“o
desamparo inicial dos seres humanos é a fonte originárias de todos os motivos
morais.” (FREUD, p. 422, 1977)
O
filhote humano dos primeiros tempos é capaz de dar conta somente de
necessidades muito básicas, se faltarem certos elementos em seu organismo , o
sistema transborda e desencadeia o choro. Esse choro é o modo natural pelo qual
o sistema produz uma forma de alarme. O adulto cuidador entende o choro como
uma mensagem, “nesse movimento é capaz de transformar um movimento natural em
um enunciado que instaura a base de toda comunicação possível.” (BLEICHMAR,
p.16, 2006)
A
partir dessa intervenção, nunca mais o sistema atuará seguindo as vias
naturais. Se instala o “plus” a mais vindo da excitação provocada pelo cuidador
ao satisfazer as necessidades da criança e a excitação pela ingestão do
alimento. Colocando em ato o que o torna humano desadaptado da natureza e as
condições de reencontro a própria natureza e o caminho ficado pelo instinto.
Retira
a criança do estado natural pelo amor dos pais e a humanização proporcionada
pelo amor desses, amor desprendido de si e transmitido ao outro. Como coloca
Silvia Bleichmar, “narcisismo transvazante”, amor de si transmitido ao outro.
Tem-se
filhos para não se morrer de amor próprio, já que não existem razões práticas
para a reprodução, salvo o desejo de transcendência.
“Como
é impossível aprender a viver por ensaio e erro, porque ao primeiro erro se
morreria, é o adulto quem se encarrega da construção de um principio de
realidade que não esta determinado linearmente. Se as necessidades da criança
são suas obrigações morais, nas ações que realiza reside tanto a expulsão da
adaptação natural como os pré-requisitos de qualquer “adaptação” à sociedade humana, que não pode
instaurar-se sem que se dê à criança condições de uma intersubjetivação na qual
se veja reconhecido como ser humano e possa encontrar na relação com o outro
algo especificamente humano.” (BLEICHMAR, p. 29, 2006).
As
respostas e recusas do adulto, frente à ação natural do choro e compreensão
desse em sua mensagem são fatores de base para a humanização do sujeito e o
reconhecimento do outro. Tais ações não podem constituir-se sem a base amorosa,
onde o que impera é a linguagem da ternura.
Sándor
Ferenczi em seu artigo, Confusão de
língua entre os adultos e a criança, descreve que os pais precisam aprender
a reconhecer, como os analistas o desejo nostálgico de libertação do amor
opressivo dos pais, vindo das punições passionais e correções vinda destes pelo
cuidado com a criança para que tomem um caráter de realidade. Com essas
punições e correções se formam os traços psíquicos na criança, não há medida
exata que possa definir até quando esta bom, isso depende do contato existente
entre a criança e seus pais, as mensagens transmitidas e perpassadas dos pais a
criança e como essa responde a partir de que o mundo vai tomando realidade, reconhecendo
as diferenças entre si e o outro.
Questões familiares como transmissão de
inconsciente a inconsciente, de pai pra filho
Quando nascemos e até que nos constituímos, não
conhecemos o mundo, este nos é apresentado aos poucos em pequenas doses. Bom,
pelo menos seria assim o certo, mas não é bem assim que acontece. A
ambiguidade, a confusão, a falta de sentido, a falta de simbolização é
resultado da própria ambiguidade passada ao sujeito pelos cuidadores. Você
pode. Não, agora você não pode! Você só pode até
certo ponto.
Você pode ir até o limite. Você precisa levar dinheiro para poder se divertir. Você só pode levar 70 reais, poupe!
Você pode ir até o limite. Você precisa levar dinheiro para poder se divertir. Você só pode levar 70 reais, poupe!
Tais proposições e muitas outras são ditas aos
filhos pelos pais ou cuidadores durante toda a vida, desde que eles moram com
estes, até que morem em sua própria casa. Há muito mais exemplos que isso, e
talvez também nem todos esses sirvam, a questão que fica é o espaço vazio entre
os ditos, sua ambivalência e muitas vezes falta de sentido.
Tudo ira depender por fim de
como a criança ira receber os ditos, em como aquilo fara sentido nela, e se a
falta de sentido é preenchida pelos pais ou algum outro evento da vida.
De toda forma, isso são
demonstrações da complexidade do psiquismo humano, e que da forma a nossa vida
futura.
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