Junto
com a modernidade, muitos dos conceitos e ideias que temos hoje surgiram. Desde
a literatura, como forma ficcional de escrever e o amor como sentimento. De fato
muitas coisas surgiram como novas diante do advento da modernidade, mas aqui
nos ateremos ao surgimento do amor como sentimento e desejo do outro.
Durante muito tempo se sustentou, e ainda vemos
resquícios hoje, que o amor é louco, insano e algo do qual o quanto mais longe
ficarmos melhor será. Tais conceitos também nasceram com a literatura e a forma
trágica de alguns respeitáveis autores em falar sobre o amor, pois ele ainda
assustava quanto a seus efeitos. Alguns sempre sustentaram que amor é algo que
acontece, e não tem explicações. Uma boa forma de fugir de suas origens e
manter-se distante de sua forma de se enamorar amar alguém.
Primeiro somos amados para que depois amemos, não amamos
nossos pais desde que nascemos, mas porque eles nos amam, aprendemos a amar e
amamos eles também. Não há amor que não tenha sido aprendido de alguém, como
que transmitido a nós, desde nossos pais, familiares, pares, amigos e o jeito
que buscamos em nossa vida aprender sobre o amor.
Amar é uma forma de se dar, e dar ao outro ele mesmo.
Como tudo na vida, ninguém nasce sabendo, mas se aprende.
Muitas pessoas se confundem por dizer logo amar enquanto
seu par não toca nem no assunto e quando obrigado a entrar sempre sai pela
tangente. Alguns conseguem amar, no entanto não são todos, alguns ainda
precisam amar.
Uns amam com grande intensidade, outros com média e
também há os que não conseguem amar. Como demonstração disso surgem às formas
de vínculo e formas vazias de se ficar com alguém, o jeito adolescentão de se
mostrar o todo poderoso, daquele que não consegue admitir e nem construir sua
própria identidade, dando margem a uma sociedade que não quer crescer.
Nem em sentido de identidade, nem nas relações com seus
pares. Ninguém é de ninguém, mas todo mundo é de todo mundo. Relações vazias e
líquidas como disse Bauman. Escorre entre os dedos, nada se fixa, tudo se
realiza como se fosse apenas mais uma experiência, mais uma forma de gozar. No
entanto esse gozar aqui não é como aquele que se conhece no cotidiano, como
prazer, esse gozo sinaliza a compulsão do sintoma, o prazer é mínimo, muito
mais em conta esta a necessidade de continuar cometendo os mesmos atos, dos
mesmos jeitos.
Ficar com alguém, se apaixonar com alguém parece ser
arriscado, pois ninguém sabe sobre o outro no primeiro contato, e o primeiro
contato sempre se tenta que seja o melhor possível, para que se possa seduzir,
é preciso encenar.
Se distorce o que é amor, é como se ninguém mais
soubesse, podeis ter aprendido ao longo da vida, mas diante das frustrações e desenganos
durante essa história, perde as esperanças em um verdadeiro e recíproco amor de
um par.
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