segunda-feira, 28 de maio de 2018

O que é a psicanálise? Quem somos nós?

Com o advento da psicanálise houve uma torção na compreensão que o homem tinha de si. Descobríamos que não éramos senhores da própria casa, que em nós há um estranho outro que escolhe, julga, deseja por nós. Porém que não é alheio a nós. Somos nós mesmos, mas em uma parte estranha a nós. Junto a isso criou-se uma diferente compreensão do humano a parir de sua história e sua inserção na cultura. Sempre de acordo com o tempo em que vive. Nisso, junto com a psiquiatria havia uma denominação das doenças, mais particularmente entre a psicanálise por Neurose, Psicose e Perversão, dando sua formação a partir destas três diferentes nomeações, no entanto, descobriu-se também que todos passam por algo que pertence a psicose, perversão e a neurose, tanto na melhor como a pior parte de si. Um texto que li hoje de Martha Medeiros, se não me engano falava disso inclusive, da parte perversa, do pior de nós mesmos que todos carregamos. Mas temos que cuidar aqui pra não se criar uma confusão sobre aonde vamos chegar, afinal de contas também, nenhum sujeito é único em si, traz um pouco de cada uma das partes loucas, más, compulsivas e defensivas de acordo com sua história. E nisso cabe destacar o verdadeiro espaço da doença mental que indubitavelmente habita a todos. Chama-se ele: Inconsciente. E é claro, como comprova a clínica e a sociedade em que vivemos hoje, ultrapassa em larga escala questões da perversão, psicose e neurose. Temos a depressão, a bipolaridade, os transtornos de humor, ansiedade, de personalidade. Por fim, são muitas as nomeações, mas um é o lugar onde se encontra o problema. Inconsciente. Algo que se atualiza diariamente, um espaço que traz e faz presente o passado e o futuro em um só tempo, em nossas escolhas, o modo como percebemos o mundo e o jeito mesmo que vivemos, por mais que seja este desconhecido de nós ou mesmo em partes conhecido. Importante é saber que por fim, acesso a ele por completo não temos, apenas fragmentos dele percebemos. Agora, isso não acontece a deriva e nem de qualquer forma. Se desejas saber sobre si, a dica é simples, procure uma análise. Mas mais uma coisa antes de encerrar: Não precisa estar nas últimas pra isso e nem em um modus operandis no automático onde só vai ... Você pode cuidar de si sem precisar estar na beira do precipício ou dele ter caído.

terça-feira, 22 de maio de 2018

O por vir de nós mesmos

Desde que nascemos nos encontramos em um por vir. Ser que nos tornaremos a partir dos encontros que temos desde a mais tenra infância, o modo como interiorizamos em nós esses encontros e a imagem dessas pessoas. Mais particularmente a mãe. Essa forma a qual interiorazamos diz muito sobre nossos encontros futuros com outros e a segurança que temos sobre nós mesmos. No entanto, não podemos isolar aqui unicamente a figura da mãe, pois esta vem ancorada pela família de origem sua e pelo pai, aquele que lhe dá o suporte quando necessário. Há os casos também onde a criação é acompanhada pelo convívio com os avós, figuras que exercem tanto um potencial criador por permitir e incentivar a criatividade da criança, como que inibem o mesmo. Isso vem carregado de afetos em relação aos pais e a própria vida que levaram os avós, pois como disse anteriormente, na mãe também se deve levar em consideração o ambiente da qual ela teve. Na mãe se passam muitos, desde o ambiente de criação, seus pais, a cultura na qual foi criada como os encontros que esta também teve. Mas, não podemos deixar de lado também as questões do desejo de ser mãe e do filho ou filha que gerou. Sendo que neste seu desejo vem marcado o porvir da criança, tanto daquilo que possibilita como do que não permite ser por falta de investimento.
Importante tocar neste tema, pois nos dias atuais temos visto muitos casos de depressão pós parto, tanto pela decepção com o corpo perdido devido aos ideais da cultura como por questões pessoais levados pela incerteza quanto ao desejo próprio de ser mãe, pois este muito se confunde com um desejo que os outros a impõe. O pai como disse anteriormente exerce fundamental importância neste papel, pois ele é figura influenciadora e sustentadora da mãe em seu cuidado, atenção e dedicação. Não nos encontramos mais em tempos bíblicos onde o reinado da casa estava única e exclusivamente sob os olhares da mãe, mesmo que isso ainda exista em nossa cultura. E mesmo neste tempo, o pai exercia grande influência naquilo que o filho ou filha iria vir a ser como daquilo que nunca poderia ser, pois aquilo não constava em seu desejo.
Nos encontramos em um tempo onde o olhar para si tornou-se tanto necessário como extravagante. Vivemos mais de aparências do que de verdades. Porém, não podemos nos perder da verdade sobre si e a que carregamos a cada encontro que temos com quem convivemos e viremos a conviver. É importante que possamos nós mesmos tomar-se a si diante das mudanças da vida, mas não como um caso que se apavora coma  metamorfose como em a Metamorfose de Kafka, mas sim que a própria metamorfose se torne estado de ser.

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Um sentido para além daquilo que se pensa sobre si mesmo

Poderíamos derivar nossa história a partir de nossas vivências e experiências que tivemos durante a vida. No entanto, enquanto não ponderamos sobre nós mesmos, pensarmos a própria história, tendemos a repetir padrões. Mas vamos com calma, não é algo que possa ser pensado de qualquer maneira e que se resolva como um segredo tal qual foi nomeado em um livro e como se vende em auto ajuda. Precisamos de ajuda profissional, de alguém que possa efetivamente nos ajudas. Aparentemente concebemos que se vai em procura desses profissionais para conversar, em busca de respostas, como se consultássemos um guru. Porém, essas tentativas são logo frustradas. Não obtemos as respostas que esperamos, mas sim mais perguntas. Perguntas inclusive que não faríamos se não tivéssemos procurado estes profissionais. Como você já deve ter percebido, estou falando de psicoterapia. Processo no qual colocamos nossa própria história em perspectiva, ou melhor dizendo, modelo que nos constrói uma história por nós mesmos. A própria história. Fenômeno este que causa as perguntas como dito anteriormente. Se inicia um novo processo em nossas vidas. Um modo de ampliar a capacidade de pensar e das respostas que encontramos. No entanto, ao mesmo tempo em que modificamos nossa forma de pensar, entramos dentro do próprio conflito, os abandonos que recebemos como os afogamentos por excesso de presença daqueles que nos cuidaram. Difícil ponderar e criar um resultado padrão a todos. O que é possível comentar se da a respeito da história da clínica e o relato daqueles que dela participaram. Como comentava Freud, o processo é como descer aos infernos, mas de lá voltar diferente. Não no sentido de perturbado, mas sim de quem aprendeu a andar pelos cantos obscuros da própria vida.

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Paixão como atormentadora de nossos estados mentais

A paixão é algo que não deixa de nos atormentar vida a fora desde que entramos na vida amorosa. Logo, desde cedo acumulamos experiências amorosas, com um ou mais parceiros conforme nossas escolhas a ficar ou namorar. Se suportamos nos apaixonar ou a paixão exerce uma função fugaz por nos apaixonarmos e isso nada mudar se não um momento. De toda forma, a paixão em si é fugaz, pois ela tem prazo de duração, entre 12 a 18 meses conforme estudos. Muda-se conforme o jeito de cada apaixonado. Se a paixão é algo que vem exerce sua função e vai embora, ou se ela é uma predisposição para o amor. Mas devemos tomar cuidado quanto a relação com o amor, pois este também se confunde muito com paixão, e amor se exerce todo o dia, no entanto, não como nos estados de paixão onde moram as incertezas. Como se pode ver, há uma questão temporal, se vai além daqueles momentos que se gostaria de eternizar. Amar é suportar as situações e estados bons e ruins, o que transcende a si mesmo. É abrir espaço junto a si de um outro. Um diferente de si com o qual se planejam de mútua forma um amanhã. Um futuro. Um porvir que como uma xícara pode cair e se quebrar, mas que mesmo diante da quebra podemos consertar e a xícara que se quebrou pode voltar a ser inteira de novo. Tudo depende do quanto deixamos um outro se aproximar e junto de nós exercer mudanças. Isso tanto no sentido ruim como bom. Tudo depende de cada história.

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Não há nada tão estranho como nós mesmos

Não há nada tão estranho como nós mesmos. Primeiro achamos que sabemos tudo sobre nós mesmos, mas ai quando crescemos, vemos que não é bem assim. Como disse Françoise Dolto, é como se em nossa vida passássemos pelo complexo da Lagosta, onde conforme vamos crescendo a carapaça que tínhamos já não serve mais, então passamos um tempo desprotegidos sem casca, procurando outros modelos, tecendo a própria, tal como a passagem da infância a adolescência para depois chegar a vida adulta e estarmos nós estabelecidos do nosso jeito.
É próprio dentro de nosso desenvolvimento, que passemos por diferentes fases, de uma organização do mundo para uma calmaria e depois para uma busca por si, sempre motivados de acordo a como organizaram e nós mesmo recebemos o mundo primeiramente. Nisso buscamos nossa identidade, abandamos a idealização dos pais da primeira infância e procuramos ideais com os quais queremos ser parecidos. Até inventamos outros pais como substitutos dos nossos. No entanto, isso passa e voltamos a reconhecer o valor de nossos pais, mas não como antes. Agora temos nossos próprios critérios. No entanto, diferente da infância, não temos alguém que seja responsável por nós e possa nos explicar tudo, então criamos nosso próprio modo de perceber e entender. As próprias defesas quanto ao mundo. Mas e a nós mesmos? Pois é, quanto a este também. Mas se não tomamos contato conosco, sempre seremos estranhos a nós mesmos. Todo mal estar serve como fenômeno do acaso e se você não tá bem, não se sabe porque, então é preferível dizer que é fase. Bom, poderíamos mudar fase por funcionamento. Sim, substituímos fase pela que estou passando, por jeito que neste momento estou funcionando. Mas como isso?
Pois é, para poder responder esta e outras perguntas que surgem junto, é preciso que você possa entrar em contato consigo mesmo.
É como a perspectiva que preferes ter em relação a você mesmo.
E como fazer isso?
Pois então, este movimento e trabalho é um dentre os benefícios de uma psicoterapia. Convido você a fazer uma.

Ciúme como possessão do outro

Li por ai, uma frase que não deixou de me chamar atenção. Ela dizia o seguinte: se você sente ciúme toda vez que seu namorado (a) vai sai, por que você namora? Uma frase que aparentemente não deixa de ter seu sentido na pergunta que ela implica, mas ela vai muito além disso. E justamente por ela ter seu valor, tiramos ela de jogada ao ar para implicada como nosso interesse. Em primeiro lugar, é normal sentir ciúme? Desde que você goste sim, mas há a questão de como e quanto é esse ciúme, pois pode ele tanto ser um desejo de preservação do objeto amado como um medo tremendo de perder. Neste sentido acho que  nos encontramos com o enunciado do começo do texto. Um ciúme invasivo, onde o medo de perde acaba se tornando impeditivo. No entanto, é importante observar que este medo também está relacionado com as ações do ciumento. Pois ter sempre um argumento para explicar ou dizer como o outro vai trair, também é uma projeção de dentro pra fora do desejo próprio de trair e como tu tem vontade do mesmo. Pode até parecer estranho a primeira mão, mas acusar em demasiado o outro de uma coisa que muitas vezes ele nem sabe do que se trata é uma forma de falar de si. É quase como manter as rédeas e dizer, eu posso trair, tu não, mas também tu não vai saber.

Aqueles que não podem gozar do próprio sucesso

Como anuncia o próprio título, isso é um tema polêmico, pois trata de uma questão de auto trapaça. Como quando você adquire um novo bem ou status e mesmo tendo tudo para ficar feliz, contente pela conquista, esmorece, fica triste, na linguagem popular, chocho. Uma situação, estado que normalmente não sabemos ao que atribuir, então preferimos dizer que está tudo bem, que nada acontece. No entanto, também sabemos sobre a questão da falta de energia que sentimos, então o desejo que temos varia entre querer ficar sozinho, como pela necessidade de estar com alguém devido ao próprio mal estar. Tudo depende da história de cada um. Mas agora tematizando nosso assunto, vamos nos voltar a um artigo de Freud onde ele fala exatamente deste tema, Os Arruinados pelo êxito. Cita Freud neste texto, um exemplo clínico e exemplos da literatura, como forma de ilustrar o desejo e luta por algo que queremos muito, mas que ao atingir, não merecemos.
Um exemplo da vida cotidiana pode-se aplicar ao sucesso profissional, algo que todos desejam, que você batalhou muito para ter, mas que que quando alcança, perde todo os eu valor. Como se não fosse digno.
"O trabalho analítico não encontra dificuldade alguma em demonstrar que são as forças da consciência que proíbem ao indivíduo obter a tão almejada vantagem da feliz mudança da realidade." (Freud, 2006, p. 332)
Sempre por fim, tematizarão algo nosso que nos aprisiona e nos impede de poder sermos nós mesmos. Nas palavras de Freud, lutamos contra um desejo que pode se tornar realidade. Presos nos mantemos a imagem ou opinião de um outro do qual dependemos tanto para aprovação como pra dependência.
Bom, de toda forma, tudo que eu possa descrever sempre vai abordar algo teórico, mas apoiado nos achados clínicos. Agora, se você se identifica de certa forma com isso, talvez seja importante se conhecer um pouquinho mais, que tal procurar um psicólogo?
Ir ao psicólogo, ou fazer psicoterapia, não significa ser louco nem estar doente, mas sim buscar um ganho na qualidade de vida e conhecimento de si.