terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Imagem Corporal

A imagem do corpo é específica para cada um, está ligada ao sujeito e a sua história. É eminentemente inconsciente e esta ligada ao desenvolvimento psíquico com o sujeito, suas falhas e seus excessos, a falta de sentido e o excesso de excitação vindo do outro, sendo esse outro não só os pais, mas também a mídia, os amigos, a escola.
Diante desse entrelaçamento assistimos ao excesso de excitação vinda dos pais sustentada pelos efeitos e transformações da mídia e da cultura. A criança é super excitada, impulsiona a agir, mas ninguém lhe explica algo sobre. Nada sobre aquilo lhe é dito, deve fazer porque todos fazem e a maioria das pessoas acha legal.
Por mais que Freud já tenha advertido sobre a sexualidade infantil, ainda hoje parece que muitos se mantiveram surdos a isso, ou mesmo nunca ouviram falar sobre. Ainda acreditam que a criança não sofrerá influências da sexualidade nem da excitação desconhecida do outro endereçada a esta.
Quando somos constituídos psiquicamente, somos atravessados primeiramente pelos pais, primariamente pelo mãe. As primeiras ligações e percepções da cria são ligadas a mãe. No entanto isso não quer dizer que o pai não exista pra ela, nem que não receba mais nenhuma inscrição psíquica que não tenha vindo da mãe. Posterior a essa primeira fase, no reconhecimento do outro, reconhece primeiramente o pai e posteriormente o ciclo social.
Resumidamente sem explicar muito, desde crianças o que aprendemos vem de nossos pais, cultura (mídia entre outros), escola e meios sociais. Dentre essas a maior carga que recebemos vem dos pais, primeiros cuidadores, primeiros contatos da criança. Devido às mudanças também de nossa cultura atual, pode ser que sejam dois pais ou duas mães, ou dois pais, ou até avós que são os cuidadores. Mas levar para esses lados exigiria uma grande explicação, que no caso não cabe aos objetivos desse texto.
Nossa imagem corporal por fim se constitui desde a mais tenra inf6ancia, afinal como dizia Freud o eu antes de ser eu é eu-corpo. O corpo é quem primeiro é constituído na criança. A imagem de si está fundamentada principalmente nos tempos do narcisismo, primeiros tempos ou como diria Lacan, na fase do espelho, primeiro me vejo e não me reconheço, acho que sou apenas extensão daquele que me mostra no espelho, mas depois reconheço a diferença e sei que na imagem refletida há eu e um outro.
Toda época teve sua forma de ver o corpo, hoje o bem estar é o corpo magro, quase esquelético, essa é a exigência. No entanto as coisas parecem entrar em contradição quando vemos que o incentivo a que se coma, que se beba em demasia é nos passado todo dia. Nos seriados de Tv, filmes, é comum ver personagens onde há sempre uma cerveja na geladeira, nunca falta uma. Se puder toda vez quando houver a cena envolvendo a própria casa, a geladeira e a cerveja tem seu lugar garantido.
Também sabemos, que todo filme tem seu comercial que se faz de fundo em poucos segundos para alguma marca. Às vezes também nem se percebe, é preciso uma visão atenta para enxergar tal fenômeno.
Esses fenômenos e outros por fim, constituem e fazem parte da teoria e ideia que construímos como imagem de si. No entanto muitas vezes parece que não é de interesse nem da cultura, nem de nossos pais que tenhamos uma ideia de si, pois se formos contestadores de algo, de alguma ideia isso pode abalar as normas. Tudo nos é passado como se sempre estivessem cuidando de nós, desde o momento que acordamos até o momento que dormimos, e quando dormimos também. Para comprovar isso toda comunidade traz consigo seu mito e superstições que garantam o bem estar de sua população.
Frente a isso, essa ideia, fantasia construída sobre si parece ser cada vez mais pobre, elementos para que o sujeito pense, possa fantasiar parecem não ser mais necessários, sempre haverá alguém pensando, preocupado com você.
Essa é a ideia que vendem, mas não é verdade, se não formos nós responsáveis por nós mesmos estaremos entregues as piores coisas de si mesmo.
No entanto frente ao não pensamento sobre si e a ausência de capacidade fantasiosa, ou pequena, a angústia do sujeito não tem destino, seu destino cai no primeiro lugar, o corpo. Com isso vemos surgir às doenças psicossomáticas e a clínica do vazio.
Os tipos de doenças são várias, mas cada doença dependerá de como o sujeito se vê e suas condições psíquicas. “O sofrimento que não pode ser elaborado remete às mesmas condições em que vive o infans, a criança que ainda não adquiriu a fala, e não poder, por isso, traduzir suas vivências.” (ÁVILA, 2004, p. 171)
Aqui é preciso levar em consideração a história do sujeito frente a questão do incrito representável e do inscrito irrepresentável. Conforme (Bleichmar, 2011, p.155) no somático se passa algo que se inscreveu no sujeito, mas que não se suporta e que ao mesmo tempo é não simbolizável. O qual não quer dizer que o aparelho em seu conjunto não possa simbolizar. Ou seja, não há sujeito que não tenha psicossomáticas, pois é impossível que haja alguém que seja capaz de conter e transcrever tudo.
A primeira inscrição é no corpo, é senso percepção. Essas primeiras inscrições também fazem parte no sujeito e influenciam no seu modo de ser. Mas vale considerar aqui também, levando em conta o tema do texto, que nem todo que sofre no corpo sofre por psicossomática. Há também algo que fica evidente hoje nos casos de bulimia e anorexia.
Nos casos de bulimia, há uma tendência a se comer em excesso. Mas alguém se perguntou frente ao que isso acontece?
Tal fenômeno acontece diante da angústia e uma voracidade por parte do sujeito, pressa em comer, pressa em se sentir saciado. Ele tem pressa para não sentir o desamparo, então ele come.
Nos casos de anorexia, parece haver uma inversão, o sujeito (a) precisa colocar para fora tudo o que come, pois aquilo pode resultar num corpo mal formado. Aqui a imagem corporal fica em jogo, é preciso manter a imagem do ideal, no entanto o ideal parece nunca ter sido alcançado, sempre da pra fazer um pouquinho mais, mesmo quando alertam-lhe que está esquelético (a).
O corpo e a imagem corporal por fim, esta presente em todas as estruturas psíquicas, seja como imagem e expressão da doença, como em imagem de sedução e de poder como no caso dos perversos.
No começo da psicanálise e esse olhar para o corpo mais de perto, as responsáveis pelo tumulto eram as histéricas, conhecidas vulgarmente hoje, com as histéricas de Freud, mesmo que o estudo dessa veio antes de Freud, por parte de Charcot e Goodreck, mas foi Freud quem primeiro se interessou por escutá-las.
Frente a esse artificie de escuta, é possível observar tais manifestações, seja em nível de psicossomática ou qualquer outra estrutura clínica. O corpo é de fato pertencente e demonstrativo de todos. Ferenczi chama atenção quanto ao corpo, quando fala sobre o ato analítico, que seria o ato para que a intervenção feita fosse efetiva, pois o corpo também é forma de não pensar quando devemos pensar, também é forma de desviar atenção e energia.
O que se propõe de toda forma é uma ação frente ao paciente, independente se psicossomatizador ou que estrutura for, mantendo a integridade desse em busca de ajuda-lo a se pensar, e que possa tornar-se dono do próprio destino.


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