que se foge da própria realidade?
As portas de Nárnia, são como as que dão acesso a outro mundo onde nossos problemas ficam de fora. É como retornar ao mundo infantil e deixar as preocupações da vida adulta de lado. É como voltar ao tempo de calmaria e fantasia para se evitar as turbulências do cotidiano ...
Porém, neste outro mundo, nós não deixamos de ser nós mesmos e tal qual no filme, há os que são heróis e os que são vilões. Bem como aqueles que guardamos dentro de nós mesmos em nosso imaginário e nossa fantasia. Um caminho, que percorremos, estando ou não estando em Nárnia, estando em nós mesmos ...
E é sob esta perspectiva, de nós mesmos que é preciso passar e vencer, crescendo aos poucos e criando as responsabilidades necessárias para viver, pra que a vida adulta não se torne tão penosa e difícil de sustentar.
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