domingo, 18 de outubro de 2015

Precisamos ser, ou nos mostrar felizes?

Por que precisamos mostrar ao mundo uma cara (ou uma careta) de felicidade?

“1. A felicidade dá status, assim como a riqueza. Por isso, os sinais aparentes de felicidade podem ser mais relevantes do que a íntima sensação de bem-estar.
2. Além disso, somos cronicamente dependentes do olhar dos outros. Consequência: para ter certeza de que sou feliz, preciso constatar que os outros enxergam a minha felicidade. Nada grave. Mas isso leva a algo mais chato: a prova da minha felicidade é a inveja dos outros. Consequência: para ter certeza de que sou feliz, preciso constatar que os outros enxergam a minha felicidade. Nada grave, mas isso leva a algo mais chato: a prova da minha felicidade é a inveja dos outros.” (CALLIGARIS, 2013, p. 133)
Como resultado dessa necessidade de parecermos felizes, a felicidade se torna uma grande impostura do qual receamos não fazer parte, e que por isso mesmo é difícil de denunciar, ou se o faz, é como se diz, da boca pra fora, critico nos outros, mas mesmo assim eu repito o mesmo, pois ficar de fora, “deus me livre!”
Você já deve ter imaginado até aqui como isso acontece em nosso cotidiano, que o diga nas redes sociais, onde todos são felizes, pois postar algo que pareça triste, além de ser julgado chato pega mal. Pois é, e inclusive fingir estar feliz é um jeto que muita gente acha de sair da fossa, Fotos felizes, sem foto shop, esbanjam momentos de realização, como algo pra mostrar mesmo. Mas isso seria algo pra botar inveja nos outros? Não necessariamente, depende do que você quer ao postá-las, mas em muitos casos é sim, um jeito de se sentir feliz frente a sociedade individualista em que vivemos. Se não se é feliz, é preciso inventar que você é, então mesmo em momentos difíceisse tira uma foto sorrindo e se posta buscando as curtidas e os comentários.
Podes mesmo assim, não concordar comigo, pois comecei com uma citação, como se tivesse afirmando os modos de felicidade, no entanto, cito como um exemplo, do que ocorre nas redes sociais, no entanto salvo exceções é assim mesmo que acontece no mundo facebookiano, não há virtude, não há propósito, às vezes é mesmo só um jeito de passar por um momento difícil, como uma negação da realidade, então crio outra a livre exercício da fantasia, a final de contas, não é isso mesmo a segunda vida que se vive?
Porém cabe aqui objetar, se não seria essa necessidade de mostrar-se feliz, uma demonstração de infelicidade, pois a final de contas o que nos move, realizações alcançadas ou aquelas que ainda desejamos alcançar?
Será que já realizamos todos nossos desejos e sonhos? É difícil, pois se assim fosse, com certeza a vida teria perdido a graça, então, dentro de nossos mecanismos do eu e formas de adaptação a nós mesmos frente a sociedade, em contradições e em busca do sossego, sendo felizes, ou também infelizes, mas com grandes expectativas.
A final de contas, o que realmente é a felicidade?

CALLIGARIS C. Felicidade nas telas. In:Todos os reis estão nus. São Paulo: Três Estrelas, 2013.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

A certeza do sucesso é boa?

"Tudo terminará bem, de acordo com o que previmos. Essa é uma máxima comum entre as pessoas de negócios.Tais pessoas sentem-se como seres divinos, acreditam-se a extensão de algo maior e carregam dentro de si um traço que chamo de arrogância de certeza.” (GARCIA, 2003, p. 23)
Comecemos com uma citação, uma proposição digamos assim, pois é de grande valia para determinar o rumo do que discutiremos aqui. A onipotência e os traços infantis. Pode até parecer que não tenham anda haver o que se cita acima com o que digo aqui, mas sim, certeza absoluta de que tudo dará certo é coisa de criança que acredita no pensamento mágico, a chamada onipotência infantil, que nos acompanha por toda vida. Às vezes serve como uma boa ferramenta quanto a golpes da realidade, mas também às vezes nos deixa tão longe dessa que nos desnorteia...

Muita coisa pra processa de uma vez só né. Mas tudo bem, não é questão aqui querer resolver tudo ou falar de tudo. Aqui a questão é que se possa pensar sobre si mesmo, às vezes também duvidar, pois há situações que nos movem como num impulso e acreditamos que nada dará errado, ou se ocorrer escaparemos ilesos. Um verdadeiro exemplo de pensamento mágico. Quem sabe você lendo isso tenha lembrado de alguma situação onde se colocou em situações parecidas, ou não. Tudo depende de você e sua história.

Pode ser que veja isso como uma forma que de certo, mas serei fiel ao texto O que faz uma pessoa dar errado. Pode ser que você considere que essa chamada arrogância da certeza seja só uma visão de quem não pensa como você, no entanto vale considerar que esta certeza de si tem tanto seus pontos positivos como negativos. Positivos até certo limite, pois nossa vontade, desejo não é a do mundo, pois interagimos com um meio.

A verdade é que as pessoas interagem por meio de duas realidades a interna e a objetiva. A realidade interna é composta de idealizações, expectativas, vontades, desejo, atitudes, crenças, valores, educação, traumas do passado, preconceitos, fixações, ou seja, tudo o que é intrínseco ao indivíduo. Do lado de fora porém está a realidade objetiva, e nela mora o que é possível ser feito (somos o que somos, e não aquilo que gostaríamos de ser).” (GARCIA, 2003, p. 25)

Não é possível fazer um planejamento sem ter ideias e um foco determinado, em outras palavras, saber o que se quer, os limites disso e suas possibilidades. É preciso levar em consideração o que diz Garcia, pois se formos tomados simplesmente por nossos desejos, ficamos como que desnorteados, sem rumo. Esperando que algo como queremos aconteça, como se a sorte fosse determinada pelas forças do universo que conspira em nosso favor ou contra.
Porém de fato, isso não opera assim. Aqui, acho que você entende então porque a arrogância de certeza pode ser perigosa.
Nenhuma pessoa que teve sucesso na vida começou necessariamente de cima onde todos seus desejos e vontades se realizaram. Teve antes que considerar o meio em que estava, o funcionamento deste e como interagir com.
Para atingir metas, sonhos e planejamentos, a certeza sobre si é uma ótima aliada, porém não pode ser carro chefe em tudo, pois nem todos concordam com você e sua opinião para ter valor demora certo tempo …

GARCIA L. O que faz uma pessoa dar errado. In: Pessoas de Resultado. São Paulo: Editora Gente, 2003.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Como será possível a autenticidade num mundo excessivamente comercial?

De fato, não é novidade, que a propaganda desde seu auge na década de 1960 assumiu a hegemonia sobre os valores da cultura através da mídia na Tv, rádios, outdoors, entre outros. Mas, de fato, pra muitos isso ainda é novidade ou algo imperceptível, pois esses elementos da propaganda, não são apenas marketing para consumo, também fazem parte da vida política social e econômica das nações. Em outras palavras, são determinantes da cultura.
Por falar nisso, já ouviu falar em plutocracia? Provavelmente não, uma palavra difícil de ver ser usada. Mas calma aí, não precisa ir atrás do significado, vou facilitar um pouco pra você. Plutocracia se refere a livre circulação de mensagens e informação da mídia, sendo que essas operam como verdades dentre os meios, daquilo que se deve vestir, como ser, como pensar e também como consumir, o que consumir, o que da pra consumir. Sim extenso, e confuso, mas é algo que exerce um fator moralizante em nossa sociedade. Alguns o percebem, falam muito sobre, mas provavelmente também não sabiam desse conceito...
Os atuais regimes democráticos espalhados pelo mundo na verdade são plutocráticos, estão apenas mascarados e assim mantidos pela principal ferramenta de manipulação e poder dessa classe dominante - a mídia comercial e corporativa.
E a crise? É pra quem? É crise do que? De que economia se esta falando?


terça-feira, 1 de setembro de 2015

Foco no trabalho?

Conforme Cortella e Filho (2015, p. 19) “Existe um lema que algumas empresas adotaram e que acabou permeando, impregnando todo o conjunto social: “Fazemos qualquer negócio”. Essa lógica significa qualquer negócio é válido.” Em outras palavras, o foco esta no resultado. Isso significa que é preciso o que for preciso para vender, mesmo que isso implique, mentir, enganar, ludibriar e assim por diante.
Porém como dizem os autores, não sei se, se percebe da bobagem que é fazer uma lista onde um dos intens é a palavra foco, pois seja esta primeira, terceira ou qual for, anula todos os outros itens.
Vale aqui citar um longo trecho da conversa entre o professor Clóvis e o Cortella, onde falam abruptamente sobre essa questão de um modo muito verdadeiro:

E vamos trabalhar numa empresa. Ela tem 15 níveis e começamos no G15 – não tem lugar para bicicleta no estacionamento! Enquanto não passarmos para o G14, somos insignificantes. Inicia-se, então, a escalada: subgerente, gerente, diretor não sei do quê... Até o momento em que percebemos que, para sermos promovidos, precisamos alcançar mais metas do que os outros. O foco está no resultado, e nós o trazemos. As metas são como cenouras: nós as perseguimos. E quando pela primeira vez, alcançamos uma cenoura, temos a impressão de que neste momento a vida finalmente chegou, vamos comemorar sete anos de vacas gordas. Entregamos a cenoura para o chefe, que liga o Powerpoint e estabelece nova meta, nova cenoura. E descobrimos que a lógica do eros de Platão a lógica do desejo na falta, do buscar o que não se tem, é uma lógica que nos acompanha desde o começo da vida escolar até o momento em que, depois de 30 anos , recebemos uma placa dizendo: “Você foi um excelente perseguidor de cenouras, mas hoje se tornou inadaptável. Vou contratar alguém mais jovem, mais iludido que você para poder explorar o trabalho mais abruptamente."
Desde a escola até a vida no trabalho não somos preparados para a alegria. Um exemplo é o que recomenda boa parte dos profissionais de Recursos Humanos nas organizações: “sair da zona de conforto”. Essas pessoas são verdadeiros profetas do entristecimento! Não se aceita um momento de alegria em hipótese alguma! Se no processo seletivo de uma empresa alguém disser: “Eu sou um cara de bem com a vida, estou bem comigo mesmo”, ele será excluído, porque o que se quer é o indivíduo desconfortável, desejante e, portanto, alguém que sabe buscar o que ainda não existe. (2015, pgs. 21 e 22)

E de fato, de certa forma somos assim mesmo, lidamos nossa vida toda entre o desejo e a falta. Acompanhando a linguagem dos autores, podemos ver uma questão de uma linguagem crítica quanto ao trabalho que impera hoje dentro das organizações, a ordem é vender, alcançar resultados. Pode-se dizer que poco se olha para a satisfação dos operadores dentro de sua função.Cunhou-se com o tempo chamar os mesmos também por colaboradores, como forma de incentivo e sinal de pertencimento, porém, os chamar por colaboradores, não veio como uma troca simbólica, mas sim como algo do politicamente correto, sendo que mesmo assim, ainda se mantêm uma ideia muito antiga de trabalho que faz com que muitos ainda trabalhem dessa forma e no fim da vida recebam a plaquinha que agradece por ter sido um verdadeiro caçador de cenouras, que virou sem valor agora.

O trabalho como castigo persiste. Tanto que a maior parte das pessoas diz: “Quando eu parar de trabalhar, eu vou fazer isso, isso e isso.” Sendo que isso é uma ilusão, porque você pode dizer: “Quando eu não tiver dependência em relação ao trabalho, eu vou fazer isso”. Mas parar de trabalhar, você não vai parar nunca. Nem pode. Porque você nucna deixará de fazer a sua obra. Seja a sua obra aquela que você faz para continuar existindo, seja para o seu reconhecimento. Eu me vejo naquilo que faço, não naquilo que penso. Eu me vejo aqui, no livro que escrevo, na comida que eu preparo, na roupa que eu teço.”(CORTELLA, 2014, p. 20)

Porém, como comenta Cortella, ninguém para de trabalhar e deixa de ser útil, mas por outro lado é fato, que poucos pensam assim. É comum ouvirmos ou vermos, depois de aposentado não se sabe mais o que fazer, como se realmente o dito “que você não tem mais valor”, se torna um significante de grande valor.
Circula isto como algo de valor cultural, alguns costumam ver isso como um problema, no entanto isso é um sinal que as coisas podem mudar, e de fato estão mudando. A um tempo atrás era muito mais comum do que hoje a falta de sentido na aposentadoria e no suposto fim da vida ativa. Hoje se foca muito mais no valor de si mesmo, desejos que ainda se tem por realizar e na constante produção de algo de valor onde se sinta bem.

CORTELLA M. E FILHO C. ÉTICA E VERGONHA NA CARA. São Paulo: Papirus Debates, 2015.


CORTELLA S. QUAL É A TUA OBRA?. Rio de Janeiro: Vozes, 2014

domingo, 30 de agosto de 2015

Perdão, culpa, ressentimento...

 Não é fato novo pra ninguém que o homem contemporâneo se encontra dessituado, como que sem rumo. Se no século passado se estava preocupado com a culpa, neste novo século o problema esta situado quanto a dificuldade de escolha e orientação quanto a si mesmo. No entanto isso não é novidade do século XXI, pois o movimento que deu início a isto, esta situado na revolução de maio de 68 onde se questionaram todos os tipos de autoridade. Aqui podemos nos valer de uma citação de Dostoiévski, quando diz que deus esta morto, logo não há mais lei, ou melhor adaptando sua frase, depois de Deus, é preciso inventar uma nova lei. Cito aqui esta colocação de Dostoiévski devido a que isto situa muito bem a situação depois de 68, com a queda de todo o tipo de autoridade e o excesso de liberdade, é preciso encontrar novos limites. E de fato aqui esta o problema.

O que é interessante é ver como uma geração de neuróticos que se quiserem livres tomaram finalmente o caminho do álcool, ou da droga. Não acerdito que a vivência da droga para esta geração tenha sido uma libertação, como um recurso para esquecer a lógica mesma da dívida, portanto, a lógica mesmo que acabaria impondo uma direção ao percurso. Não era tanto isso a relação deles com o álcool e a droga. Justamente o recurso tão fácil ao álcool e à droga não era nada mais do que uma metáfora pobre do fato de que a sociedade tinha logrado uma abundância na qual a relação mesma ao objeto parecia como uma relação fácil. Aliás, este tipo de sonho só era possível naqueles anos, e talvez só fosse possível nos Estados Unidos ou na Europa, nos países capitalistas mais desenvolvidos. Os objetos estavam ali, não só nas vitrines das lojas, mas inclusive caindo das margens da produção. Então, essa relação fácil com o objeto é também uma relação forçada, pois o acesso aos objetos é o ideal fálico mesmo. (CALLIGARIS 2013, p.35)

Com o fim dos limites, não há mais regra, “se há, é pros outros, pra mim não”. No entanto tal pensamento já existia antes desta revolução. Vimos se expressar sobremaneira na segunda guerra mundial, onde os tratados de guerra que existiam já não existiam mais. Se, se aplicasse pros outros beleza, mas pra mim não. Freud ávido leitor tinha noção disso quando falava das questões da civilização. Porém, não viveu para ver o fato nefasto e fúnebre da segunda guerra mundial. E de fato vale situar isso, pois abre um marco quanto a brutalidade e crueldade exercidas pelo ser humano, de tal forma que muitos ainda se negam em falar sobre, mas liberdade todos tem... Em outras palavras, não se quer pensar sobre. A melhor coisa, ainda é o velho costume antes disso tudo, herdeiro do iluminismo, o que se deve é tudo confessar e a ordem e harmonia das coisas esta no perdão e nos modos em lidar com a culpa.
No entanto, o foco dos problemas atuais esta longe disso, repetir estes velhos modos, é como repetir os mesmos erros. O ideal hoje não se encontra mais especificamente nos primeiros heróis, o ideal esta nos diversos heróis e objetos de identificação da vida do sujeito. O modelo não é mais do pai, mas sim do paiversão.

Acompanhamos o surgimento, a cada esquina, de neorreligiões que se propõem a dar respostas salvadoras às angústias do momento, da mesma forma que a chuva de livros de autoajuda inunda as livrarias de aeroportos e das estações de trem. A tercerceira tendência é a medicalização da felicidade, é o sonho cientificista de que para tudo há remédio. Em resumo, estamos em um momento reacionário da volta de atitudes moralistas, neorreligiosas e pseudocientificistas.” (FORBES, 2012, p. 134)

Bom, você já deve ter se dado conta do quanto isso é confuso. E de fato o é, pois também, como encontrar orientação, quando não se há mais ideais a seguir? Quais são os limites? O que devo ser? Quem sou eu?

A globalização e a queda dos ideais e da ordem paterna levam ao curto circuito da palavra, o que não é necessariamente bom nem ruim. Como soluções para o melhor, temos os esportes radicais e a música eletrônica. Para o pior os novos sintomas são as doenças do curto circuito da palavra, tais como as toxicomanias, a delinquência sem limites, o fracasso escolar e as afecções psicossomáticas.”(FORBES, 2012, p. 137)

Ligado as perguntas, de fato estão as questões da globalização e as mudanças que ocorreram e vem ocorrendo no mundo como organização social. É preciso as pensá-las, refletir sobre elas. E pode ser, que de fato mesmo não tenhamos resposta e que a droga tenha se tornado uma adição a nós para que possamos suportar o cotidiano. Afinal de contas também, tudo bem, nos livros e filmes sempre há gente que fuma e bebe. Os comerciais sobre também são sempre influentes, dizem que podemos e devemos consumir. Então, cervejinha no final de semana é o mínimo!
Não é assim que as coisas acontecem?
Há um movimento, que se massifica onde se propõe e se estabiliza a falta de responsabilidades, falta de deveres, se há deveres são pros outros, eu mereço o descanso necessário e a liberdade para agir, beber e endoidar. Pelo menos no final de semana é preciso aliviar...
Pois é, de fato é, mas isso não quer dizer que é normal, e também se foi instituído como normal, ou como se prefere usar, modelo de normatização, não quer dizer que é saudável e que sempre deve ser assim. Pois também não é sempre que se é preciso de uma droga, seja ela lícita, ou ilícita para que possa se divertir, ou suportar o cotidiano. Isso também pode estar apontando um problema, uma necessidade de ajuda.

De uma maneira simples, diríamos que aquele que negocia com o “pai” para chegar a uma satisfação possível é o neurótico; quem despreza o “pai”, ocupando o seu lugar, fazendo uma versão do “pai”, é o perverso; finalmente, quem não consegue estabelecer uma articulação paterna é o psicótico. Hoje, temos que ir além. Não basta definir o tipo clínico com base na posição do sujeito em relação à função paterna. É preciso considerar a singularidade da solução que um sujeito inventa, por meio de seu sintoma, para dar conta de tudo aquilo que se apresenta para lém do pai.” (FORBES, 2012, p. XXI)

Vale considerar que quando aqui nos referimos a pai, além do pai, estamos nos referindo a lei e a ordem, com as figuras familiares que dão espaço a alteridade (reconhecimento do outro). E de fato, isso nos coloca numa sinuca de bico devido a dificuldade de escolhas e falta de representabilidade de heróis que enfrentamos depois de todos os tipos de autoridade terem sido derrubados desde a revolução de maio de 68.
De fato isso também representa o rompimento da família tradicional, parafraseando roudinesco, a família está em desordem. Depois da queda do simbólico, onde família tinha sua simbologia, dentre as demais, o sujeito encontra-se como que sem horizontes. Um assunto difícil de se dizer encerrado, pois como dizem também os filósofos, quanto mais nos aprofundamos num assunto, mais sabemos de, mais também temos noção do quanto não sabemos ...

CALLIGARIS C. Introdução a uma Clínica Diferencial das Psicoses. São Paulo: Zagodoni, 2013.

FORBES J. Inconsciente e Responsabilidade. São Paulo: Manole, 2012.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Diferentes estados de espírito


Dentro de um diálogo entre dois amigos, um estava muito curioso quanto a porque se sentia diferente quando escutava certo tipo de música. Estava ele pensando que incorporava os símbolos sonoros em si, porém não sabia como. Queria saber o por que disso, e como acontecia por fim nas festas, afinal de contas há diferentes movimentações, estratégias digamos até dentro das festas. Tudo depende do que o sujeito procura.
  • Mas então, me diga, a música também influencia nos meus sentimentos, ânimo?
  • Sim, conforme a música que você escuta no momento, você demonstra um estado de espírito, um desejo, uma emoção. Como dizem no senso comum, como uma vontade.
  • Ahm .... então isso, está diretamente relacionado ao copo na mão das festas, as poses, os eternos fumantes de festas que fora dali repudiam o cigarro...
  • Sim, as festas funcionam como uma pequena interrupção das repressões, o que você não pode no dia a dia, ali é possível, é festa, as pessoas vão entender.
  • Entendo, mas tem aqueles que simplesmente vão lá e continuam do mesmo modo que no cotidiano né?
  • Sim, pois de fato nem todos conseguem baixar estas repressões, todos lidam com seus desejos e paixões de formas diferentes também. Alguns funcionam como eternos adolescentes e há os que estão como que sossegados.
  • Mas e aquilo que dizem, que o álcool transforma as pessoas, como que funciona isso?
  • O álcool, é um ótimo ajudante nesta função da baixa das repressões e impedimentos da vida cotidiana. A alguns da mais criatividade, a outros tira a vergonha e também há os que simplesmente da sono. Também é preciso considerar aqui que tudo ocorre conforme o momento da vida do sujeito.
  • Ah, por isso quando bebo sinto diferença conforme o dia.
  • Pois é, é algo que depende do seu humor, de como você se abre ou se fecha a estar onde você esta.
Como aponta Ferenczi em um artigo de 1911 O álcool e as neurose, o álcool é um das formas com as quais o sujeito se adpta para uma fuga quanto a sua doença, seja esta uma neurose obsessiva, uma histeria ou qual for, sendo neurose ou não. O fato, é que sempre potencializará algo no sujeito dentro de seu funcionamento.

  • Então o álcool pode ser perigoso também?
  • Sim, conforme quem o usa, seu estado, se esta usando medicação, pode causar efeitos nada agradáveis.
  • E quanto aos que consomem álcool de tal forma que passam mal pelo excesso?
  • Da pra se dizer de certa forma, não só que se perderam de si, mas sim que o desejo de fuga era de tal forma grande que provocam a suspensão da realidade por um instante. E aí entram coisas como adrenalina, sensções e mais um monte de coisas que as pessoas adoram, inclusive vivem a procurar explicações e justificativas pra que se faça isso.
  • Entendo, mas então você esta dizendo que o consumo de álcool é sempre prejudicial?
  • Não, algumas pequenas doses, pode se dizer que até fazem bem, mas em doses excessivas, sempre há um mal, pois já se diz no nome, excesso. Algo que faz com que o corpo trabalhe mais, chegando até a suspender o funcionamento normal do organismo pela consequente falta de água que fica, ainda mais que tem alguns grupos que dizem que tomar água enquanto se bebe é coisa de gente quadrada, quando na verdade é o que se deve fazer pra que não se fique mal.
  • Ahm, então poderia se constatar certo masoquismo aí?
  • Também, mas esta não é a questão, aqui fica algo muito mais ligado a onipotência e a sensação e desejo que “não acontecerá comigo”, mas algo que obviamente é ilusório, fantasioso.
  • Mas e quanto aqueles que depois de um tempo não passam mais mal?
  • Bom, aí é a resistência do organismo que fica, mas aí tem que se ver se o sujeito vai começar a ultrapassar os limites do que bebia pelo desejo de então passar mal, ou se consegue ter o controle do uso que ele faz.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Itinerário a subjetividade

 Quando nascemos, nada temos, nada herdamos fora de nossa genética e algumas característcas físicas, que ainda serão muito modeladas e diferenciadas. Como disse o filósofo francês Sartre, quando nascemos estamos jogados ao nada.
Se nascêssemos e ficássemos sós, morreríamos logo, pois diferente dos animais, o instinto que tem em nós é mínimo. Necessitamos de cuidado para que nos tornemos alguém. Dentro deste cuidado, temos nossas primeiras relações, a formação de nossa personalidade, conforme o cuidado que recebemos e como este fica registrado em nós. Não somos pura cópia genética e personalidade de nossos pais, somos individuais diferentes, desde nosso nome até nosso pensamento e modo de programar a vida, mesmo que tenha coisas que pareçam ser muito parecidas de nossos pais.
Uma dessas coisas às vezes parecidas, outras não, é o medo diante do novo, da mudança e do desconhecido. Lidamos com este medo pelo apoio de nossos heróis (pais), até que os sustentamos como nossos ideais, no entanto não permanecem assim pra sempre, pois também é próprio do crescimento a frustração quanto ao superpoder dos pais, percebemos que não tem, era apenas uma ilusão de nossa onipotência, a qual, primeiro conferimos o poder a nossos pais e depois a nós mesmos.
No entanto, a vida tem suas fases, onipotência para que tudo que se pensa se realize não existe, mas mesmo assim em alguns casos continuamos a acreditar que sim, que pensar em tenha sua influência. E de fato tem, mas não por ter pensado e controlado o destino por puro pensamento. Para que algumas coisas aconteçam é precisa que haja pensamento e ação, uma combinação que da origem e sustentação ao desejo, que permite que ele venha a se realizar. E dai surgem as diversas formas de ação, planejamento tomado pelas pessoas.
Aprendemos por observação e experiência,  olhando e escutando os outros, mas conferimos a própria experiência, por ter feito também, pois se não viveríamos a vida dos outros, seriamos eternos expectadores que torcem, anseiam por, mas que nunca passam de platéia. E de fato em algumas coisas na vida, somos apenas platéia, pois haja força e vida para participar de tudo...
Diante disso, surge o dito popular, onde se firma que cada um faça a diferença onde estiver. Mas agora, encerrando este breve itinerário, é preciso nos voltar para a diferença que é possível cada um fazer diante dos outros e de si mesmo, diante dos outros e de si, pois todos estes fazem primeiro parte de si mesmo e de como se percebe a si e aos outros. Uma questão da própria imagem de si mesmo e do diferente, princípio de alteridade que nos impulsiona a nossas relações com os outros, seja esta de forma receptiva ou fechada. Tudo são questões a partir de nossa própria história.
Dentro desta história, se confere quem somos, nossas potencialidades, inibições e qualidades. No entanto não é apenas uma simples questão de qualidades ou falta de qualidades, também há questões além disso na preservação de si.
O medo de andar pra frente, de mudar nossa situação, normalmente nos aprisiona. Nos deixa, fixa no mesmo lugar. Se mudamos, mudamos porque o medo de não estar vivendo, de ter perdido o sentido é maior que o da mudança. Deste medo, nascem nossas dificuldades, sejam elas ligadas a relações amorosas, afetivas, como no trabalho. Dificuldade especialmente em momentos de crise, como o que vivemos hoje em nosso país. Crise que faz com que muitos pensem em concurso, formas de estabilidade. No entanto a crise em nosso estado e país mostra o quanto esta estabilidade constante não existe. Acreditar nela também é ilusão. Manter o controle sobre tudo, também é um aspecto infantil que remonta a não responsabilidade, presente em grande expressão na vida do adolescente, vida adorada hoje pela sociedade em seus moldes de produção e venda de imagem.
Perpassamos por fim, como apontado desde o início do texto por muitas imagens, desde a que vem de nossos pais como a dos outros na sociedade e também da cultura, muito influencia hoje pela plutocracia, forma com que a mídia também governa e dita as verdades sobre as coisas.

sábado, 1 de agosto de 2015

Piada (agressividade/cômico)

O interesse da piada, ocorre por uma troca, junção de palavras, como num jogo de inteligência, onde se une o cômico com a piada, tanto na figura do sujeito como de um terceiro, espaço potencial quanto ao gozo e graciosidade. Disso nasce uma questão, tanto de um simples riso, como de agressividade, da oportunidade e desejo de ajudar, a impossibilidade de fazê-lo.
Isso nos faz recordar de um velho dito popular, “perde o amigo, mas não perde a piada”, na qual piada não é uma história com começo meio e fim que faz rir, mas sim um meio mordaz cujo caráter ofensivo é apenas levemente recoberto pelo seu caráter espirituoso.
Entre a agressividade e a empatia, piada e a identificação com o outro (sentir-se como aquela pessoa e ter o impulso de ajudá-la), encontram-se duas distintas situações, uma impossível de oferecer ajuda e a outra, digamos respeitosa.
Conforme Freud, é somente na ação de transmití-lo a um outro que a piada assume sua verdadeira forma, pois a comicidade satisfaz-se com o confronto do eu com o que ele chama de pessoa-objeto. Podemos até ris sozinhos de uma piada, mas é a hilaridade que se se provoca no outro que regozija o que o eu criou. Para sucitar tal demonstração, Freud cita shakespeare,

“A fortuna de uma piada se acha no ouvido
De quem a escutam jamais na língua
De quem a faz (Trabalhos de amor perdidos)”1

As piadas por fim, como tem implicitas em si seu valor pela forma como o outro escuta, é interessante analisar, o quanto este outro também não é só o outro alheio ao sujeito, mas o outro que este tem internalizado em si mesmo. Disso nascem as piadas tendenciosas, as quais se busca o acesso a fontes de prazer que não se busca inocentemente. Fontes estas, que devem estar ligadas aos propósitos inconfessáveis e não apenas a forma inteligente da frase espirituosa ou da estória contada com final inesperado.
Citando-me a mim mesmo em outro texto que escrevi, aqui nos encontramos diante do obsceno, que ganha espaço junto a piada, “Dentre esta nova forma, se instala a permissão ao obsceno, imoralidade, deboche, indecênscia, inconveniência.” (A linguagem do obsceno).
Freud examina a Zote2, como o tipo grosseiro de piada (witz). Este tipo de piada, não é propriamente uma, pois enuncia cruamente a ideia sexual (“ei gostosa, já deu hoje?”, ou algo assim). A pretexto de excitar a mulher manifestando interesse pelo seu corpo, na verdade o interesse dessa frase é humilhá-la. Satisfeitos nestes componentes são os elementos sádicos.
A zote, se converte em piada quando a repressão impede a manifestação direta do pensamento indecente. Por exemplo, entre pessoas que não ousariam dizer tais coisas na presença de uma dama. A pessoa a quem é dirigida a fala obscena, não é tanto a mulher (este é seu alvo), mas sim o ouvinte, o homem. Assim a piada tendenciosa, atinge sua finalidade, tornando possível a satisfação de uma pulsão hostil frente a um obstáculo, contornando-o e extraindo prazer de uma fonte que o objeto havia tornado inacessível. O que é outra maneira de dizer que ele produz prazer, pois suprime uma inibição.
Neste aspecto, e por este caminho, é que levantamos a opinião que o prazer é ocasionado pela supressão das inibições, algo que de fato nos doais atuais, tem se tornado também cotidiano.
“Não deixa de ser fato corriqueiro a obscenidade do cotidiano. No entanto não em linguagem direta, mas sim sempre por meios metafóricos ou de encenação mesmo. Algo como a poesia e o teatro. Não falta lirismo também dentre estes meios, seria como dizer que dentre a vida e o cotidiano passamos por diversos momentos dantescos, como que em viagens entre o céu o inferno e o purgatório.” (ADAMI, 2015)


FREUD S. Os Chistes e a Sua Relação com o Inconsciente. In: Obras Completas Sigmund Freud, vol. VIII. Rio de Janeiro: Imago, 2006.

MEZAN R. O Tronco e os Ramos. São Paulo: Companhia das Letras, 2014.

PONTALIS J. B, MANGO G. E. Freud com os Escritores. São paulo: Três Estelas, 2014.

1FREUD S.“O Chiste e suas relação com o inconsciente” op/ cit, p. 265.

2Por Zote, se acompanha um problema de tradução, no entanto é importante considerar os sentidos referentes a encontrados, como: paspalhão, idiota, pateta, estúpido, ignorante.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

A ansiedade e o empresário no divã

A ansiedade faz parte da vida de todos, no entanto, é interessante notar, que não se parece ser algo que preocupe fora da adrenalina e da química do corpo. Como se a ansiedade fosse um simples elemento de distúrbio. Aí como é distúrbio, eu que não tenho, quem tem é o outro, os outros.
E como de fato, ansiedade é algo que todos sofrem, façamos referência que, ansiedade é algo que todos se queixam e descrevem como seu pior sofrimento, sendo que de fato neles atinge enormes intensidades e pode resultar nas atitudes mais loucas. Como as que levam um sujeito a falência frente a um negócio mal fechado, ou a perca de um patrimônio num jogo de poker pela crença que tudo vai dar certo acompanhado pelo medo do fracasso.
Dentro da ansiedade por fim, há a realística e a neurótica. A ansiedade realística se da diante de um problema a ser resolvido, como negócio a ser fechado, apresentação, palestra, etc. A neurótica por sua vez, é uma ansiedade necessária, algo como um medo que nos protege, nos faz ser mais diplomatas, cautelosos, nos protege das ameaças. Porém podes muito bem pensar, e esta certo, nem todos são assim. Pois é, nem todos são neuróticos, e as neuroses não são as mesmas. Cada sujeito tem sua própria subjetividade.
Ao se falar de ansiedade, sempre há um caso diferente em cada pessoa. Pode ser que hajam coisas muito parecidas de um com outro, mas de fato, sempre são casos diferentes, diferentes histórias, diferentes subjetividades.
Mas nos refiramos aqui a ansiedade presente nos negócios, no empreendedorismo, naqueles que normalmente costumou-se ver como implacáveis, controlados e sem perturbação. (Cláro que nos casos que se fazem dignos de tal admiração)
Porém a ansiedade da maioria dos empresários, é a segunda, a neurótica, especialmente quando estão em situações difíceis. Se a ansiedade realística nos faz ser prudentes, a segunda nos faz arriscar mais. As duas são baseadas no medo, mas o da segunda é imaginário.
Isso é frequente em empresários, vivem em um frequente estado de insatisfação. Mesmo quando tem uma fonte de lucro seguro na empresa, tratam de abrir mais frentes, em uma impulsividade incontrolável.
Porém de fato, a ansiedade não é algo próprio da empresa, pois se o empresário deixasse a empresa, levaria sua atitude ansiogênica para qualquer atividade.

Medo como raiz da ansiedade

Dentro de nossa história e a formação de nossa subjetividade, assim como avançamos em compreensão do mundo e ganho de realidade, com esta se somam, medos, complexos, dentre outros. Formas por fim com as quais nos protegemos e de certa forma as vezes também, atrapalhamos a nós mesmos. Dentro destas por fim, esta o medo de ser preterido e humilhado, medo de perder o status quo e o medo da perda de controle. No primeiro citado acima, o medo se relaciona com não ser reconhecido, não se destacar ou de não ser reconhecido pelas pessoas. “Em geral, aparece em decorrência de mães que educam por comparação: “Não seja como seu primo”, “Faça como seu irmão”, “Olha como sua prima deu certo”, “Viu o que o papai fez?”” (Garcia, 2012, p. 71). No segundo caso por sua vez, é o medo que inibe a capacidade de mudança, pois independente do estado de vida que o sujeito escolheu, há um gozo nisso, mesmo que o sujeito não se de conta disso. Esses são os ganhos secundários.“Em geral pessoas assim são as que foram educadas com mensagens orientadas para a perda: “Se você não estudar, não vai viajara nas férias” A mãe introjeta na crian,a a predominância de preservar.” (Garcia, 2012, p. 72), No terceiro caso também há um medo que inibe as mudanças, porque se as cosias continuarem do jeito que estão, bem ou mal vai dar para controlar o resultado. O que faz com que alguns empresários percam a capacidade de inovar, fazer diferente.
''É sabido que a presença da mãe na criação fortalece a autoestima, e que a presena, do pai reforça a capacidade de estratégia e planejamento.” (Garcia, 2012, . 72) Para desenvolver um filho mais empreendedor, é preciso que o pai “roube”o filho da mãe, propondo atividades entre dois, nem que seja uma simples caminhada, como ir até o posto de gasolina da esquina de casa, mas que haja um entrosamento entre os dois. “Algumas mãe não permitem isso; intrometem-se de tal modo que não deixam que o filho note a figura masculina. Agem como a Dalila da mitologia, que suprime a forçá de Sansão ao lhe cortar o cabelo.” (Garcia, 2012, p. 72,73).
A autoestima é um sentimento interno, uma certeza em ter a capacidade de resolver problemas e lidar com situações difíceis. A autoconfiança por sua vez, é externa e se manifesta mesmo que não haja a segurança interior. Na personalidade empreendedora, a autoestima é frequentemente menor que a autoconfiança, pois por sua própria posição o empresário tende a demonstrar segurança, mesmo quando quando não tem convicção de que é capaz. Parecem pessoas autoconfiantes, mas são fragilizados, tem ações inesperadas, repentinas como algo que acontece no momento inapropriado no sentido contra fóbico.

Aqui chegamos ao ponto crucial do texto e da trama desenvolvida aqui, afinal de contas, o que nos deixa diante do desamparo?

GARCIA L. Empresários no Divã. São paulo: Editora Gente, 2012. 

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Postar para ser alguém?

  A ordem das coisas, nunca foi tão procurada e tão confusa. Vida que se vive, não é só mais uma, se é preciso viver duas, a real e a que você mostra pros outros. Sobre isso não se cansa de fazer ironia inclusive na internet pelo youtube e redes sociais. Porém uma ironia que as pessoas agregaram a sua vida cotidiana como parte dela. Afinal, tudo o que se faz é preciso postar, é preciso passar a imagem que...
Fica algo posto como o espírito do tempo, cultura, algo do funcionamento geral do cotidiano. Porém aqui não podemos por isso afirmar que em todo planeta aconteça isso. É uma questão geográfica, acontece conforme o local. E falando nisso, que o diga o Brasil, que tem mostrado muito mais viver por imagem do que pelo real.

Talvez a geografia que falemos aqui está no psiquismo, uma questão da cultura mesmo e de como as coisas se desenvolvem na estrutura central da sociedade, a família.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Aborrescência ou Adolescência?

Mito criado no início do século XX, a adolescência é uma das formações culturais mais poderosa de nossa época, prisma pelo qual os adultos olham e os próprios adolescentes contemplam De certa forma uma entidade, um enigma sustentado pela imaginação de todos.
É comum ouvirmos chamar nossos jovens de aborrescentes, tanto pelos pais destes, como por um senso comum, como na escola e na vida cotidiana. Porém, dificilmente alguém se pergunta o por quê do termo. Se lhe é perguntado, a resposta é breve, afinal, são aborrescentes mesmo, não escutam, querem do jeito deles.
No entanto, as coisas não são bem por aí, a adolescência incomoda muito mais por aspectos pessoais de quem vê, do que pelo fato de ser um tempo de individualismo e impulsividade, afinal de contas.
Dentro da adolescência, vemos surgir grupos, ideais e a identidade do sujeito, onde este em procura de si mesmo, busca incessantemente uma forma de ser reconhecido, como algo que lhe permita também participar do mundo adulto. “O que vemos no espelho não é bem nossa imagem. É uma imagem que sempre deve muito ao olhar dos outros. Ou seja, me vejo bonito ou desejável se tenho razões de acreditar que os outros gostam de mim ou me desejam. Vejo, em suma, o que imagino que os outros vejam.”(Calligaris, 2009, p. 25)
Parado na frente do espelho, medindo as novas formas de seu corpo, caçando as espinhas e cravinhos, ojerizando seus novos pelos ou seios, o adolescente vive a falta do olhar apaixonado que ele merecia quando criança e a falta de palavras que o admitam como par na sociedade de adultos. A insegurança se torna assim o traço próprio da adolescência. Se lança assim numa pergunta, que durara o tempo (indefinido) de sua adolescência, o que será que os adultos querem e esperam de mim?
“O fato é que a adolescência é uma interpretação de sonhos adultos, forçada por uma moratória que força o adolescente a tentar descobrir o que os adultos querem dele.” (2009, p.33) Suas condutas em suma, são tão variadas como os sonhos adultos, expressão dos desejos reprimidos destes, por isso transgressoras. Ao menos aos olhos destes.
Na procura de reconhecimento, seduzido pelos caminhos que lhe são oferecidos, quanto tenta se integrar, se marginaliza. Transgridem para ser reconhecidos, e os adultos para os reconhecer constroem visões deles.
Estas visões são também de fato as linhas sobre as quais se organiza o comportamente adolescente em busca de reconhecimento, sendo ao mesmo tempo solidificação da rebeldia extrema dos adolescentes e sonhos, pesadelos ou espantalhos dos adultos. Destaquemos cinco dessas: o adolescente gregário, o delinquente, o toxicômano, o adolescente que se enfeia e o adolescente barulhento.
Dentro de suas novas descobertas, e da nova imagem que desobre de si o adolescente busca novos grupos, uma nova condição social, em que sua admissão não dependa mais dos adultos, transformando assim sua faixa etária num grupo social, onde os adultos são excluídos. Contrários agora a visão que tinham quando crianças, a verdadeira comunidade não é mais a família. Um movimento de certa forma hoje, não tão somente dos adolescentes, pois os adultos fartos de responsabilidade, sedentos de liberdade, também partilham dessa mesma experiência, ou invejam os adolescentes.
O grupo adolescente de toda forma, seja ele um estilo compartilhado ou uma gangue, aos olhos dos adultos é visto como uma patologia. Os gostos gregários dos jovens são considerados anormais e perigosos. Sem se perguntar muito por que os adolescentes são gregários, os adultos demonizam os grupos dos adolescentes, pois de fato a própria constituição do grupo adolescente é aos olhos dos adultos uma espécie de transgressão.
Ora os adultos consideram suspeito este afastamento dos adolescentes, justamente porém não sabem, ou não prestam atenção eles, que ocorre pelo reconhecimento negado ao adolescente. Trata-se de conseguir um reconhecimento, para o qual ninguém sabe lhe dizer quais são as provas, qual é o ritual iniciatório necessário.

Dentro ou fora da prática gregária, os jovens não desistirão de tentar sucitar a atenção e o reconhecimento dos adultos. O grupo que eles vierem a constituir seguirá um modelo de ação que deverá transgredir o pacto social, já que continua viva a esperança de merecer, por essa transgressão, a atenção dos adultos. A transgressão tenta encenar o que os adolescentes acreditam ser um desejo recalcado (esquecido) dos adultos. Há o projeto de entregar como presente para os adultosum comportamento, um gesto, do qual eles teriam sido frustrados e, assim , de merecer uma medalha. Quanto mais a interpretação do desejo dos adultos for certeira, mais esse projeto fracassará. Nesse caso, a transgressão adolescente presenteia os adultos com uma imagem que justamente eles querem reprimir. O erro dos adolescentes (erro em relação a sua própria estratégia) é pensar que para os adultos possa ser agradável encontrar uma encenação de seu próprio recalque.” (CALLIGARIS, 2009, p. 41)

A visão da adolescência que mais preocupa os adultos é a da toxicomania. Os adolescentes seriam mais sensíveis que os adultos ao uso de drogas ilegais. Na verdade não seria difícil argumentar que o interresse para as drogas dos adolescentes de hoje é a atuação da geração precendente. “Os adolescentes de hoje são os descendentes de uma geração que explicitamente ligou o uso das drogas a todos os sonhos de liberação e revolução (pessoal, sexual, social, etc.) que ela agitou e subsequentemente recalcou.”(2009, p.45)
Há também, o adolescente que se enfeia, como uma agressão ao padrão dominante, como uma forma de desafio a aprovação do adulto. No entanto, não é só pra isso que aponta este ato. Dentre suas funções de desafio ao mundo adulto, também esta a constituição de um novo grupo, onde todos se aprovam, agregando também em algumas ocasiões a recusa da sexualidade, e sobretudo da desejabilidade como valor social.
Uma recusa diante de si mesmo e o medo da desaprovação, uma forma de encontrar uma desejabilidade e sexualidade fora da norma. No entanto, a grande maioria dos adolescentes de cabelos ultraloiros, brincos, tatuagens e cara feia, caso encontrassem a si mesmos numa rua escura, trocariam de calçada preocupados ou correriam para casa assustadíssimos.
Em todas as suas tentativas de desafiar e provocar, o adolescente encontra uma dificuldade, onde por mais que invente maneiras de se enfeiar, se distanciar do canône estético e comportamental dos adultos, a cada vez, rapidamente a cultura parece achar meios de idealizar essas maneiras, de transformá-las em comportamentos aceitos, até desejáveis e invejáveis. Ou seja, a adolescência não para de alimentar os ideais sociais e do adulto. Um fato, que indica muitas possibilidades como explicação a adultos que vivem como adolescentes em nosso dia a dia de 2015.
Deste breve mergulho que fizemos nas fases e interpretações da adolescência, é possível visualisar sobre o mundo adulto, a construção da identidade deste, as interpretações sobre os que passam pela fase que eles já passaram e a perspectiva e projeções feitas sobre estes.

CALLIGARIS C. A Adolesência. São Paulo: Publifolha, 2009.


terça-feira, 7 de julho de 2015

Os Inimigos da democracia

Dentre os inimigos da democracia, há vários, inclusive aqueles que acreditam nela. Porém, o que parece que não se sabe, é que ela foi, digamos, escanteada a algum tempo, e as pessoas não perceberam. Se perceberam ainda não admitem a não ser nos falatórios que não levam a nada.
Quem manda hoje que tem haver com cracia, é a plutocracia, as coisas que estão sobre o domínio e interesse da mídia, daquilo que eles desejam que você acredite que. A verdade saiu de foco, se a alguém interessa é aos filósofos, psicólogos, psicanalistas...
Não é de tudo que se desconhece, pois é de conhecimento de grande parte da população que frente a TV e programas transmitidos por esta, se joga muita informação as pessoas, de forma a que se as modele conforme se deseja que elas sejam. E de fato, também se sabe que isso parte do desejo de alguém, ou as vezes alguns. Aqueles que detêm o poder, que detêm os meios de comunicação.
E é nisso que surge a trama, a trama do cotidiano, do dia a dia. Nela se inscreve a visão política, social, econômica, de moda, entre outras. Forma os modos de pensar, de conceber as coisas como verdade diríamos. E neste ponto, não falta espanto para as pessoas diante delas mesmas, do duplo de si e do outro. Nada tão temível como o duplo de si. Quanto a isso, é comum escutarmos de alguns, que não se suportariam, e também de fato há a grande maioria que nada diz, mas que não suporta muito de seus atos e constrói um grande ritual para poder converter o feito, ou simplesmente nega e diz que tá tudo bem.
Porém, estaríamos nós aqui mentindo também, se admitíssemos que a manipulação dos fatos e da verdade se encerra por aqui, no que a mídia quer contar. Nesta trama também se insere uma questão de história e pura encenação, de acordo a manipulação dos fatos e do que se quer contar e das promessa miraculosas. Promessas que escondem o sentido e não dão espaço a liberdade de pensamento, em outras palavras barbárie.
Nesta trama se inscreve as promessas messiânicas dos novos tempos. Nestas promessas, se criam contextos e elementos que firmam a necessidade da intervenção, como se fossem eles a polícia do planeta que luta contra a desordem e os fora da lei. Algo inclusive que nos lembra da Gestapo, polícia especial dos nazistas.
Creio que já tenha pensado, quem são os que fazem isso. Não é preciso os nomear, mas se o fizesse seria concordar com sua dominação e forma de entrar em nossa mente e nos manipular. Sim, estes são os Estados Unidos, aqueles que pregam a liberdade, e da mesma forma modelam a sua, mesmo você não morando lá e estando muito longe.
Nisso se cria um sistema de vigilância, de tal forma como colocado por Orwell em 1984, obra clássica onde fala da dominação do grande irmão. De fato aquilo fazia muito referência ao antigo regime de Stalin e do comunismo, no entanto hoje, no pós comunismo, depois de 1994 e a queda do muro de Berlin, a intensidade do grande irmão se comprova a cada dia.
Se duvida de minhas palavras, consulte o wikileaks. A maior ferramenta de denúncia e monitoramento que conhecemos hoje dentro do sistema de internet. Funciona de tal forma, que não sabemos se ele nos informa da espionagem, ou se nos espiona.
Vivemos de tal forma, que somos estranhos a nós mesmos. Cada vez mais câmeras, e mais incentivo a suposta segurança, mas segurança do que?
Há liberdade ainda nos sujeitos? Há segurança, pelo menos de si a si?
Ainda há, mas não neguemos os fatos que a sistematização do olho vivo e do grande irmão, cada vez mais nos paranoiciza quanto ao estranho outro que se encontra ao nosso redor, o que de fato também aumenta os indíces de xenofobia e de distanciamentos dos outros.

São questões por fim, que nãos e pode julgar tudo de uma forma só. Cada país tem sua forma de cultura e de funcionamento, uns funcionando de tal forma, que as pessoas estão mais separadas entre si emocionalmente, mas muito aproximadas profissionalmente em suas funções pelo contato e eficiência. E há também os lugares onde o convívio seja cativante, mas a economia seja precária. Que o diga o brasil, que eleva sua beleza natural e convívio social, mas nega a todo custo a violência e precaridade do sistema. Sendo que inclusive, a proposição que afirma que somos um país de ótima beleza natural e povo acolhedor, é uma forma de negar a violência social e sistema falido, porém falido para alguns, para um grupo que não deixa de se renovar, este sistema é o melhor.

domingo, 28 de junho de 2015

A Linguagem do Obsceno

Não deixa de ser fato corriqueiro a obscenidade do cotidiano. No entanto não em linguagem direta, mas sims empre por meios metafóricos ou de encenação mesmo. Algo como a poesia e o teatro. Não falta lirismo também dentre estes meios, seria como dizer que dentre a vida e o cotidiano passamos por diversos momentos dantescos, como que em viagens entre o céu o inferno e o purgatório.
Contra isso e a percepção do mesmo surgem as propagandas do mercado, o incentivo ao consumismo e a venda da felicidade, onde se acredita estar feliz a todo o momento. A luta pela felicidade se torna motivo de conquista ou derrota. Não se pode se dizer infeliz, tristeza não consta dentro dos limites do possível da vida.
Quanto a isto surge a linguagem do obsceno, da piada e da encenação, afinal de contas, nem tudo que se tem vontade de dizer, se pode dizr. Algumas coisas devem ser mascaradas, mas como nem tudo dá (não há quem aguente) algumas surgem dentro das piadas e também da linguagem do obsceno, imoral, debochado, por fim, fora da linguagem conhecida hoje como politicamente correto.
Politicamente correto é ser feliz, não ofender, nem dizer aquilo que se desejaria. Uma nova forma de implantar novos costumes. De certa maneira, até uma nova moral. A moral da purilidade, se, se tem vontade de falar certas coisas, como o ódio que se tem, ou o despeito das ações de um outro (normalmente do campo político), se deve falar dentre um meio possível. Normalmente de amigos e pessoas de ideias parecidas.
Dentre esta nova forma, se instala a permissão ao obsceno, imoralidade, deboche, indecênscia, inconveniência, pois se for feito não se pode falar. É feio, incorreto, o politicamente incorreto. E assim, se abre espaço a impunidade, dentre outros. Que o diga a política!
No entanto não é só a política, quem se exerce desta nova forma imposta. Isso se tornou cotidiano. Dentro do dia a dia, não se pode falar sobre si direito em público, muito menos sobre os outros. Isso pode cair nos ouvidos errados e acabar gerando um processo, ou alguma inconveniência.
Nisso, entram as formas com as quais funcionam os julgamentos. Enganam-se falando nisso, aqueles que aceditam que se baseiam estes na verdade dos fatos e na justiça. Audiência, processo, se ganha por força de argumentação e provas. E isso não é de hoje. Usando os termos de Dante dentro da divina comédia, é como viajar ao inferno e conhecer os velhos personagens que foram lá colocados pela história. Há tempos o direito funciona assim. E não é prioridade de nenhuma país, é um sistema geral.
Seria longo demais contar esta história aqui também, recomendo aos interessados, que leiam Foucaul e Giorgio Agamben que segue as linhas deste. Mas voltando ao que aqui se fala, dentro desta nova forma de moralidade vigente em nossos tempos, parece se suprimir a ética, que seria a prática da moral, em favor dos interesses pessoais. Imperativos morais, que sirvam pros outros, eu tenhos os meus...
Aqui entra de fato a nova forma com que as coisas acontecem. Uma forma inclusive da qual se bus não se falar. Perversa. Inclusive, nem mais assim se chama, agora o Manual Diagnóstico tentou enquadra-la num nome um pouco mais pomposo, parafilia afinal, perversão é feio! E é feio mesmo, se caracteriza pelas atitudes e imoralidade do praticante. Se há moral e ética nestes, a única que existe é a própria. Se há ética fora, seguem pelo convívio com o social, no entanto não deixam de buscar os furos possíveis, afinal, conhecem também muito bem a lei e os seus limites. Logo então maior que esta é a sua.
Pessoas assim, não deixamos de encontrar em nossas vidas, seja aquelas que vemos na televisão em seus discursos vazios, penetrantes e emocionantes, seja em comícios ou palestras da empresa. Sempre haverá aquele que sabe seduzir por um discurso vazio onde não há valor no que se entende de, mas sim no que se cativa dos ouvintes.

E de fato, isso se tornou uma forma de se ganhar as coisas, a final, aqui se lida com o desejo, é preciso movimentá-lo pra que exista comércio e relações interpessoais.

domingo, 7 de junho de 2015

A lei da Guerra



Sempre quando falamos sobre questões de guerra, amor, relações sociais, há certas regras implícitas nisso, como se ali houvesse um jogo onde que dentro deste as jogadas permitidas estivessem dentro de um campo. Eis então, as regras, leis do jogo. Válidas muitas vezes tanto na guerra como em outras circunstâncias da vida, a final de contas, é muito comum ouvirmos falar, ou lermos na literatura que a vida é como uma guerra. Tem suas leis.
Dentro destas lei, é importante se situar diante dos próprios. “Governar sobre muitos é o mesmo que sobre poucos: é uma questão de organização.Controlar muitos é o mesmo que controlar poucos: é uma questão de formação de sinais.” (TZU, 2011 p. 57) Em outras palavras, a organização é fundamental para que se mantenha a ordem. Algo por fim, que podemos trazer para nossos dias com relação as empresas e sua forma de organização, onde quando falamos de organização, pressupomos junto com isso a estratégia.
Nesta estratégia, é fundamental que o líder conheça os liderados, entre muitos ou poucos, o que faz a diferença é a organização que se mantêm, desde papeis hierárquicos a pessoas capacitadas para realizar sua devida função.
Esta ordem fundamental, partilha de muitas ideias dentro da teoria organizacional desde o começo do século XX e o taylorismo, sistema inclusive muito presente ainda hoje. Esta forma de empreender e melhorar a qualidade de vida do funcionário trabalhou sobre a participação do lucro, onde se acreditava que, podendo participar nos lucros da empresa o trabalhador se sentiria mais motivado e teria uma melhor realização no trabalho. Porém, muitas teorias depois vieram a criticar este sistema pela sua não satisfação psicológica e exploração do trabalhador sem o levar em consideração.
No entanto, esta forma, ainda é muito presente hoje e não deixa de incentivar os funcionários a que rendam mais. Cunhamos conhecer hoje este manejo como metas. Aqui vale nos retomarmos a Sun Tzu mais uma vez, mas agora de acordo as atitudes que ele diz serem necessárias para que um exército vença. Dentro desta batalhe, é importante também, nos valermos de um provérbio Chines, no qual se fala que: o mundo dos negócios é como um campo de batalha
Neste mundo por fim, é preciso tomar certas precauções e medidas:
Avaliação da situação, é preciso ter conhecimento do terreno, situação em que se esta disputando no mercado, e ter uma boa liderança, que consiga liderar e ter uma boa influência moral, capacidade de influenciar as massas numa confiança implícita na relação, tendo então um consqeutente comprometimento de todos operadores, vendedores em torno da empresa. Vale a construção da marca, inspira confiança dos fornecedores
Os soberanos são os que definem as estratégias, mas a execução é realizada, esta nas mãos dos generais competentes, em outras palavras, no mundo organizacional, a importância das lideranças conforme seu nível hierárquico está em: tratar bem os clientes, observar perigos, possibilidades e tirar rapidamente proveito delas. Tudo, numa relação conjunta com os vendedores, operadores.
Nestes aspectos é importante também, diante de novos investimentos e para manter os antigos que, se tenha informação sobre o ponto de batalha, onde será ela disputada, conhecimento do terreno para nele intervir, o ganhar e depois mantê-lo.
Por mais que uma empresa seja grande, é de fundamental importância que se o mantenha sobre constante treinamento e desenvolvimento, pois a falta de treinamento o fara sucumbir diante das dificuldades e diferenças de cada nova situação e cliente do dia a dia. Nas empresas, é preciso investir no treinamento dos colaboradores para que estes tenham conhecimento de seu trabalho e das propostas e metas deste de acordo com as mudanças que ocorrem no mundo empresarial.

Quando empregamos a expressão, “capital humano”provocamos um choque, em um primeiro momento, nas pessoas com pouca familiaridade com os termos técnicos do mundo da gestão empresarial. Afinal, o termo “capital”está associado a “bens”e “produtos”, como uma casa, uma máquina, um caminhão, entre outras ferramentas de produção capitalista. Poucos associam ou sabem que a palavra capital tem origem latina e significa “principal”- como a capial do Império Romano ou os pecados capitais, por exemplo”FILHO, MEUCCI, 2013, p. 92)
Em outras palavras, cada colaborador representa para a empresa uma forma de capital humano, ao qual é interessante se ter em mente dentro de suas capacidades e o local melhor que ele possa tanto render, como se sentir realizado no que ele faz.

Referências Bibliográficas:
TZSU SUN. A arte da guerra. São Paulo: Jardim dos Livros, 2011.
FILHO B. CLÓVIS, MEUCCI ARTHUR. O Executivo e o martelo. São Paulo: HSM editora, 2013.

Alessandro Adami Psicólogo


segunda-feira, 11 de maio de 2015

A lógica do ser humano

É comum ouvirmos hoje no meio empresarial que as pessoas se identificam com algum animal. O mais comum se ouvir desejar ser é o gato, porém não são todos que são gato. O importante de toda forma é não ser tubarão, porém quero me usar aqui do tubarão para exemplificar que essa lógica de identificação não cola bem.
Em uma entrevista ao maior oceonógrafo do século XX, Jacques-Yves Costeau, um jornalista lhe faz uma perguntas pautadas em nosso medo ao tubrarão, a chance que há de ele não nos atacar, como podemos sair ilesos, entre outras. Porém em todas as perguntas a resposta era nula ou sempre, pois o tubarão sempre irá atacar e a possibilidade de sair ileso é nula. E vale considerar que diante destas respostas e do que esperava o jornalista ficava irritado, pois em nenhuma pergunta tinha a resposta que esperava. Então Costeau lhe explica, essa é a lógica do tubarão.
No entanto nós humanos diferente dos animais, não nascemos prontos. E isso é o que nos separa deles. Antes de fazer uma comparação de nós com os animais, é preciso comparar eles a nós. Gatos, gaviões, lobos, tubarão, e também outros animais, compreendemos através de nós mesmos, pois se formos nos entender a partir deles a lógica se torna reducionista e parece que nos estaganamos, seria como dizer estamos prontos, chegamos aonde queríamos. Algo que levanta certa preocupação. Mas aí você que é conhecedor do teste pode me objetar que são apenas características dos animais com certa predominância, sendo que um certo tipo é o que é primordial no comportamento, mas também há abertura e manifestação dos outros.
E isso de fato também é verdade, mas vale aqui a reflexão, provocação para se pensar além de, pois como já dito acima, essa lógica do comportamento se torna também reducionista quanto as capacidades e comportamentos do ser humano.
A lógica conforme os animais, nos deixa como que prontos, ou já enquadrados naquilo que nos será esperado que façamos, como se já fossemos prontos. Ilustrativo desta situação ocorre também nas empresas, quando recebe-se do chefe ou supervisor um perfeito, que traduz muito bem um: continue assim, é isso mesmo que esperamos de você. Em outras palavras também, a rotina se instala. E é por aí que ficamos...
“Nascer sabendo é uma limitação porque obriga a apenas repetir e, nunca, a criar, inovar, refazer, modificar. Quanto mais se nasce pronto, mais refém do que já sabe e, portanto, do passado; aprender sempre é o que mais impede que nos tornemos prisioneiros de situações que, por serem inéditas, não saberíamos enfrentar.” (CORTELLA, 2014, p. 13)
Diante dessa realidade é estranho pensar que quanto mais vai vivendo, mas velha a pessoa fica, pois se fossemos sustentar esta lógica, do nascer pronto, apenas iriámos ir nos gastando com o tempo. Porém isso, não se fecha nem a nós e nem aos animais, mas sim a coisas como o sapato, a geladeira, o fogão...
De toda forma é preciso aqui assinalar a diferença entre nós e os animais, pois eles nascem prontos, mas nós, nos tornamos a partir de que existimos. Parafraseando Cortella, a cada novo ano, ou novo dia, sou uma nova edição de mim mesmo. “O mais velho de mim (se é o tempo a medida) está no meu passado e não no presente.” (2014, p. 14)
É importante considerar, por fim, que a cada novo tempo, somos um pouco diferentes, não funcionamos do mesmo modo sempre. As testagens, sejam elas administrativas ou psicológicas demonstraram algo de nós naquele momento, no entanto, dificilmente um teste só dará a compreensão completa de nossa personalidade.
Sem criar delongas, ou uma discussão sobre a técnica dos testes, é interessante ponderar que, sempre que há um teste comparativo com algo, há um enquadramento para uma compreensão, seja esta da ordem do que se procura nos testes profissionais, ou de uma compreensão mais voltada ao diagnóstico em casos de pacientes em tratamento psicoterápico ou psiquiátrico.
Algo de certa forma que incomoda as pessoas, pois às vezes diante de um teste, ficam numa situação nunca tida antes, diante de si mesmos.


Referência Bibliográfica:

CORTELLA M. Não Espere pelo epitáfio. Rio de Janeiro: Vozes, 2014.

CORTELLA M. Não nascemos prontos. Rio de Janeiro: Vozes, 2014.

terça-feira, 5 de maio de 2015

A dissimulação de si mesmo

 O mercado dissimulado das relações pessoais é cada vez mais exploratório. A maior falha dos candidatos esta em seus próprios critérios entre certo e errado. Daquilo que ele leva como imperativo. A falta da dissimulação, do bom dia a quem não se gosta. Do caráter animado que nem sempre consegue manter.
Manter a autoestima em auto nível todos os dias não é pra qualquer um que seja humano. A não ser que ele ainda esteja longe dessas características, pois ser humano também esta implicado em sentir angústias, tristezas e a dor do viver, que normalmente se confunde com depressões. Nem tristes podemos mais ficar, que já tem uma tabela diagnóstica nos esperando. Porém não é por aí que as cosias acontecem, pois também não deixa de ser fato que ainda há uma grande confusão sobre a compreensão do ser humano. Essa grande confusão se passa entre a regressão de certas fontes de conhecimento como o biologismo que retorna a teorias do século XIX com o geneticismo, acreditando que tudo parte de algo genético, como da não aceitação dos avanços tidos sobre o ser humano por parte daquilo que não se aceita como evento de importância histórica.
Porém é interessante considerar como colocava Foucault, que para fazer uma genealogia, ou compreensão de uma ciência e sua trama, é preciso também uma leitura anti histórica, daquilo que não foi muito divulgado. Na história sempre há os vencedores e os vencidos. Aquilo que se deseja passar como verdade e aquilo que por ter sido vencido se deixa apagado. Estes fatores apagados e não muito divulgados na época voltam numa época posterior a partir da leitura de interpretes ou estudiosos.
No entanto nos mantendo nos fatores não muito percebidos de hoje em dia. A difícil tarefa de se manter em um nível constante tanto no âmbito do trabalho como do lar parece cada vez mais difícil fora dos padrões impostos. A esta frustração se adicionam a bebida, o cigarro e as drogas. Como dizem os próprios psicanalistas, como adição mesmo. O psiquismo não consegue mais suportar por si só a carga que lhe é direcionada, voltando-se com isso a formas de adição que lhe permitam coisas que por si só não consegue.
Nisso nasce a cultura ao hedonismo, do constante prazer. Pensar não precisa mais, pois se pensar haverá de se angustiar. De tal forma que grandes pensadores normalmente são classificados como pessimistas, como se fossem pessoas de um grande mal humor ou nostalgia revelada nos textos. Literatura de época é a literatura beath. Como se diz o dito popular, “vida loca!”
Isso coloca como imperativo a busca por algo a mais, além de nós mesmos que nos auxilie a aguentar o pessoa da vida e a frustração imposta por esta, como se fossemos incapazes de pensar por nós mesmos uma forma de lidar com o mal estar cotidiano. De toda forma, se chegamos a pensar, é difícil poder continuar, é melhor deixar isso de lado...
Conforme McDougall (2001, p. 200) “buscar um objeto adictivo não era um desejo consciente de se envenenar; ao contrário, era um ato que carregava a ilusão de fazer algo para ajudar a si mesmo em meio às dificuldades da vida cotidiana.” A busca aditiva, esta relacionada a uma busca por ajuda a lidar com angústias ligadas as relações amorosas, sexuais e ao prazer narcísico nas relações sociais e de trabalho, e também a angústias ligadas a depressões, paranóias, o terror globald e encarar algum vazio, entre outras.
“A “escolha” de um objeto adictivo raramente é questão de oportunidade. Cada ato ou objeto selecionado tende a corresponder a períodos especiais do desenvolvimento nos quais houve o fracasso na integração dos objetos internos que ajudam e cuidam. Além disso, o objeto escolhido revela a busca do “estado ideal”que o indivíduo espera alcançár por intermédio da substância, da pessoa ou do ato, procurados: plenitude, exaltação, potência, ausência de dor, nirvana e assim por diante.” (MCDOUGALL, 2001, p. 203-204)

Dentro desse modo de adição, onde tem conjuntamente um terror do futuro e dor do passado, o sujeito tem grande dificuldade em conter e suportar afetos intensos dentro de qualquer período de tempo, passando então a descarregar esses afetos pela ação imediata. Diante disso, o sujeito fica entregue a compulsão, repete seus atos como um gozo, um gozo no entanto mais reservado ao sintoma, pois de gozo em si mesmo a quantidade que sente o sujeito é mínima. Serve mais essa busca como modo de sobrevivência e sentimento de si, no entanto de forma desligada e destrutiva.
Conforme Ferenczi, num artigo entitulado O alcool e as neuroses, o sujeito busca no alcool e outros meios que Joyce Mcdougall chama de adição um efeito incapaz de produzir por si mesmo, como a euforia, muito comum nos casos de alcoolismo.
É comum dentro de nossos dias também escutar que depois de tomar alguns copos de cervejas, o sujeito muda seu humor e logo se torna mais corajoso e mais alegre, como que mais despreocupado com suas questões morais. Lembrando Freud, o alcool, dissolve o superego. Aí é difícil que o sujeito tenha ativo as mesmas questões do seu funcionamento do que na vida cotidiana.
Porém a questão fica relacionada ao por quê dessa adição para poder realizar tais atos desejados, como se como colocaram Ferenczi e Mcdougall o sujeito precisasse adicionar algo além de si mesmo para si, para que possa realizar sua ação e ter o alcance do ponto de prazer desejado.,
De fato Joel Birman esta correto ao afirmar que em nossos tempos há uma nova forma de subjetivação e de pacto. As novas formas de pacto estão justamente de acordo com as adições ou como chama Birman, toxicomanias.

A hipótese que formulamos é qu as toxicomanias – nas quais incluo o alcoolismo – se inserem na estrutura perversa o que não ocorre necessariamente com outros usuários de drogas. Nestes, a relação com a droga pode inscrever-se em diferentes estruturas psicopatológicas, inclusive a perversa. Assim, entre os usuários de drogas podemos encontrar neuróticos, psicóticos e perversos, nos quais a droga circula na economia psíquica de forma diversificada.”(BIRMAN, 2009, p. 208)

As drogas passaram a ser a forma privilegiada de acesso a outro mundo, como se elas rompessem as barreiras perceptivas e sensitivas impostas pela vida cotidiana. Não é difícil de entender que esta proposição é comum se ouvir da boca de usuários de drogas, como se eles buscassem justificativas para seu uso e ignorassem os efeitos mortificantes do mesmo.
Vale aqui considerar a classificação que Birman faz dos diferentes tipos de usuários de drogas, os relacionados a dependência psíquica e os que têm dependência física e psíquica.
Existem dois grupos de indivíduos relacionados ao consumo de drogas, considerando como critério de distinção suas formas de funcionamento psíquico: os usuários de drogas e os tocicômanos, que se apresentam como unidades clínicas diferenciadas. Os primeiros podems er considerados consumidores regulares ou irregulares de drogas, mas como grupo clínico se contrapõem aso toxicômanos.
Estes grupos se diferenciam pela dimensão compulsiva que marca a ingestão da droga. Os usuários de droga podem se valer da droga para seu deleite e em momentos de angústia, mas a droga nunca se transforma na razão maior de suas existências. Os toxicômanos, porém, são compelidos à sua ingestão por forças físicas e psíquicas poderosas. As drogas passam a representar, para esse grupo, o valor soberano de resolução de sua existência. (BIRMAN, 2009, p. 223)
Os usuários de drogas não desenvolvem um processo de dependência física das drogas, porém uma dependência psíquica. Já nas toxicomanias, ambas estão presentes de maneira avassaladora. Não obstante a presença da dependência física exige dos toxicômanos o aumento crescente da dose inicialmente ingerida e sua progressiva substituição por drogas cada vez mais potentes em busca de produzir os efeitos desejados.

Assim, nos interstícios do mundo desencantado, onde as ideologias redentoras do Iluminismo não têm mais qualquer apelo existencial, o desamparo do sujeito se recoloca, assumindo formas vigorosas e desesperantes. A busca de proteção face à angústia se empreende pelas formas de religiosidade que se apresentam como novas ofertas de salvação. Porém, para os incrédulos é preciso buscar os efeitos dionisíacos das drogas pelo narcotráfico e o silenciamento da dor psíquica pelos psicotrópicos. Em qualquer destas alternativas, o estilo de Dionisio se transformou e sua face se transfigurou, pois na dissolução das visões de mundo é patente a melancolia e a abissal tristeza de Dionisio.” (BIRMAN, 2009, p. 230)

O sujeito busca pelo uso das drogas se inserir nos novos ditames da cultura do espetáculo e seus imperativos, como aquilo de melhor que todos devem ser. Não deixa de ser fato que durante muito tempo a moral foi escrita e entendida conforme pensavam os filósofos, pensadores da moral. No entanto também se conservava a dúvida quanto a validade daquela moral e daqueles costumes devido a que dificilmente opiniões de autores fossem iguais.
Em nosso tempo, pode se dizer que aprendemos já a diferenciação entre certo e errado, aquilo qe é bom e o que não é, ou como se fala na linguagem dos meios de saúde, o saudável e o não saudável. No entanto esse mesmo filtro não se passa por todos, ainda de certa forma se mantêm restrito ao pessoal das diferentes áreas da saúde e ligadas a saúde. Por fim, quem tem contato com, seja no trabalho, seja em alguma experiência pessoal, tanto de saúde como de curiosidade.
Porém para poder entender um pouco melhor isso é preciso considerar um pouco mais sobre os adictos e a forma da moral e dos costumes de nosso tempo. É comum se propor dentro da literatura psicanalítica, sociológica, filosófica, que a pós-modernidade está marcada pela cultura do narcisismo, do espetáculo!
Dentro desta cultura o mundo se encontra esvaziado, pois desde a década de 60, 70 há uma nova forma de leitura do mundo, depois das revoluções ocorridas dentro deste tempo. É fato que isso não se encontra de igual forma explícito em todo mundo, pois como no caso do Brasil, enquanto a França e outros países tinham uma mudança cultural frente a um movimento e um novo pensamento tanto filosófico como de massas, aqui estávamos dentro da ditadura. Revolucionar não podia, era justo isso uma das coisas que se atacava e se proibia. A discussão seria linga de mais, se fossemos falar disso, pois há um eito de fatos, fatores e intenções. Porém vale marcar o pensamento de um pensador Francês que neste tempo propunha uma nova leitura. Pierre Bordieu. Bordieu de certa forma retoma o pensamento de Foucault sobre o poder. Porém a sua forma e de um jeito de certa maneira também inovador. Debate não só as instituições e lugares do poder, mas também aquilo escondido por este, as manipulações feitas através dos exercícios de poder.
O que vale marcar, é que a sociedade e a cultura, também fazem parte desta nova forma de organização dos sujeitos. Sendo que muitas vezes ela trabalha e age de forma dessubjetivante. Invés de ser algo a favor do sujeito, existe como algo indiferente a este. As instituições de ensino a exemplo, não formam mais sujeitos livres, se é que um dia tentaram, mas sim sujeitos formatados ao sistema. O ensino não deixa de ser mudado a cada novo governo. A leitura é tendenciosa...
Se você for querer descobrir sobre o mundo, boa sorte! Terás que caminhar sozinho.Estas entre outras novas formas de funcionamento do mundo, que abrangem nossa época, dão grande vazão ao vazio que se encontra nos sujeitos, a falta de sentido. Entre outras palavras, eis a cultura do narcisismo e do espetáculo.
E de fato a cultura também influencia na vida do sujeito, pois como acertadamente havia já dito Freud, o mal estar do sujeito esta de acordo a viver em sociedade. No entanto, Freud dizia isso quanto a uma sociedade repressiva, porém em nosso tempo, a sociedade convida ao prazer, a um prazer constante, como se não tivesse amanhã. Você precisa aproveitar o hoje. Isso implica, diversos fatores, porém um dos que vale frisar, é a falta de perspectiva de futuro, o que nos faz voltar a algo no início do texto, onde falamos sobre as adições e as formas presentes desta do temor e medo presentes entre o passado e o futuro do sujeito.
Usando uma expressão de Nietzsche, “De capo”, de volta ao início e chegando ao fim. Aqui fica uma situação múltipla e que de fato merece atenção. Atenção de nós mesmos e daqueles que trabalham com saúde mental, pois os elementos mortíferos presentes demonstrados aqui neste texto não deixam de assombrar com seu caráter nefasto!


Referências Bibliográficas:

FERNCZI S. O alcool e as neurose. In: Obras completas, vol I. São Paulo: Martins Fontes, 2011.
MCDOUGALL J. As Múltiplas Faces de Eros. São Paulo: Martins Fontes, 2001.
BIRMAN J. O Mal Estar na Atualidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2009.