Todo ano traz suas retrospectivas, daquilo que foi bom e do que foi ruim. Querendo ou não, vivenciamos isso porque é o que nos enfiam na mídia. Uma vez era na Tv, rádios, hoje temos mais o facebook, que junto com as memórias do ano traz os memes. E justamente os memes trazem outra forma de comunicação e linguagem, a linguagem mimética, linguagem da imitação. Imitação justamente porque não se tem reflexão sobre, basta estar na onda do que vem por ai.
Mas entrando na linha do que tem surgido nos memes, isso se tornou tanto algo sério que reflete o temor das pessoas como uma piada, afinal 2016 foi um ano de diversas tragédias, mas mesmo assim, aqui fica uma questão de ponto de vista, alguns veem alguns eventos como traumáticos, outros não, questão de perspectiva.
O meme que tá rolando por ai por fim, é aquele do lugar onde não se é possível sair. A caverna do dragão, desenho que muitos adultos de hoje assistiram quando eram crianças, situação a qual lhes deixava na angústia da perspectiva que eles sairiam dali, mas ....
Nunca saiam.
A explicação depois de um tempo foi dada, acredito que a maioria das pessoas sabe qual é, então não me deterei no assunto.
A questão que fica, é a de que parece que não conseguimos sair de 2016, ano de tamanhas atrocidades a nível de país e de mundo. Tempo em que acidentes, calamidades não cessaram de acontecer. Acontecimentos que chocaram um país todo e comoveram o mundo.
No entanto, é uma questão de tempo, agora fim de ano, pressa, ansiedade em completar mais um ciclo e começar outro, de tal forma que provoca até que as pessoas percam o controle. Pra não o perder, cada um se prepara ao ano novo de alguma forma, alguns acreditam na questão da astrologia, numerologia, onde se garante que 2017 será um ano de conquistas. Mas aqui fica uma questão contraditória, como iniciar um ano de conquistas se não se pode sair de um ano de tragédias?
Uma questão da perspectiva de cada um e a responsabilidade sobre si mesmo, afinal de contas, o tempo é de cada um, uma questão muitas vezes mais de dentro que de fora.
segunda-feira, 26 de dezembro de 2016
sábado, 24 de dezembro de 2016
Natal, um tempo diferente
Esta época do ano, nos provoca em nossa individualidade a busca da construção de um clima, uma festa e uma passagem, o que pode às vezes, nos apontar um problema, como fazer?
Para problemas, cada um acha sua solução e forma de enfrentar, mas tem uma que normalmente não se observa. A propaganda. Pode parecer estranho, mas ela dá informações preciosas. Quer saber do que os homens gostam? Consulte comerciais de cerveja. Produtos de limpeza como sabões, amaciantes, provocam a dona de casa que ainda se acredita existir em cada mulher. Boa parte das propagandas por fim informa um pouco do que gostam e são os homens e as mulheres. Há também as que falam da família ideal, as propagandas de margarina, onde toda a família unida, toma café da manhã junto. Fator estranho a nossa contemporaneidade.
E justamente neste fator de família unida, que nos provoca a propaganda, se insere o Natal e o Ano Novo. Tempo de reunir a família, trocar presentes e cear unidos, seja no Peru (Chester), Churrasco ou o modo que se escolhe nas famílias. O importante é estar unidos. No entanto, como em toda propaganda, não fala que, não são todos que gostam de Natal e Ano Novo.
Quer dizer, que essas festas apresentam antes um ideal construído como na propaganda, do que a realidade? Sim, porém, tais datas mantêm seu valor, pois em meio a correria do ano, a oportunidade de unir a família não se dá todo dia. É preciso um tempo para poder reunir. Não importa se a festa é chique ou não, mas sim a espontaneidade nos ali presentes. Seja entre familiares ou amigos, o que importa é poder estar junto com o outro sem encenação, por espontaneidade.
Como na propaganda, no entanto, não dá para se sustentar o Natal, pois não há famílias perfeitas. O filho constrói sua identidade, com o lado bom e também com as falhas dos pais. No casamento, os parceiros se mantem em busca incessante de tornar o amante parecido com a sua fantasia do amado (a) com quem se casaram. Para melhor situar, convívio entre diferentes gerações é difícil sustentar, a final, os filhos precisam também superar, se diferenciar dos pais para que possam crescer, existir. Valhamo-nos aqui de uma linguagem simbólica, pois também para que possamos existir é preciso respeitar e reconhecer na diferença. Assim como a diferença da vida real e da propaganda do Natal e Ano Novo, onde somente há felicidade e união, como se nada mais existisse aí.
Perdoamos a todos no Natal, mas nos esquecemos de perdoar nós mesmos, a vida, por ser tão diferente e não ser como no comercial, tudo perfeito. Perdemos a oportunidade para o término de um ano e começo de outro Feliz.
De toda forma, sabemos que há diferença entre a vida real, a propaganda e o ideal de ser humano e família. Assim, ao modo de cada um, vos desejo um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo.
Para problemas, cada um acha sua solução e forma de enfrentar, mas tem uma que normalmente não se observa. A propaganda. Pode parecer estranho, mas ela dá informações preciosas. Quer saber do que os homens gostam? Consulte comerciais de cerveja. Produtos de limpeza como sabões, amaciantes, provocam a dona de casa que ainda se acredita existir em cada mulher. Boa parte das propagandas por fim informa um pouco do que gostam e são os homens e as mulheres. Há também as que falam da família ideal, as propagandas de margarina, onde toda a família unida, toma café da manhã junto. Fator estranho a nossa contemporaneidade.
E justamente neste fator de família unida, que nos provoca a propaganda, se insere o Natal e o Ano Novo. Tempo de reunir a família, trocar presentes e cear unidos, seja no Peru (Chester), Churrasco ou o modo que se escolhe nas famílias. O importante é estar unidos. No entanto, como em toda propaganda, não fala que, não são todos que gostam de Natal e Ano Novo.
Quer dizer, que essas festas apresentam antes um ideal construído como na propaganda, do que a realidade? Sim, porém, tais datas mantêm seu valor, pois em meio a correria do ano, a oportunidade de unir a família não se dá todo dia. É preciso um tempo para poder reunir. Não importa se a festa é chique ou não, mas sim a espontaneidade nos ali presentes. Seja entre familiares ou amigos, o que importa é poder estar junto com o outro sem encenação, por espontaneidade.
Como na propaganda, no entanto, não dá para se sustentar o Natal, pois não há famílias perfeitas. O filho constrói sua identidade, com o lado bom e também com as falhas dos pais. No casamento, os parceiros se mantem em busca incessante de tornar o amante parecido com a sua fantasia do amado (a) com quem se casaram. Para melhor situar, convívio entre diferentes gerações é difícil sustentar, a final, os filhos precisam também superar, se diferenciar dos pais para que possam crescer, existir. Valhamo-nos aqui de uma linguagem simbólica, pois também para que possamos existir é preciso respeitar e reconhecer na diferença. Assim como a diferença da vida real e da propaganda do Natal e Ano Novo, onde somente há felicidade e união, como se nada mais existisse aí.
Perdoamos a todos no Natal, mas nos esquecemos de perdoar nós mesmos, a vida, por ser tão diferente e não ser como no comercial, tudo perfeito. Perdemos a oportunidade para o término de um ano e começo de outro Feliz.
De toda forma, sabemos que há diferença entre a vida real, a propaganda e o ideal de ser humano e família. Assim, ao modo de cada um, vos desejo um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo.
terça-feira, 6 de dezembro de 2016
Conversando sobre o luto
Uma breve conversa sobre o luto e o fato que vivenciamos e sentimos nos últimos tempos.
O luto de fato vem como um fator surpresa, pois nos pega num de repente em nossa finitude. Nos liga a dor, pois é como se uma parte de nós morresse junto com aqueles que se foram. Muito foi dito, que a partir de então se seria diferente, se aproveitaria o que efetivamente tem valor e se deixaria o supérfluo de lado. Legal. Como assim legal? Pera aí que eu vou explicar. é efetivamente legal que se possa ter essa visão, mas de fato o luto passa e seguimos em nossas vidas cotidianas, com o nosso jeito, e é justamente nesse nosso jeito que se agregam elementos a partir do fato ocorrido, o factual.
Agregamos em nós diferentes elementos por aprendizagem com o ocorrido, mas o que aprendemos com o fato do time de Chapecó?
As primeiras impressões de fato se relacionam ao respeito de um time, um elenco que por sua história se torna imortal, um termo que caiu e cai bem a esse time e o modo como chegou onde chegou, mas e nós e a nossa própria história, o modo como somos junto com esse time?
De fato, eles foram, não voltam mais, mas e mais uma vez, e nós?
Nós, ao modo de cada um, aprendemos a lidar de forma diferente com os acontecimentos da vida a partir do modo individual de cada um. Hipotetizar como é de um modo geral perde o foco da parte individual de cada um, pois se passa pelo justo modo como cada um viu, chorou, vivenciou e interpretou a situação. Faço questão de dizer aqui chorou, pois era difícil não chorar com o ocorrido, e isto justamente se liga ao fato da vivência individual junto ao ocorrido, que suscita elementos pessoais. Se você não chorou, tudo bem, talvez o fato não tenha lhe impactado nem lhe feito muita importância, mas é preciso poder observar o modo como se vive em comunidade, pois ninguém existe sozinho, a não ser que não queira o contato com os outros por diversas circunstâncias, mas ai o problema já é outro e se liga justamente a vivência do luto pessoal durante o desenvolvimento, aonde foi preciso modos de prazer e funcionamento abandonar, mas se aí também não foi possível vivenciar? Bom, ai também é outra questão, pois se fosse dividir este texto, teríamos uma série de elementos e assuntos para serem pautados, mas aí é questão de outra oportunidade. Por hora basta relacionar que o luto propicia além de uma perda, uma vivência, vivência na dor que nos permite poder tocar e formular diferentes elementos e situações.
segunda-feira, 28 de novembro de 2016
A relação com a perda
A perda
de fato faz parte de nossas vidas desde tenra idade, onde aos poucos
abandonamos modos de satisfação e estágios em troca de novos, no
entanto, sempre fica algo relacionado ao que abandonamos ou perdemos,
uma questão de como conseguimos lidar com a perda desde cedo
relacionado a coisas que nos traziam prazer, como o seio, chupar o
dedo, mamadeira, dentre outros.
Quando
crescemos as coisas se complexizam, o jeito de lidarmos com a perca
não está mais relacionada aos mesmo objetos, mas mantêm a relação
do jeito com que perdemos ou abandonamos algo, relacionado isto tanto
a relacionamentos, vida profissional e também como vemos a cada
pleito eleitoral, as eleições.
A perda
está sempre relacionada com questões de intensidades, como quanto
mais era amado, querido ou investido o objeto que se perdeu maior a
perda. Que o digam aqueles que já sofreram a perda de um filho ou
dos pais. Cito esta perda, pois se relaciona a nossa mais profundo
elo, presente desde o começo como cuidador ou objeto de cuidado,
como no caso dos filhos onde os pais depositam neles seu amor,
expectativas, anseios.
No
entanto, a perda não se limita apenas a isso, ela se relaciona a
cada abandono ou desinvestimento, desidealização que fizemos, desde
o término de um relacionamento, abandono de uma prática ou vício,
como a perda de idealização por uma figura pública, literária …
Uma perca ou abandono de algo que provocava prazer e em algum sentido
se torna desprazeroso, seja no tocante a saúde, função social como
no caso de relacionamentos onde há questões pessoais divididas a
dois ou quando há idealização de uma figura e aos poucos se deixa
de idealizar por esta não preencher mais os requisitos de sua
idealização, seja por descobrir algo deste que até então não
sabia ou pela perca de um pleito eleitoral, significando um
desinvestimento na figura por perda de valor desta.
E é
justamente neste ponto onde se ligam as perdas, sua perda de valor e
interesse. No entanto, vale salientar também que nem toda perca é
uma escolha, estas também nos pegam de surpresa, seja na perca de um
ente querido, término de relacionamento, ou mesmo naquilo que nossos
pais fizeram que nós abandonassemos quando eramos crianças e que de
fato nos era prazeroso, no entanto não podiamos ficar parados ali.
De forma que não nos lembramos de tais fatos e quando vemos nos
filhos achamos estranho, é algo como um ganho de realidade e sentido
do mundo agregado introduzido pelos pais. No entanto, as percas
também se relacionam com o traumático onde não foram estabelecidas
relações satisfatórias, principalmente no que diz respeito
propriamente a relações, sendo os pais são os primeiros
representantes.
Quem não
acha estranho o fim de um relacionamento? Achamos estranho,
enfrentamos com pesar justamente pela perda ou retirada do
investimento num outro, cada um enfrenta a sua forma devido aos modos
primários de relação que estabelecemos com o outro e o valor de si
que cada um carrega consigo.
sábado, 10 de setembro de 2016
A pressa é inimiga da percepção
Quando escrevo, ou
busco reflexões, gosto de exemplos literários ou cinematográficos,
pois estes nos permitem pensar em nós a partir da expressão de
fora. Neste mesmo sentido, cito o gato da Alice, a Alice do País das
maravilhas, onde acompanhamos um ser hiperativo, apressado, assim
como nós em nosso cotidiano, onde acabamos confundindo nossa
percepção por causa da pressa. Assim por fim, tem se traçado nosso
cotidiano, dos horários e compromissos marcados, onde acordamos
apressados e dormimos cansados. Com uma necessidade de alcançar ou
realizar tudo, pensamos em tudo, menos em nós mesmos.
Como diz uma música
do Black Sabath, Killing yourself to life, morremos para viver, para
sobreviver e garantir o pão de cada dia nos perdemos de nós. Frases
ditas não são ditas, sentimentos não são expressos …
Aquele que anda
devagar, para pra conversar, ver e ouvir é considerado desocupado.
Quantas belezas perdemos de ver e escutar devido a essa mesquinhez do
tempo e dos sentidos em que vivemos?
Como se diz em Italiano, siamo chi siamo, Quem somos, ou melhor quem nos tornamos, o que perdemos a esse modo em que vivemos?
segunda-feira, 5 de setembro de 2016
Depressão, uma questão que precisa de cuidado.
Olá, obrigado por ter
visitado este link. Talvez você pense pelo título que é um texto,
pode ser que sim, mas é mais uma conversa. Uma conversa sobre a
depressão, sua estranha manifestação cíclica e o engano do
suposto bem estar. Digo engano, pois o sujeito se firma em pequenos
momentos, onde como toda maré alta, depois do tempo violento das
revoltas do mar, há a calmaria. Porém, é importante ressaltar, que
mesmo o mar depois de toda calmaria é previsto uma nova revolta.
Esse fator nos é útil, pois ressalta alguns aspectos da depressão,
que semelhante aos movimentos do mar, na calmaria tudo parece bem,
mas não se sabe quando será a próxima recaída. Pequenos eventos
ou acontecimentos podem a provocar. O sujeito acredita que estando em
movimento, não se isolando poderá resolver seus problemas, se
livrar do sofrimento, mas ledo engano!
O problema permanece
real, de forma que às vezes o sujeito o nega de forma muito abrupta,
como se tudo estivesse bem, realizando compras, satisfazendo desejos
que normalmente não colocaria em questão. Depois no entanto, vem as
contas e o abatimento. A realidade impera outra vez.
Outra vez e outro dia,
mas não é só desta forma, pois a depressão se caracteriza pela
crença no desvalor quanto a si mesmo, no quanto prefere dormir, ou
mesmo desmaiar às vezes, pois sair de onde está é perigoso, é
preferível evitar a realidade e ficar na fantasia. Fantasia que
retoma ao começo de nossa conversa, onde se crê que tá tudo bem,
pois um momento de convívio social, de desprendimento de si, faz com
que o sujeito possa se sentir bem. Que bom estes momentos, mas eles
não devem deixar de lado a questão do necessário cuidado de si,
muitas vezes estranho ao sujeito, pois como característica mesmo da
doença, desiste de si.
Procurar uma terapia
parece penoso, é demasiado ir até a terapia, que dirá lá sobre si
falar, o que falar?
Uma questão que deve
ser trabalhada, mas é preciso o primeiro passo, tenha coragem,
marque a consulta, compareça.
domingo, 31 de julho de 2016
A vida comparada a ficção
Para que um assunto se
torne comum dentro da cultura, precisa ele adquirir seu espaço, seja
através de uma renovação de ideias, ou que seja algo para todos.
Nesta perspectiva, Winnicott, escrevia para um público em geral, mãe
e pais, professores, psiquiatras, pediatras, além da comunidade
psicanalítica.
De fato, antes que ele
fizesse isso, Freud também já havia feito algo parecido, ao
escrever a própria teoria psicanalítica de uma forma que fosse de
fácil compreensão. No entanto, a questão vai além da teoria, se
estende a vida cotidiana, sonhos, atos falhos, sentimentos, afetos e
desafetos, em outras palavras a condição de existir e o modo de
cada um.
Para melhor descrever,
acerca do mundo pessoal de cada um, vou me valer da ficção, ótimo
material para se refletir sobre as questões das vivências pessoais,
dando o direito a interpretação e fantasia de quem o lê.
Uma das grandes formas como o disse, são pelas estórias contadas e inventadas pela ficção, onde diante da tormenta é possível sair um pouco desta e adentrar no mundo da fantasia.Uma estória assim,
bastante conhecida, foi Harry Potter, uma estória que ganhou um
fenômeno mundial devido ao próprio tema que conta. Uma de uma
história de um menino que cedo fica órfão, mas recebe todo apoio
vindo de fora, o que lhe possibilita uma questão mais ampla do que o
ambiente familiar. Vale aqui considerar uma novação de Laplanche na
psicanálise, quando trata da antropologia fundamental, ou seja, não
se necessita que o drama inicial seja contado a partir de um mito,
como o de édipo, esse vale apenas como forma de descrição de algo
que é contado. O que vale é a relação com o outro primordial,
fonte segundo a clínica do futuro do vivente.
Nessa mesma
perspectiva, vemos um garoto, que sofre por lembranças, ou
poderiámos contrariar aqui por desejo, de um pai e uma mãe que ele
gostaria de ter, mas nunca teve, além daquilo que lhe era contado.
Este ponto, é importante para nos fixarmos, pois diz respeito a uma
fantasia demasiado humana, vai além do mundo fantástico e mágico
dos bruxos.
Comumente, este
fenômeno aparece forte, quando o pequeno indivíduo começa a buscar
sua própria identidade, ou seja, na adolescência, mas isso não
exclui os tempos anteriores, onde se imagina algo além dos pais que
se tem. No caso de Harry, uma família capitalista, consumista, um
exemplo da família contemporânea, onde um filho é preferido ante o
outro, tendo um, uma figura primária e outro secundária. Fenômeno
este também presente nos meios comuns, afinal, como diria Winnicott,
se, se tem 8 filhos, se tem, 8 tipos diferentes de mãe, pois esta
cria e lida com cada um de forma diferente, de acordo com suas
próprias questões pessoais.
Diante dessa relação,
da cria com o outro humano, mãe, pai e depois sociedade em geral
vemos a expressão de cada um de acordo com as suas experiências e o
modo como cada um conta sua história e também como interpreta
aquelas que lhe são apresentada, se é de um modo deveras intenso,
ou algo raso, ou mesmo algo que pode ser bem vivido. Porém, para que
seja bem vivido, é preciso que o sujeito conheça a si mesmo, para
que o estranho dentro dele mesmo, que sempre foi parte dele, não o
pegue de surpresa. Afinal, como conta a própria estória que aqui
acompanhamos, a parte ruim, sempre tem uma surpresa mais cedo ou mais tarde, como acontece com os ataques de Valdemort, que muito bem
poderíamos reconhecer como uma parte interior de Harry, daquilo que
não foi possível uma inscrição em seu inconsciente, ou que ficou
mal colocado.
terça-feira, 14 de junho de 2016
A Depressão na Atualidade
A depressão, tem se
tornado um objeto de preocupação e tratamento, devido a perca de
estima das pessoas quanto ao que elas conquistaram, não puderam
conquistar, e aquilo que perderam por falta de iniciativa ou coragem,
porém, quando se fala de sua gênese, se fala facilmente, que é
multifatorial, o que desfoca o próprio sofrimento do sujeito, de tal
forma que essa frase, parece funcionar como um imperativo nos
sujeitos, pois quando procuram ajuda, está se refere apenas a
receita de medicamentos, não querem falar sobre si, apenas reduzir
esta estranha e enigmática sensação que os atormenta.
Quanto ao que lhes
falha, como comprova a clínica, é o desejo que fica precário, pois
o sujeito não consegue apossar-se do seu próprio, fica antes à
deriva do que esperam dele os outros e não o que quer de si mesmo.
Como que sem autoestima, pune a si mesmo pela sua incapacidade quanto
ao agir.
Conforme Hornstein
(2008) a auto estima provém do narcisismo infantil e das realizações
conforme o ideal, onde perpassa-se uma história com sucessos,
insucessos relacionados aos vínculos do sujeito e seus projetos,
tanto individuais como coletivos, que desde o futuro alimentam o
presente.
“Com
tantos afluentes, o sentimento de estima de si é turbulento,
instável. As experiências gratificantes ou frustrantes o fazem
flutuar nas relações com os outros, a sensação (real ou
fantasiada) de ser estimado ou rechaçado pelos demais;”
(HORNSTEIN, p. 23, 2008) A auto estima, é sustentada pelo social,
sendo que junto a esse o sujeito se apropria de enunciados.
Nessa
trajetória, desde criança o sujeito frente a realidade, faz
acordos, sendo que nas, relações familiares encontra um tipo de
prazer, e na escola, com amigos outros. O sujeito se abre para o
futuro, aceitando diferenças como se representa e como vai se
tornando em direção ao futuro. “A auto estima resulta do
entramado de reconhecimentos narcisistas e dos projetos
compartilhados e compartilháveis.” (HORNSTEIN, p. 24, 2008).
O
sujeito não se constitui sem narcisação, sendo investido e
constituído pelas seus pais e as expectativas e elementos pessoais
desses que desprendem de si no contato e cuidado com a criança.
Disso por fim nascem também as formas de humor do viver do sujeito,
em como ele se coloca em direção ao futuro e as marcas que ficam
desde suas experiências primeiras e sua posterior simbolização.
Tudo se perpassa no individuo por sua história e como ele se
constituiu historicamente, em suas experiências e vínculos.
A
depressão quando aparece, demonstra como uma perda do tônus vital,
onde o sujeito perde o interesse, se vê empobrecido no desejo ao
futuro. Tais sentimentos, estão vinculados a história do sujeito e
seu modo de investir no mundo e fazer contratos com a realidade, seja
em aspectos individuais ou coletivos. No entanto quando o sujeito se
vê privado da narcisização (amor) do ambiente que o cerca, se vê
desinvestido e sem valor, o que relacionado com a depressão, tira o
brilho da vida do sujeito, pois a crítica que ele recebe, vem de
dentro, como Freud (1914) fala sobre a melancolia, (que mais tarde
iria a vir trabalha no superego) o sujeito incorpora o objeto perdido
dentro de si. Nisso se institui a função ocupada pelo superego no
indivíduo, instância responsável pela crítica, incorporação dos
pais, e moralidade, ética do sujeito.
O
depressivo fica como alguém punido por ele mesmo por não conseguir
atingir as metas, qualquer falha se torna motivo para um forte
rechaço. Claro que esse rechaço também faz parte da história do
indivíduo e seu aparelho psíquico, pois tais fatos, se demonstram
de forma individual em cada um.
Referências Bibliográficas:
HORNSTEIN, L. Depressão. São Paulo: Via Lettera, 2008.
quarta-feira, 9 de março de 2016
A depressão na clínica
Parafraseando
Freud quando nos dispomos a formar uma opinião sobre a causação de
um estado patológico, começamos por adotar o método anamnésico
com o paciente e as pessoas que o cercam, a fim de descobrir sobre
sua história os elementos que nos esclarecem seus sintomas e as
possíveis origens da patologia. No entanto esse método, ainda se
mostra como superficial, ocultando do paciente e do profissional que
o investiga o cerne da questão.
Sob tais
circunstâncias a psicanálise muito nos ensinou nas regras do
tratamento analítico, como a que o paciente tudo diga que lhe vier à
cabeça. Um método que se adapta conforme o tipo de pacientes que
consultam o profissional. Gostaria de me deter aqui nas questões da
depressão e os modos que esse se estrutura e o desafio que este
representa a clínica e a ele mesmo.
O desencadeamento do estado depressivo, provocado pela perda daquilo
que sustenta um sujeito o seu ideal do eu, tem como efeito,
empregando as palavras de Freud, “uma perda no eu” ou “um
empobrecimento da libido do eu.
A dor
que sente aquele que está deprimido encontra seu argumento na
autodepreciação, ou em seu derivativo, a auto acusação. Não há
deprimido que não se sinta mal, e então mau, ruim, péssimo. O
sentir-se bem não está muito longe do sentir-se bom, bom moço. O
véu negro da depressão que sempre se encontra na autodepreciação
toma hoje as vestes da baixa autoestima.
Essa
perda, se caracteriza pelos vazios deixados dentro do sujeito,
espaços em branco, marca vazia do tempo que não marca registro, nem
sentido. A relação com o outro é fugaz, passageira, rápido lhe
atende, mas nada deixa.
O outro
no começo de sua vida, exige pouco, quase nada do futuro deprimido.
“Poupado pelo outro do tempo de espera (do objeto de satisfação),
a vida psíquica do futuro depressivo se inaugura com uma aposta
baixa: ele precisa fazer muito pouco, quase nada para que a mãe
compareça.” (KEHL, 2009, p. 228) O que deixa as marcas de sua
dificuldade e indisposição para as escolhas da vida, entre tudo ou
nada, “tanto faz”, se é para arriscar, então ele fica com nada.
Acredita que sempre haverá alguém que irá o socorrer, proteger e
cobrir seus erros. O que podemos classificar como os benefícios
secundários da depressão.
O outro materno, no caso dos depressivos, se apresenta como um
adulto ansioso e hipersolícito, se precipita com frequência para
atender a cria, antes mesmo que essa possa manifestar sua
insatisfação. Basta uma pequena demonstração de choro que a mãe
já se encontra na presença da cria para lhe saciar. Mesmo que não
saiba o quê, nem as reais necessidades apresentadas.
Dessa condição, fica a origem da impotência do sujeito
depressivo, na fantasia materna, que representa o bebê como incapaz
de enfrentar o menor tipo de desprazer e de esperar pelos tempos de
espera e de vazio, representados pela onipotência da mãe que
acredita em si mesma como potente e adora imaginar-se como única
capaz de satisfazer e atender o bebê. Nas palavras de Winnicott,
poderíamos dizer que esta, é uma mãe, mais que suficientemente
boa.
Essa
impotência, acompanha o sujeito por toda a vida, porém, não
decorrem do fato de se ter tentado atrair a atenção do outro, mas
sim do fato de ele ter sido poupado demais da ausência do outro.
Do ponto
de vista da entrada em análise ou terapia, quando estes procuram, a
sua condição de fragilidade dos mecanismos de defesa facilita a sua
depressividade, condição primeira de vida psíquica. Porém essa
passagem da depressão a depressividade, demanda tempo. A fala
dirigida ao analista, na clínica da depressão tem a função
primeiro de tudo, de construir um lugar - de ordem mais temporal que
espacial, onde o sujeito possa se instalar. Vale ressaltar, também
aqui a diferença da clínica das depressões, pois as interpretações
do analista, também ficam em outro lugar comparada a clínica das
neuroses. Aqui a questão, não é tudo
interpretar, nem só interpretar, é preciso antes construir o lugar
do paciente. Podeis se perguntar como? E de fato, é uma pergunta
pertinente, pois às vezes é preciso que se passe um bom tempo para
que o paciente possa começar a produzir algo útil, e dentro disso,
é comum se questionar se o analista, está mesmo fazendo seu
trabalho ou aí está se produzindo conversa de comadre. Pode até
ser que a conversa seja assim, no entanto a escuta é analítica. E é
isso que faz a diferença.
Referência
Bibliográfica:
KEHL R.
M. O Tempo e o cão. A atualidade das depressões. São Paulo:
Boitempo 2009.
sábado, 20 de fevereiro de 2016
A terapia como uma experiência diferencial
A
crise na economia, nos afeta de forma deveras impactante, no entanto
isso reflete o maior prejuízo da economia interna, não somente da
externa. Isso tem nos impactado de tal forma, que se tornou comum o
aumento da violência, o desespero e situações de desamparo. Porém
aqui vale refletir a necessidade de pensar além, sair de si, pois se
há corte nesse momento necessário, é no superficial e não no
essencial. O melhor investimento que se tem, é em si, pois somente
assim passamos pela crise da economia, mas mais uma vez vale
salientar que a primeira economia a se cuidar é da interna.
Neste
processo, ao cuidar de sua economia, o sujeito entra em terapia, traz
a sua demanda para que um outro, (o analista) lhe escute e o ajude
quanto aquilo que ele apresenta. No entanto, malemal sabe o sujeito,
que essa demanda que lhe traz a terapia pouco diz ainda sobre si,
aquilo que ele acredita que é o problema, é apenas uma parte, não
se resume a isso a questão.
Valhamo-nos
aqui de Freud, quando este fala da memória, citando que essa é
gravada de diversas formas e não única. É interessante aqui falar
disso, pois foi a partir desse significado que Freud começou a dar
mais base a sua teoria psicanalítica. Não somos únicos, somos
vários.
Tal
frase, pode gerar confusão, mas a expliquemos. A questão de sermos
vários, está referida as diversas formas que agimos cotidianamente,
seja nos jeitos comuns que conhecemos, como nos modos de se defender,
que pouco sabemos que temos, nem pra que serve. E de fato, seria
difícil poder dizer aqui um conceito geral para todos, pois aqui não
há universalidade, aqui há uma questão de subjetividade, onde cada
um constitui a sua perpassado pelo universal que é referente a
cultura.
Faço
questão de citar aqui as questões da subjetividade, pois a cultura
exerce influências sobre a forma que essa se organiza também. Neste
ponto, a cultura faz diferença no princípio de realidade, aquilo
que é comum ou normal na época referida. Como exemplo podemos citar
o tempo da segunda guerra, onde dar abrigo a um judeu era loucura,
pois estava de acordo com o princípio que regia aquele tempo. Porém
hoje, seria estranho não dar abrigo a um judeu, isso evocaria uma
série de questões.
Neste
justo ponto, se encaixam as questões da constituição da
subjetividade que se constrói pela influência da cultura e o psíquico do sujeito, o qual temos como base de sustentação com
aquilo que ele é, sua identidade, modos de defesa. Tais fatores, não
podemos negar também, exercem influência naquilo que a sociedade
define como normal ou doente, devido a manifestações de certos
grupos e a vontade de outros.
Isso
se exerce por uma questão de poder e influências daqueles que
comandam as grandes instituições do mundo, como a medicina, desde
sua origem social política e alguns de seus derivados, como a
indústria farmacêutica, que ao mesmo tempo que nos graciou com um
grande avanço, nos mantêm seus refens. Refens no sentido mais
racional da palavra, pois nos reduz a um puro biologismo geneticista.
Mas seria injusto a criticar separadamente, pois nesse fator, muito
exercem influência, os médicos, psiquiatras, dentre outros.
E
neste ponto mesmo, é preciso ponderar, pois como nos ensina a
terapia, é possível fazer diferente, e pra isso, é preciso pensar
um pouco mais. Como no começo do texto dizia, questões de problemas
da economia, sempre se refletem primeiro na economia interna do
sujeito, onde este através de sua percepção, recebe e constrói o
mundo, pela sua crença, modo de enxergar e interpretar as coisas.
Porém, a questão não se resume a isso, pois se não, reduziríamos
tudo a uma simples questão da razão. E é justamente neste ponto
que quero entrar, além da razão, pois estão não toma conta de
tudo, apenas de uma parte, daquilo que pode se tornar consciente,
logo ainda há muita coisa a dentro da qual poderíamos falar, mas
para falar disso, também não podemos estabelecer um modelo geral, a
conversa aqui fica diferente, se abre a uma nova experiência.
Das
maiores experiências da vida, a que mais faz diferença é conhecer
a si mesmo. Uma experiência inclusive que assusta muita gente. Como
a água que assusta os gatos, onde malemal tocar faz saltar longe.
Isso faz a diferença do motivo da consulta e o adentrar na análise,
para olhar pra si é preciso se deixar molhar.
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