Desde que nascemos nos encontramos em um por vir. Ser que nos tornaremos a partir dos encontros que temos desde a mais tenra infância, o modo como interiorizamos em nós esses encontros e a imagem dessas pessoas. Mais particularmente a mãe. Essa forma a qual interiorazamos diz muito sobre nossos encontros futuros com outros e a segurança que temos sobre nós mesmos. No entanto, não podemos isolar aqui unicamente a figura da mãe, pois esta vem ancorada pela família de origem sua e pelo pai, aquele que lhe dá o suporte quando necessário. Há os casos também onde a criação é acompanhada pelo convívio com os avós, figuras que exercem tanto um potencial criador por permitir e incentivar a criatividade da criança, como que inibem o mesmo. Isso vem carregado de afetos em relação aos pais e a própria vida que levaram os avós, pois como disse anteriormente, na mãe também se deve levar em consideração o ambiente da qual ela teve. Na mãe se passam muitos, desde o ambiente de criação, seus pais, a cultura na qual foi criada como os encontros que esta também teve. Mas, não podemos deixar de lado também as questões do desejo de ser mãe e do filho ou filha que gerou. Sendo que neste seu desejo vem marcado o porvir da criança, tanto daquilo que possibilita como do que não permite ser por falta de investimento.
Importante tocar neste tema, pois nos dias atuais temos visto muitos casos de depressão pós parto, tanto pela decepção com o corpo perdido devido aos ideais da cultura como por questões pessoais levados pela incerteza quanto ao desejo próprio de ser mãe, pois este muito se confunde com um desejo que os outros a impõe. O pai como disse anteriormente exerce fundamental importância neste papel, pois ele é figura influenciadora e sustentadora da mãe em seu cuidado, atenção e dedicação. Não nos encontramos mais em tempos bíblicos onde o reinado da casa estava única e exclusivamente sob os olhares da mãe, mesmo que isso ainda exista em nossa cultura. E mesmo neste tempo, o pai exercia grande influência naquilo que o filho ou filha iria vir a ser como daquilo que nunca poderia ser, pois aquilo não constava em seu desejo.
Nos encontramos em um tempo onde o olhar para si tornou-se tanto necessário como extravagante. Vivemos mais de aparências do que de verdades. Porém, não podemos nos perder da verdade sobre si e a que carregamos a cada encontro que temos com quem convivemos e viremos a conviver. É importante que possamos nós mesmos tomar-se a si diante das mudanças da vida, mas não como um caso que se apavora coma metamorfose como em a Metamorfose de Kafka, mas sim que a própria metamorfose se torne estado de ser.
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