Você já deve ter ouvido falar sobre as questões de condenação e o fato que isso supostamente passa por um crivo interno do sujeito ou conforme as ferramentas que este tem. A primeira ideia pela próprio título vem em ligação com as questões dos juízes. Bom, e é verdade, é de juiz que falo aqui, mas não o da corte e nem o penal. O juiz interno. Aquele que a partir de certos atributos aplica seu juízo, seja de bom e mau como daquele que se põe pra fora, onde se recusa aquilo que vem. Citando Freud, " Em princípio que é mau é alheio ao Eu e o que se encontra fora é-lhe idêntico. Em outras palavras, encontramos fora um motivo de condenação de algo que é nosso. Que não aceitamos em nós. Aqui cabe inúmeros exemplos, mas me aterei a apenas alguns, como a questão da semelhança, se sei que aquilo que estas fazendo, é algo idêntico a mim ou ao que fui, lhe reprovo em meu julgamento. Isso é mau, não vê que só faz cagada". Um exemplo onde é facilmente percebível que aquilo que condenas no outro não foi bem resolvido em ti. E como dizia Sartre, o inferno são os outros, mas cabe aqui acrescentar, o pior do inferno são os outros de dentro e não os de fora, porém, para reconhecer os de dentro precisamos dos de fora.
Isso vemos sobremaneira aplicado a letras de música, mas não como elaboração de conflitos, mas sim como exploração e demonstração do que é o social, tal qual valo-me aqui de letras do projota, Pra não dizer que não falei do ódio. Nesta letra fala de uma história de alguém que cresceu só e deseja a paz. Algo que não lhe foi possível antes. Porém o outro ao seu jeito e modos, costumes, tenta lhe aplicar um modo como achas que deve ser. E quando falamos de dever ser, tocamos um ponto muito interessante, pois diz respeito a algo sempre em perspectiva pra todos, onde é preciso elaborar, não sugestionar. Mas como cresce o modo que todos tem opinião e devem ter segundo a regra do social, regra é sugestionar. Mas pra que serve?
Nisso, entramos em conseguinte em outra questão do juízo, que também encobre a condenação, o juízo de existência, que se constrói a partir de nosso modo de vida. Bom, pelo menos deveria ser assim, mas o social que deveria ser algo que acompanha nas bordas, se torna o centro. E ai? E ai que o sujeito fica apagado, encarregado mais um na massa. "Mais um boi da boiada".
Contra a estas perspectivas, entra a questão do que é o social e se nosso dever ser segue o que disse ele, o aquilo que está em nós.
Pra encerrar, pra poder dever ser, é preciso primeiro ser. E nisso o centro não é exatamente o que diz o social, pois neste sentido, segue tu os rituais, mas e você?
quinta-feira, 28 de dezembro de 2017
terça-feira, 26 de dezembro de 2017
Literatura, figuras de linguagem e metáforas cotidianas
Com a ficção, sempre se criaram formas metafóricas, figurativas e linguageiras de falar sobre o drama humano. Estas formas, que se transformam em figura de linguagem, tem adentrado dentro do universo cultural das sociedades. Ainda mais hoje, quando livros viram filmes. Se não desejar, não precisa nem ler o livro, basta ver o filme. Neste sentido, há frases que se tornam universais e outras que entram dentro do vocabulário das conversas do dia a dia. Uma delas, quando a pessoa quer sair do ar, trocar a realidade, é "fui pra Nárnia", "tá em Narnia", que como se tornou comum conceber significa quero estar fora disso daqui, como está fora. E aqui, me atenho e me detenho nestas colocações, pois elas fizeram em grande sentido parte deste ano que se encerra. Ano em que gostaríamos de estar em outra realidade, tanto no sentido da fantasia como no sentido de qualquer outra, pois a brasileira ficou muito ruim. Mas cá entre nós, e a pessoal? Fui pra Nárnia, não seria uma forma de dizer que se foge da própria realidade?
As portas de Nárnia, são como as que dão acesso a outro mundo onde nossos problemas ficam de fora. É como retornar ao mundo infantil e deixar as preocupações da vida adulta de lado. É como voltar ao tempo de calmaria e fantasia para se evitar as turbulências do cotidiano ...
Porém, neste outro mundo, nós não deixamos de ser nós mesmos e tal qual no filme, há os que são heróis e os que são vilões. Bem como aqueles que guardamos dentro de nós mesmos em nosso imaginário e nossa fantasia. Um caminho, que percorremos, estando ou não estando em Nárnia, estando em nós mesmos ...
E é sob esta perspectiva, de nós mesmos que é preciso passar e vencer, crescendo aos poucos e criando as responsabilidades necessárias para viver, pra que a vida adulta não se torne tão penosa e difícil de sustentar.
As portas de Nárnia, são como as que dão acesso a outro mundo onde nossos problemas ficam de fora. É como retornar ao mundo infantil e deixar as preocupações da vida adulta de lado. É como voltar ao tempo de calmaria e fantasia para se evitar as turbulências do cotidiano ...
Porém, neste outro mundo, nós não deixamos de ser nós mesmos e tal qual no filme, há os que são heróis e os que são vilões. Bem como aqueles que guardamos dentro de nós mesmos em nosso imaginário e nossa fantasia. Um caminho, que percorremos, estando ou não estando em Nárnia, estando em nós mesmos ...
E é sob esta perspectiva, de nós mesmos que é preciso passar e vencer, crescendo aos poucos e criando as responsabilidades necessárias para viver, pra que a vida adulta não se torne tão penosa e difícil de sustentar.
quinta-feira, 21 de dezembro de 2017
A descrença da crítica política e social numa nação que paga as contas dos outros
Quem nasceu no final dos anos 80, começo dos 90, ou anterior a isso, conheceu o tempo da hiper inflação do brasil do começo da década de 90. E de fato, acho que este fantasma retorna hoje nos preços de mercado. Não é como foi, uma troca todo dia de preço. Mas de pouco em pouco é. E o pior, nada pra baixo, a não ser o salário e a renda. Em outras palavras, se pune a população por causa de erros políticos. Pra se safar, que se ferrem os outros. Se efetuam cortes nas funções mais essenciais para o desenvolvimento de um país. Tudo a menos, exceto os benefícios aos políticos.
Toda dia se assiste uma revolta devido a má gestão, ações sem escrúpulo nenhum. Uma absurda desfaçatez. Mas calma ai, isso ainda não é o pior. Estes mesmos que praticam tais atos, tendem a ser eleitos, ou reeleitos no ano de eleição, o que demonstra uma absurda ruptura e falta de contato por parte do brasileiro com a realidade. Invés de progredir, mantemos o mesmo. A discussão é ideológica, não costuma ser construída por meio de argumentos, mas sim por crenças. Em outras palavras, como se a fantasia pudesse se tornar realidade. Mas que realidade? Não está o povo desconexo da mesma:
Sim, conforme os dados e o que vemos é o que se tem a dizer. Falta crítica por parte de si mesmo. Se acredita no que disseram. Filosoficamente falando, pois é a filosofia que trata dos discursos, se constrói a verdade por meio de falácias, falácias de grandeza. E disso se serve a ideologia. E por pior, isso não acontece só na política. A política é reflexo do que é a cultura. E explicando o que é a falácia de grandeza, é sustentar um argumento porque fulano de tal falou ou fez assim. Um modo que perde, deixa de lado os critérios em prol da crença. Uma crença, percepção que se torna cega por si. Um modo onde todos estão contra todos. Imbuídos na massa, sem a possibilidade de ver de fora. É claro, enquanto se manterem no mesmo, mesmo discurso, mesmas práticas e mesma frase e jeito, "aqui é o Brasil", "jeitinho brasileiro". E colocando estas frases como perguntas, o que é aqui no Brasil? Qual é o jeitinho brasileiro?
Toda dia se assiste uma revolta devido a má gestão, ações sem escrúpulo nenhum. Uma absurda desfaçatez. Mas calma ai, isso ainda não é o pior. Estes mesmos que praticam tais atos, tendem a ser eleitos, ou reeleitos no ano de eleição, o que demonstra uma absurda ruptura e falta de contato por parte do brasileiro com a realidade. Invés de progredir, mantemos o mesmo. A discussão é ideológica, não costuma ser construída por meio de argumentos, mas sim por crenças. Em outras palavras, como se a fantasia pudesse se tornar realidade. Mas que realidade? Não está o povo desconexo da mesma:
Sim, conforme os dados e o que vemos é o que se tem a dizer. Falta crítica por parte de si mesmo. Se acredita no que disseram. Filosoficamente falando, pois é a filosofia que trata dos discursos, se constrói a verdade por meio de falácias, falácias de grandeza. E disso se serve a ideologia. E por pior, isso não acontece só na política. A política é reflexo do que é a cultura. E explicando o que é a falácia de grandeza, é sustentar um argumento porque fulano de tal falou ou fez assim. Um modo que perde, deixa de lado os critérios em prol da crença. Uma crença, percepção que se torna cega por si. Um modo onde todos estão contra todos. Imbuídos na massa, sem a possibilidade de ver de fora. É claro, enquanto se manterem no mesmo, mesmo discurso, mesmas práticas e mesma frase e jeito, "aqui é o Brasil", "jeitinho brasileiro". E colocando estas frases como perguntas, o que é aqui no Brasil? Qual é o jeitinho brasileiro?
domingo, 17 de dezembro de 2017
Futebol, expectativa e a demoníaca emoção
A expectativa, o ocorrido, o jogo em si, da final do mundo de 2017 não deixam de ter sua relevância, no entanto, há algo mais relevante que isso tudo. Os comentários. Tanto os que se referem a um valeu a pena, como aqueles que supostamente discutem. Supostamente discutem, pois são diálogos de emoção. Como li por aí, e também já ouvi, puro sentimento. E como eu digo, paixão. Paixão, porque é desproporcional, não há medidas, não há pensamento, há emoção. E como em tudo, onde há só emoção, há atuação. Pronto, o desrespeito tá feito. Se forma um gruo de identificação e entre estes a bagunça, rebeldia está autorizada. Os de fora ... ah os de fora devem ser punidos. Ali se forma uma irmandade de pura emoção. E é importante ressaltá-lo, pois isso não diz respeito só ao Grêmio, também está para todos times de futebol que praticam tal esporte no Brasil. Mas por que aqui falar de Brasil só, e o resto do mundo?
Porque o resto do mundo é mais organizado e o fato de se dizer o país do futebol como se diz o Brasil, é característica impar. Uma proposta jornalistica vale recordar também, usada pra que se tivessem notícias em outros tempos. Dai que veio o espirito. O que nos demonstra mais uma vez, que se não pensarmos, pensam por nós, e somos puro efeito da massa em suas emoções, desproporções. E como se disse por aí, acabar com o mundo é uma proposta real. Pra encerrar, quero citar Wittgenstein, "o limite do meu mundo é o limite da minha linguagem". E bom, como você deve ter percebido, se há só emoção, o caos está feito. Futebol se discute sim!
Porque o resto do mundo é mais organizado e o fato de se dizer o país do futebol como se diz o Brasil, é característica impar. Uma proposta jornalistica vale recordar também, usada pra que se tivessem notícias em outros tempos. Dai que veio o espirito. O que nos demonstra mais uma vez, que se não pensarmos, pensam por nós, e somos puro efeito da massa em suas emoções, desproporções. E como se disse por aí, acabar com o mundo é uma proposta real. Pra encerrar, quero citar Wittgenstein, "o limite do meu mundo é o limite da minha linguagem". E bom, como você deve ter percebido, se há só emoção, o caos está feito. Futebol se discute sim!
sexta-feira, 8 de dezembro de 2017
Os estranhos outros que nos habitam
Desde pequeno sabia que havia um outro que habitava em mim, estranho a mim este outro. Comportava ele meus medos, minhas seguranças, minhas expectativas, minhas fantasias. Com o passar do tempo, fui vendo que não era apenas um este outro, mas que eram vários que habitavam em mim, e que sem que eu quisesse me determinavam, escolhiam por mim, seja este ou estes, o medo, a culpa, a certeza, a paixão. Eram muitos eles, poderia ficar aqui os descrevendo e sei que não pararia de escrever. Era uma mistura de sentimento e razão. Aos poucos via que era eu, faziam parte do meu eu, aquele que conheço e a parte que desconheço. Com eles então estabeleci um diálogo pra que fosse possível que me entendesse e não me perdesse. Tendo o feito, percebi que sozinho eu me esgotava e caminhos não encontrava. Continuava cometendo os mesmos erros. Até que descobri uma tal de psicologia, que oferecia aquela velha prática, mas não tão velha chamada psicoterapia. Ingressei então em uma. Comparecia, percebia a diferença de mim daquele que me recebia, o usava como projeção de mim mesmo, dos meus sentimentos, dos novos e velhos outros que me habitavam. Dos novos e velhos outros que me impulsionavam e às vezes até, determinavam minhas ações. Assim, pude entrar em contato com aquilo que era estranho de mim. Usava aquele que me recebia e depois o esquecia, mas me fortalecia toda vez que mais uma vez ali comparecia, que ele se lembrava de mim. Isso também foi um fator que determinou pra que eu pudesse mudar minha ação. Que meu pensamento ganhasse novas vias. Que minha posição fosse outra. Assim aprendi a trabalhar em mim, sobre mim. Até que pude aproveitar aquela troca que tínhamos para a vida e pude ser um pouco mais senhor da própria casa. Os outros que em mim habitavam jã não escolhiam e nem nada faziam a revelia. Eu precisava saber o que estava fazendo. Assim tomei consciência da minha responsabilidade sobre quem sou e pra onde vou. E graças a isso, posso hoje me arriscar no vazio do espaço do novo. Posso soltar do abismo e saber que estou seguro, pois sei sobre o trajeto e que depois de um tempo eu tenho que abrir o paraquedas. Deste mesmo modo, pude aprender aquilo que eu tinha em mim mesmo e podia me auxiliar para onde estava e para onde ia. Assim segui. E hoje sei, poder ter seguido assim, foi o melhor que eu pude fazer ...
segunda-feira, 4 de dezembro de 2017
O mundo digital e a segunda vida como forma de esconder a primeira
Desde os anos 2000 vivemos uma nova era, a era digital. Começou ela propriamente antes, mas marco esta data, pois foi um tempo que se tornou mais universal, onde primeiramente os computadores ficaram disponíveis a um maior número de pessoas, se estendendo com o tempo a todos. Os que não podiam ou não podem ter um, com o tempo e o avanço tecnológico da era digital tiveram acesso ao mesmo modelo de outra forma, por tablets ou celulares, onde se aproximava o outro por aplicativos e distanciava ao mesmo tempo os de perto, criando um espaço como disse já em 1990 Lipovetsky da Era do Vazio.
Nessa mesma linha, surgiu primeiramente o orkut, onde tinha as comunidades de identificação pra que os sujeitos se identificassem em grupos como: bandas, estilos, dentre outros, criando aos poucos, pequenos aforismas que criavam identificação. "Nunca acabei uma borracha", "Não fui eu, mas meu eu lírico", "Só os fortes vencem", "Só os fortes são felizes", dentre outras ... Frases essas, que vemos hoje no facebook, que criam certa identificação, e também podemos dizer certa demanda, mas não de quem a compartilha, mas sim do social, como a que rola todo dia, ser ou estar feliz, de forma que aparenta que todos estão sempre felizes, mas daí cabe aqui um espaço, hiato, que parece não acontecer com as formas de produção digital, onde cabe pensar: como que é, quem é todo momento feliz e nunca fica triste?
Bom, eu acho que deve ser um bocado de chato. Mas é interessante aqui considerar também que se demonstrar triste jã não é mais permitido, devemos ser felizes, realizados, estar sempre em um estado de plenitude, mas aqui também, cabe discordar, pois ficar, estar triste, também é um modo de poder se realizar, refletir sobre a vida. Estar sempre feliz é como ter sempre chegado ao ponto desejado, estar sem sofrimento. Mas, também sabemos que isso é mentira. Tristes são só os que conhecemos pessoalmente, os que conhecemos pelas redes sociais, sempre estão incrivelmente bem. Felizes, realizados, seguros de si, como se a eles não faltasse nada.
Pode parecer ridículo, mas é essa a ideia que se tem passado. O que se sabe por conseguinte ser uma mentira.
Pra encerrar, cito-me a mim mesmo em um poema que fiz, que diz respeito as relações pessoais, digitais que se tem presenciado hoje em dia
Nessa mesma linha, surgiu primeiramente o orkut, onde tinha as comunidades de identificação pra que os sujeitos se identificassem em grupos como: bandas, estilos, dentre outros, criando aos poucos, pequenos aforismas que criavam identificação. "Nunca acabei uma borracha", "Não fui eu, mas meu eu lírico", "Só os fortes vencem", "Só os fortes são felizes", dentre outras ... Frases essas, que vemos hoje no facebook, que criam certa identificação, e também podemos dizer certa demanda, mas não de quem a compartilha, mas sim do social, como a que rola todo dia, ser ou estar feliz, de forma que aparenta que todos estão sempre felizes, mas daí cabe aqui um espaço, hiato, que parece não acontecer com as formas de produção digital, onde cabe pensar: como que é, quem é todo momento feliz e nunca fica triste?
Bom, eu acho que deve ser um bocado de chato. Mas é interessante aqui considerar também que se demonstrar triste jã não é mais permitido, devemos ser felizes, realizados, estar sempre em um estado de plenitude, mas aqui também, cabe discordar, pois ficar, estar triste, também é um modo de poder se realizar, refletir sobre a vida. Estar sempre feliz é como ter sempre chegado ao ponto desejado, estar sem sofrimento. Mas, também sabemos que isso é mentira. Tristes são só os que conhecemos pessoalmente, os que conhecemos pelas redes sociais, sempre estão incrivelmente bem. Felizes, realizados, seguros de si, como se a eles não faltasse nada.
Pode parecer ridículo, mas é essa a ideia que se tem passado. O que se sabe por conseguinte ser uma mentira.
Pra encerrar, cito-me a mim mesmo em um poema que fiz, que diz respeito as relações pessoais, digitais que se tem presenciado hoje em dia
Poetiza da vida noturna e moderna
Encontro você e lhe reconheço como diferente de mim.
Uso você;
Esqueço de você;
Você no entanto, lembra de mim;
Estou sempre esquecendo de você,
Perco você;
Uso você;
Esqueço de você;
Você no entanto, lembra de mim;
Estou sempre esquecendo de você,
Perco você;
No final acho que você não é tão diferente de mim, e quem eu esqueço não é você, mas é a mim.
O que está acontecendo comigo?
Mas, o outro digital pode esquecer de mim? O que acontece quando alguém lê a mensagem e não responde na hora, não está disponível naquele momento?
sábado, 2 de dezembro de 2017
Um desabafo quanto ao que vem por ai ...
Os Eua produziu o conhecido efeito Trump, o Brasil que adora mimetizar (copiar) faz o mesmo, produz o efeito Bolsonaro. É interessante ver as entrevistas dele, mas não porque eu apoie ele, mas pelas perguntas e colocações dos jornalistas.
Não é Bolsonaro o problema, o problema é o Brasil.
Quero que fique claro, não apoio Bolsonaro e nem a maioria das medidas dele, pois o que ele acha que é assunto de violência e repressão eu acho que é questão de saúde mental, bom, mas dai também não é só ele que viaja nessas temas. A questão sobre o modo como se pensa o Brasil, se é que se pensa, é povoado por ideias fracassadas, que já provaram não ter dado certo em outras experiências do mundo e por um capitalismo selvagem, que explora de forma desumana aqueles que lhe servem. E o pior, servem de bom grado. Como Etiene de lá Botie escreveu a 5 séculos, são sujeitos que se voltam a servidão voluntária. Como Freud escreveu a quase 1 século, são sujeitos que servem e seguem os efeitos da massa.
E como se segue hoje na memória e mal estar sobrante do mesmo, que vem como acréscimo com o passar do tempo, vivemos efeitos devastadores enquanto não se tomam posições que favoreçam o povo. Não é problema do capitalismo isso, mas sim das pessoas que fazem mal uso do mesmo. Se formos ver o problema como sistema aqui, devemos lembrar que antes o problema é como as pessoas participam do mesmo.
Obrigado,
apenas um desabafo devido a gritante estupidez da mídia brasileira que se tornou uma verdadeira porcaria.
segunda-feira, 20 de novembro de 2017
Sentir vergonha
Sentir vergonha diz respeito a que eu sei que estou fazendo algo de errado. E ao saber que estou fazendo algo de errado, no ato temo que alguém esteja vendo. Aqui cabe algumas perguntas: o que me envergonha no que estou fazendo? o que eu jamais gostaria que o outro (qualquer um que veja) soubesse que estou fazendo?
Questões estas, que nos remetem a nossa fantasia. O que pensamos sobre aquilo, que fica esclarecido quando podemos responder estas perguntas colocadas acima. Questões pra alguns fáceis de responder, mas pra outros nem tanto, afinal, em nossa sociedade como temos visto, a falta de vergonha tem sido um sintoma de nosso mal estar social. Que o digam os políticos. Mas nem estes conseguem mais disfarçar direito, pois temos visto seu cinismo, falsidade quando a verdade sobre eles e o que estão fazendo tem surgido.
Um fato ocorrido, esclarece muito disso, vi nesta tarde um vídeo publicado no facebook que mostrava duas meninas cantando num programa uma música, muito bem cantada inclusive, belas vozes das meninas, que falava sobre a enganação nossa de cada dia com os políticos. Resultado, fizeram de tudo pra que aquilo saísse do ar, que não ficasse no youtube ....
Mas, isso é um fato que não se perdoa mais. Aqui, podemos facilmente descrever a fantasia que os habita, ser pegos, desmoralizados pelo que fazem, pois no fundo sabem que é errado e jamais gostariam que nós soubéssemos.
Mas trazendo o mesmo a nosso cotidiano comum de nosso dia a dia. A vergonha, o que não gostaríamos que o outro visse ou soubesse vem de encontro a nossa moralidade, nossa noção de certo e errado, que mesmo que a temos não quer dizer que não façamos errado. Só não queremos que os outros saibam, mas cá entre nós, o que é esse errado? é errado pra mim ou pros outros?
Questões estas, que nos remetem a nossa fantasia. O que pensamos sobre aquilo, que fica esclarecido quando podemos responder estas perguntas colocadas acima. Questões pra alguns fáceis de responder, mas pra outros nem tanto, afinal, em nossa sociedade como temos visto, a falta de vergonha tem sido um sintoma de nosso mal estar social. Que o digam os políticos. Mas nem estes conseguem mais disfarçar direito, pois temos visto seu cinismo, falsidade quando a verdade sobre eles e o que estão fazendo tem surgido.
Um fato ocorrido, esclarece muito disso, vi nesta tarde um vídeo publicado no facebook que mostrava duas meninas cantando num programa uma música, muito bem cantada inclusive, belas vozes das meninas, que falava sobre a enganação nossa de cada dia com os políticos. Resultado, fizeram de tudo pra que aquilo saísse do ar, que não ficasse no youtube ....
Mas, isso é um fato que não se perdoa mais. Aqui, podemos facilmente descrever a fantasia que os habita, ser pegos, desmoralizados pelo que fazem, pois no fundo sabem que é errado e jamais gostariam que nós soubéssemos.
Mas trazendo o mesmo a nosso cotidiano comum de nosso dia a dia. A vergonha, o que não gostaríamos que o outro visse ou soubesse vem de encontro a nossa moralidade, nossa noção de certo e errado, que mesmo que a temos não quer dizer que não façamos errado. Só não queremos que os outros saibam, mas cá entre nós, o que é esse errado? é errado pra mim ou pros outros?
sábado, 4 de novembro de 2017
Nossas bases relacionais ...
Uma das primeiras diferenciações de nossas vidas se passa entre si mesmo e o outro diferente de si, primeiramente com a mãe, descobrindo e dando sustentação a existência do pai, primeiro este como sustento e base da mãe como própria condição desta e depois como um terceiro.
Bom, pelo menos deveria ser assim, mas sem nos fazermos de cegos, sabemos que a realidade hoje é diferente. Diferença esta que vem marcando a dificuldade em lidar com o diferente. Diferente que é mais ameaçador que amigo.
Uso este modelo, pois é a base de nossas relações e os grupos que formamos, nos unimos e também é claro, do que fizemos com nós mesmos a partir destas experiências e o quanto nos diferenciamos a partir de novas e diferentes experiências.
Mas e as ideologias se relacionam com isso?
Sim, mas segmento ideológico sempre ocorre quando você não ocupa sua posição por si, mas sim a que o grupo lhe confere, uma coisa como pertencimento, coisa esta que retoma a falhas nessas primeiras relações e os modos como elas aconteceram.
Logo, Freire estava errado quando dizia que de toda forma temos ideologias, ou de direita ou de esquerda. O que ele diz é ideologia, mas seguir é opcional, mas claro, desde que se saiba disso. E quem sabe?
quinta-feira, 26 de outubro de 2017
Dizem por ai que comprar é terapeutico, vamos falar sobre isso
Se
ouve ou se lê muito por ai que fazer compras é uma ótima terapia, conversar com
as amigas (os), tomar uma cerveja, etc. Bom, vou ter que discordar, isso tá
mais pra alívio de tensão, que inclusive não resolve nada, apenas tira o
sujeito de si e da dura realidade, permite como se pode dizer dar uma volta.
Que nem com a droga, nega a realidade por um momento e tudo parece bem. Mas o
momento acaba, por isso inclusive a repetição, compulsão no mesmo ato quando as
próprias questões começam ou já saíram do controle.
Comprar
é como aliviar, uma forma de se dar o direito podemos dizer de estar, ou se
sentir bem. Pelo menos no momento da compra, quando o objeto passa a ser seu.
Algo como disse anteriormente, parecido com a drogadição, onde se compra uma
ilusão. E é justamente por constar a compra como um alivia, se a considera e a
brinda com o nome de terapia, afinal, há algo mais divertido do que as amigas
se reunirem para as comprar? Os meninos pra tomar a cervejinha?
Em
ambos os casos o problema acontece quando há excesso, raspa a carteira, estoura
o cartão de crédito. No momento a sensação é de alívio, mas depois a mesma não
se mantêm, pois a própria escolha tem suas consequências. Mas pera ai, quem
liga pra isso?
Bom,
podemos dizer que se você realmente considera isso dessa forma e não liga, há
problema quanto aos seu juízos, como aquele de valor e o de existência. Valor
há em ter, o ser fica de lado. Existência é aparência, é preciso parecer para
poder ser, que como podemos observar, tem sido modelo pra muitas performances
por aí dentre o nosso social.
O
mais importante a contar é como o outro me vê, como estou figurando nos olhos
desse grande outro, grande outro que parece muito bem com o grande irmão de
1984 de George Orwell, aquele que tudo vê e tudo enxerga, inclusive os
pensamentos. Ficando assim o sujeito, a sujeitado, sem o si mesmo e cada vez
mais empobrecido.
No
entanto, por sua vez, na terapia ou psicoterapia leva em consideração um
sujeito, sujeito psíquico aonde há o inevitável conflito, sofrimento, sob os
quais é preciso trabalhar, trabalhar num movimento transforma dor. Transforma a
dor e permite ao sujeito poder enxergar e encarar a vida de outro jeito, sem
necessitar de adictos, seja pela droga, compras ou o que for que este tem
escolhido como forma de lidar com o sintoma e muitas vezes defender-se de si
mesmo. Sofrimento como no caso daqueles que elegem as terapias passageiras e
infrutíferas, mas no caso da psicoterapia a busca de ajuda para poder mudar.
Uma ajuda que se faz necessária em um tempo continuado sem possível sê-lo medir
devido as forças internas que exige para poder mudar. Tudo é questão de poder
amar-se, como disse Freud, amar pra não adoecer, mas amar a si mesmo pra não se
perder ...
sábado, 7 de outubro de 2017
Desmistificando a terapia ou melhor, psicoterapia
Se ouve ou se lê muito por ai que fazer compras é uma ótima terapia, conversar com as amigas (os), tomar uma cerveja, etc. Bom, vou ter que discordar, isso tá mais pra alívio de tensão, que inclusive não resolve nada, apenas tira o sujeito de si e da dura realidade, permite como se pode dizer dar uma volta. Que nem com a droga, nega a realidade por um momento e tudo parece bem. Mas o momento acaba, por isso inclusive a repetição, compulsão no mesmo ato quando as próprias questões começam ou já saíram do controle. Na terapia ou psicoterapia se envolve um sujeito psíquico aonde há o inevitável conflito, sofrimento, sob os quais é preciso trabalhar, trabalhar num movimento transforma dor. Transforma a dor e permite ao sujeito poder enxergar e encarar a vida de outro jeito, sem necessitar de adictos, seja pela droga, compras ou o que for que este tem escolhido como forma de lidar com o sintoma e muitas vezes defender-se de si mesmo. Sofrimento como no caso daqueles que elegem as terapias passageiras e infrutíferas, mas no caso da psicoterapia a busca de ajuda para poder mudar. Uma ajuda que se faz necessária em um tempo continuado sem possível sê-lo medir devido as forças internas que exige para poder mudar. Tudo é questão de poder amar-se, como disse Freud, amar pra não adoecer, mas amar a si mesmo pra não se perder ...
sábado, 30 de setembro de 2017
A questão da ansiedade como obrigação do dever
Estava passando o histórico do facebook e vendo as postagens, então uma séria me chama a atenção. Era a postagem de um psicanalista que curto a página, Lucas Napoli, onde ele fala a respeito das pessoas muito ansiosas e sua defesa da própria questão da ansiedade com rotinas pesadas. Em outras palavras, fala ele de uma forma de lidar com os excessos da ansiedade por outro excesso que faz possível aliviar a parte que não consegue dar conta de si mesmo. Como deve ter ficado claro, os excessos. Excessos esses que jogam o sujeito num sistema infernal no qual ele não pode sair, pois se ele sair, nada o resta se não o caos interior a respeito de si mesmo. O que lhe resta é apenas atuar até que possa encontrar um lugar onde tenha quem lhe possa escutar. É claro, desde que ele também esteja sujeito a falar e poder ouvir, ser cuidado. Poder colocar ordem no caos. Aparentemente pode soar isto como algo simples, mas o que menos consta neste sistema é simplicidade, pois estamos antes diante da complexidade e das questões de si onde o sujeito também tem uma forma de prazer diante do sofrimento e desse como disse anteriormente, sistema infernal. Módulo que prende o sujeito. Como num texto sem contexto, onde precisa tudo dizer, mas sem compreender. Como um sistema de pura descarga, onde não há quem ponha ordem. Até surgem aqueles que perreiam com estes sujeitos, mas de nada adianta, apenas fomentam o conflito. É preciso ouvir, deixar até certo limite atuar para que se possa concertar e consequentemente também então contextualizar o que se possa diante deste história que se vê acontecer, mas não se pode mudar. Até que, aquele que sofre possa sentir a própria dor para poder começar a organizar a confusão que a tanto tempo começou e depois que se instalou, um sistema formou, um sujeito complexizou. De tal forma, que nos valemos aqui de uma frase de Sartre muito válida aos modos de vida que temos visto por aí. O inferno são os outros, pois como não tenho como lidar com estes dos conflitos internos, projeto eles pra fora, os externalizo pra que possa me aliviar com eles.
terça-feira, 19 de setembro de 2017
Uma divagação sobre nosso cotidiano espaço brasileiro
Somos acostumados a ver no jornal, nas notícias diárias algo que nos reporte ao extremismo, seja ele religioso ou mesmo ideológico. O que temos aqui em nossa pátria nem um pouco realista e mais mitológica que prefere a mentira do povo acolhedor que garante qualidade de vida. No entanto, todos sabem que isso não se sustenta e temos mais um todos contra todos do que todos a favor de todos. A prova que a ética falhou. E antes de pestanejar, apostar na educação como se tem dito por ai não é a solução única e nem a mais primordial. É claro que devemos investir na educação de base, mas o problema está ainda antes da escola, lugar que hoje sofre as consequências da cultura permissiva onde tudo que se tornou proibido é proibir. Dai também tiramos as observações quando ouvimos de mães e pais que não é mais a criança que se adapta ao ambiente, mas sim este a ela.
Como se pode ver, os problemas dizem respeito a cultura e aquele velho jeito, fulano fez, por que eu não? Todos tem direitos iguais!
Verdade, mas deveres também, e acho que estes não constam dentre suas escolhas.
Não constam porque não figuraram dentro do vocabulário que foi passado podemos dizer, a não ser é claro aquelas que cumprem as funções da cultura, tal como ser grande e a qualquer custo, inclusive passando por cima dos outros, puxando o tapete. No caso, como podemos ver a diferença não interessa, apenas se faz parte do meu ciclo, se não tá fora.
Isso fica claro diante das quadrilhas e o funcionamento destas, mas não sejamos bobos também, isso não é problema exclusivo do tráfico, pois isso faz parte da classe política, médica, educadora, psicológica, empresarial e populacional por fim, pois o Brasil tem funcionado sobre esta perspectiva. Uma triste perspectiva. O diálogo é quase que um emaranhado de monólogos, pois a palavra se dirige apenas aqueles que são iguais. Os diferentes, que se virem ...
Os diferentes tem a escolha de se juntar ou ficar a mercê mesmo. Mas e a base, e a educação?
Ajudam a ter critérios, o que parece faltar em nossa sociedade dos excessos. Sociedade dos excessos que insiste em dizer que está tudo bem. Tudo bem pra quem?
Como se pode ver, os problemas dizem respeito a cultura e aquele velho jeito, fulano fez, por que eu não? Todos tem direitos iguais!
Verdade, mas deveres também, e acho que estes não constam dentre suas escolhas.
Não constam porque não figuraram dentro do vocabulário que foi passado podemos dizer, a não ser é claro aquelas que cumprem as funções da cultura, tal como ser grande e a qualquer custo, inclusive passando por cima dos outros, puxando o tapete. No caso, como podemos ver a diferença não interessa, apenas se faz parte do meu ciclo, se não tá fora.
Isso fica claro diante das quadrilhas e o funcionamento destas, mas não sejamos bobos também, isso não é problema exclusivo do tráfico, pois isso faz parte da classe política, médica, educadora, psicológica, empresarial e populacional por fim, pois o Brasil tem funcionado sobre esta perspectiva. Uma triste perspectiva. O diálogo é quase que um emaranhado de monólogos, pois a palavra se dirige apenas aqueles que são iguais. Os diferentes, que se virem ...
Os diferentes tem a escolha de se juntar ou ficar a mercê mesmo. Mas e a base, e a educação?
Ajudam a ter critérios, o que parece faltar em nossa sociedade dos excessos. Sociedade dos excessos que insiste em dizer que está tudo bem. Tudo bem pra quem?
segunda-feira, 18 de setembro de 2017
Todo excesso esconde uma falta
De início quero precaver os leitores que usarei termos técnicos, mas tentarei fazer a leitura o mais compreensível possível.
O excesso sempre foi algo que me chamou atenção como expressão de algo que surge como negativo de outro, seja por falta ou por excesso mesmo. Nisso quero me usar de um exemplo cotidiano tratado por Lacan de forma passageira. O amor cortês. Todo amor cortês responde a uma questão de uma sexualidade podemos dizer, sublimada, que muda sua meta de satisfação. Torna o sexual mais aceito, circulável. Em outras palavras, abrir a porta de um carro, deixar a mulher andar na frente, ser cavalheiro, implica um ganho, Questões puramente comuns em nosso cotidiano. Mas como tema aqui deste escrito é o excesso, tomemos-lhe em conta.
Todo excesso de cortesia, cavalheirismo, tem os seus porquês. Afinal de contas, ninguém costuma fazer algo que não lhe dê prazer, ou em outras palavras também, que não vise um ganho, nem que secundário, pois também não são todos que conseguem uma via que não seja direta de satisfação, então como disse no começo do texto, é preciso usar o negativo como forma de expressão de si para que não esteja se havendo consigo mesmo. Como pode-se ver, não é questão de fácil entendimento, pois se tomamos o ser humano por si, não é nada simples de compreensão e nem raso quando nosso objeto de análise é a verdade.
Nesta questão sobre a verdade de si, vale considerar as questões infantis, de um chamado infantilismo de nós mesmo e de nossa sexualidade, que se ligam inevitavelmente a algo primário, digamos originário de nós mesmo. Isso podemos observar usando o exemplo do cuidado materno e a forma como as mães satisfazem seus nenês, apressadamente, ou com o jogo de frustração, onde diante da falta do objeto de satisfação, se alucina o mesmo. Somente diante deste jogo de presença/ausência é possível que se construa um sujeito, pois caso contrário, vemos um sujeito que fica como joguete dos próprios impulsos que se lhe tornam difíceis controlar. Então lidamos com os excessos. Tanto no sentido prazeroso como desprazeroso. E neste ponto, cabe notar a questão do ganho de realidade com o passar dos anos, onde esta satisfação primária e os modos desta são substituídos aos poucos por outros modos, os chamados jeitos de ser e fazer. Observamos neste ponto, que não tocamos o ponto de ter, pois ele vêm também depois como uma questão diante da falta e o modo como se lida com esta. Para que se tenha objetos de forma prazerosa, antes é preciso ter sujeito que exista por si como si mesmo e não como questão de jogo de intensidades onde a relação com o outro é sempre problemática. E neste ponto, finalizando o texto e retomando aos inícios, o amor cortês surge justo como forma de domar a si mesmo e impedir vias diretas de satisfação, criando as chamadas vias alternativas, colaterais de modo de satisfação, afinal de contas também, como indica o rechaço aos aplicativos de relacionamento que tem o objetivos conhecidos por quem os usa, porém, é interessante observar que não rola nada sem que se troquem palavras. A não ser é claro que o assunto não seja este e estejamos mais uma vez diante de absurdas e irreprimíveis quantidades.
O excesso sempre foi algo que me chamou atenção como expressão de algo que surge como negativo de outro, seja por falta ou por excesso mesmo. Nisso quero me usar de um exemplo cotidiano tratado por Lacan de forma passageira. O amor cortês. Todo amor cortês responde a uma questão de uma sexualidade podemos dizer, sublimada, que muda sua meta de satisfação. Torna o sexual mais aceito, circulável. Em outras palavras, abrir a porta de um carro, deixar a mulher andar na frente, ser cavalheiro, implica um ganho, Questões puramente comuns em nosso cotidiano. Mas como tema aqui deste escrito é o excesso, tomemos-lhe em conta.
Todo excesso de cortesia, cavalheirismo, tem os seus porquês. Afinal de contas, ninguém costuma fazer algo que não lhe dê prazer, ou em outras palavras também, que não vise um ganho, nem que secundário, pois também não são todos que conseguem uma via que não seja direta de satisfação, então como disse no começo do texto, é preciso usar o negativo como forma de expressão de si para que não esteja se havendo consigo mesmo. Como pode-se ver, não é questão de fácil entendimento, pois se tomamos o ser humano por si, não é nada simples de compreensão e nem raso quando nosso objeto de análise é a verdade.
Nesta questão sobre a verdade de si, vale considerar as questões infantis, de um chamado infantilismo de nós mesmo e de nossa sexualidade, que se ligam inevitavelmente a algo primário, digamos originário de nós mesmo. Isso podemos observar usando o exemplo do cuidado materno e a forma como as mães satisfazem seus nenês, apressadamente, ou com o jogo de frustração, onde diante da falta do objeto de satisfação, se alucina o mesmo. Somente diante deste jogo de presença/ausência é possível que se construa um sujeito, pois caso contrário, vemos um sujeito que fica como joguete dos próprios impulsos que se lhe tornam difíceis controlar. Então lidamos com os excessos. Tanto no sentido prazeroso como desprazeroso. E neste ponto, cabe notar a questão do ganho de realidade com o passar dos anos, onde esta satisfação primária e os modos desta são substituídos aos poucos por outros modos, os chamados jeitos de ser e fazer. Observamos neste ponto, que não tocamos o ponto de ter, pois ele vêm também depois como uma questão diante da falta e o modo como se lida com esta. Para que se tenha objetos de forma prazerosa, antes é preciso ter sujeito que exista por si como si mesmo e não como questão de jogo de intensidades onde a relação com o outro é sempre problemática. E neste ponto, finalizando o texto e retomando aos inícios, o amor cortês surge justo como forma de domar a si mesmo e impedir vias diretas de satisfação, criando as chamadas vias alternativas, colaterais de modo de satisfação, afinal de contas também, como indica o rechaço aos aplicativos de relacionamento que tem o objetivos conhecidos por quem os usa, porém, é interessante observar que não rola nada sem que se troquem palavras. A não ser é claro que o assunto não seja este e estejamos mais uma vez diante de absurdas e irreprimíveis quantidades.
domingo, 10 de setembro de 2017
Peculiaridades do cotidiano
Temos nossa vida privada diante das questões pessoais
e o convívio com os outros a partir dos modos e jeito nosso, além é claro das questões respectivas a história de cada um, identificações e jeito
de lidar com a vida. Diante disso também, no cotidiano do dia a dia, não
deixamos de nos surpreender com fatos nem um pouco peculiares que vemos a cada
dia, seja por notícia, na TV ou mesmo na questão do convívio social. Nesta
ideia mesma, gostaria de falar de uma coisa nem um pouco
peculiar que acabei por presenciar. Estando na rua em um local que costuma se
reunir a galera, um senhor que estava pelo local oferece um santinho a um rapaz em troca de um cigarro. Normalmente
simplesmente se pede cigarro, independente de quem for em troca que se
compartilhe do vício, afinal também, todo fumante sabe o que é ficar sem cigarro e como este vem como um aditivo mesmo, forma de relaxar, desestressar
ou de lidar com a angústia mesmo.
No
entanto, nos atenhamos aqui a forma particular de humildemente pedir um cigarro
em troca de uma oração. Isso poderia ser indicativo de diversas coisas, como
uma forma de exorcizar no outro um vício que ele não consegue vencer. Mas calma
aí, esta ideia é contraditória por si mesma, afinal ele pede a alguém que tem,
o cigarro e o vício, logo parece que seu objetivo passa longe de exorcizar tal
hábito. Bom, então pensemos em outra ideia, como a mais próxima da verdade para
não cairmos em demasiada delonga. Sua intenção se concentrava em pedir um
cigarro e ganhar. Se não aceitasse o santinho, você era o mau, pessoa sem fé.
Mas cá entre nós, fé no que? Na necessidade de descarga a qualquer custo?
Antes
de perseguir, é importante considerar aqui a questão da necessidade como algo
que o sujeito não pode ficar sem. Ultrapassa a vontade, o quero ou não quero,
pois outras estranhas forças entram em jogo aqui. Forças que colocam como num
tempo morto, onde se fica paralisado sem a possibilidade de ir além. Com a
necessidade deste gozo. Um gozo até criativo, afinal de contas, um santinho por
um cigarro? Fé, no que?
Questões que nos colocam diante das mesmas questões da
propaganda, você necessita desta produto e pode ter fé, será bom pra você!
sábado, 5 de agosto de 2017
Lúcifer, um modelo para análise da humanidade
Há sempre a curiosidade quanto a um caso de alguém que fez análise pra se especular ou criar ideia de como seria a sua. Nesta mesma linha por fim, tomemos em análise uma figura absurdamente enigmática em análise, o Diabo. Parto aqui das ideias da série Lúcifer, onde verdadeiramente o Diabo entra em análise e numa crise de identidade, afinal de contas, não é a ele que todos atribuem diferentes identidades e culpas. De fato sim e isso não é nenhuma novidade. Mas com certeza é interessante tomarmos em análise aquele que outros atribuem o que ele é e quando este mesmo quer saber quem é, a crise e a confusão é certa. Bom, não precisaria nem falar no Diabo pra falar sobre a questão da incerteza, desvalor de identidade devido "ao que os outros vão pensar?"
Mas sigamos no Diabo, aquele ser ao qual se atribuem desumanidades e de fato, quando o assunto é humanidade ele se sente estranho. Uma estranha estranheza de um ser que como todos outros tem uma história e os desígnios da mesma porém, como é um ser da mitologia sua história está determinada conforme aquilo que alguém quis, Deus. No entanto, levando nossa análise em diante e seguindo os caminhos da mesma, Diabo ou Lúcifer, como é seu nome de verdade enfrenta um grande paradigma quanto a questão da própria liberdade quanto a si mesmo diante daquilo que determinou seu pai e daquilo que ele gostaria, afinal de contas do inferno até o Diabo se enche.
Nesta história se entrelaçam as origens da pulsão, compulsão, força demoníaca por fim que nos arrasta a ação, pois não há mediação, mas também com o Diabo é possível mediar e um compromisso encontrar. Com este compromisso por fim, humanizamos um pouco mais a força demoníaca que temos em nós. Uma força mais clara e viva pela própria imagem e figura no Diabo, figura de puras intensidades e desejos, mas a qual tomamos para humanizar, acariciar, controlar. Nesta medida, surgem os confrontos de uma vida que se preencheu por questões de altas doses de sentido atribuído, mas pelos outros. Quando a questão é consigo mesmo e o sentido que se dá e necessita do pensamento, a questão se torna totalmente outra, se humaniza. Tal fator por fim, é o que vem acontecer com o Diabo quando entra em análise e pensamento por si mesmo. Não é apenas tortura e nem desejo e realização do mesmo por compromissos, mas humano, que sente, chora e se alegra, e percebe que aquilo que atribuem a si é muitas vezes mais dos outros do que dele mesmo, mas suportam, entendem isso os outros. E a imagem diante dos outros, nosso problema inicial?
Com o tempo muda a presença ou indiferença do mesmo.
Mas sigamos no Diabo, aquele ser ao qual se atribuem desumanidades e de fato, quando o assunto é humanidade ele se sente estranho. Uma estranha estranheza de um ser que como todos outros tem uma história e os desígnios da mesma porém, como é um ser da mitologia sua história está determinada conforme aquilo que alguém quis, Deus. No entanto, levando nossa análise em diante e seguindo os caminhos da mesma, Diabo ou Lúcifer, como é seu nome de verdade enfrenta um grande paradigma quanto a questão da própria liberdade quanto a si mesmo diante daquilo que determinou seu pai e daquilo que ele gostaria, afinal de contas do inferno até o Diabo se enche.
Nesta história se entrelaçam as origens da pulsão, compulsão, força demoníaca por fim que nos arrasta a ação, pois não há mediação, mas também com o Diabo é possível mediar e um compromisso encontrar. Com este compromisso por fim, humanizamos um pouco mais a força demoníaca que temos em nós. Uma força mais clara e viva pela própria imagem e figura no Diabo, figura de puras intensidades e desejos, mas a qual tomamos para humanizar, acariciar, controlar. Nesta medida, surgem os confrontos de uma vida que se preencheu por questões de altas doses de sentido atribuído, mas pelos outros. Quando a questão é consigo mesmo e o sentido que se dá e necessita do pensamento, a questão se torna totalmente outra, se humaniza. Tal fator por fim, é o que vem acontecer com o Diabo quando entra em análise e pensamento por si mesmo. Não é apenas tortura e nem desejo e realização do mesmo por compromissos, mas humano, que sente, chora e se alegra, e percebe que aquilo que atribuem a si é muitas vezes mais dos outros do que dele mesmo, mas suportam, entendem isso os outros. E a imagem diante dos outros, nosso problema inicial?
Com o tempo muda a presença ou indiferença do mesmo.
quarta-feira, 2 de agosto de 2017
Lugar de cura ou melhor de terapia, pai de santo ou psicólogo?
É comum se ver podemos até dizer com certa ironia um pai de santo a cada esquina, ou aqueles que dizem curar os maus espíritos das pessoas com suas magias, magias que curam tudo. Como se estes salvadores pudessem apagar histórias. Método que quero deixar claro que existe, mas em caso de tortura. Aí sim você apaga um sujeito e constrói outro.
Bom, por fim é interessante notar que aqui estou me referindo aos que ocupam a posição que podemos dizer não é deles, mas sim dos psicólogos. Seres ainda estranhos a cultura, pelo menos aqui no Brasil, ainda mais nos interiores onde a cultura não é muito rica. Bom, mas também não sejamos bobos e nem tão irônicos, pois centros grandes, capitais também não ficam muito atrás. Ilustrativo disso é a votação dos deputados onde se vê pelo discurso cada um que se vendeu e o que defende por fim, que muitas vezes nem eles sabem. E este não sabe é o que quero me deter, pois ele toca diretamente o ponto do inconsciente, estranho inconsciente melhor situando. Aquela coisa que surge na fala ou na ação que o sujeito jura de pé junto que não é dele, bom pelo menos ele não gostaria ou não aceita admitir. pra isso servem os mecanismos de defesa como a negação, racionalização e intelectualização mais usados neste caso.
Este estranho chamado inconsciente tem um poder incrível, usando a opinião de um amigo meu, algo que tem a força como de um tsunami, o que tem pela frente arrasta junto. Sintetizando, quando há ação e não há pensamento não há o que pare então o sujeito atua e depois pode ser que pense sobre, isso é, quando pensa sobre ainda depois. Pensar sobre depois também, é atormentador, mas quem quer isso, pra que?
Existe os curandeiros por ai, poucas palavras, uma reza braba e tudo vai embora.
Bom se fosse, mas infelizmente não é por aí. E nem como também se diz por aí, psicólogo não trata só louco, mas sim sujeitos em sofrimento, que pode sim ser qualquer um.
Qualquer um vale considerar, pois todos tem inconsciente. Ainda não conheci uma pessoa que não tivesse um. O que muda no entanto é os modos deste inconsciente, o jeito que opera o sujeito além do consciente, além do que lhe parece mais claramente o pensamento. Aquilo que está além do pensamento. Aquilo que tem o lugar pra ser tratado com boas palavras, uma terapia, análise, com psicologo, psicanalista, que o seja, mas um lugar onde o sujeito tenha sua história a noção do que foi e ainda é seu (passado) o que se lhe apresenta (presente) e o que será amanhã a partir de suas escolhas. (futuro)
Bom, por fim é interessante notar que aqui estou me referindo aos que ocupam a posição que podemos dizer não é deles, mas sim dos psicólogos. Seres ainda estranhos a cultura, pelo menos aqui no Brasil, ainda mais nos interiores onde a cultura não é muito rica. Bom, mas também não sejamos bobos e nem tão irônicos, pois centros grandes, capitais também não ficam muito atrás. Ilustrativo disso é a votação dos deputados onde se vê pelo discurso cada um que se vendeu e o que defende por fim, que muitas vezes nem eles sabem. E este não sabe é o que quero me deter, pois ele toca diretamente o ponto do inconsciente, estranho inconsciente melhor situando. Aquela coisa que surge na fala ou na ação que o sujeito jura de pé junto que não é dele, bom pelo menos ele não gostaria ou não aceita admitir. pra isso servem os mecanismos de defesa como a negação, racionalização e intelectualização mais usados neste caso.
Este estranho chamado inconsciente tem um poder incrível, usando a opinião de um amigo meu, algo que tem a força como de um tsunami, o que tem pela frente arrasta junto. Sintetizando, quando há ação e não há pensamento não há o que pare então o sujeito atua e depois pode ser que pense sobre, isso é, quando pensa sobre ainda depois. Pensar sobre depois também, é atormentador, mas quem quer isso, pra que?
Existe os curandeiros por ai, poucas palavras, uma reza braba e tudo vai embora.
Bom se fosse, mas infelizmente não é por aí. E nem como também se diz por aí, psicólogo não trata só louco, mas sim sujeitos em sofrimento, que pode sim ser qualquer um.
Qualquer um vale considerar, pois todos tem inconsciente. Ainda não conheci uma pessoa que não tivesse um. O que muda no entanto é os modos deste inconsciente, o jeito que opera o sujeito além do consciente, além do que lhe parece mais claramente o pensamento. Aquilo que está além do pensamento. Aquilo que tem o lugar pra ser tratado com boas palavras, uma terapia, análise, com psicologo, psicanalista, que o seja, mas um lugar onde o sujeito tenha sua história a noção do que foi e ainda é seu (passado) o que se lhe apresenta (presente) e o que será amanhã a partir de suas escolhas. (futuro)
sábado, 22 de julho de 2017
Depressão pra que? pra quem?
Toda semana leio em algum lugar que em breve a depressão será a doença que mais afetará pessoas no mundo. Um dado um tanto assustador, como também a nos colocar em reflexão. Nos colocar em reflexão, pois é um problema sério. Tomemos como prova a imensidão de suicídios que ocorrem todos os dias pelo mundo e o fato de um suicídio que impactou o mundo, Cheester, vocalista do Linkin Park foi encontrado morto. Isso levou muita gente a fazer o apela em postagens nas redes sociais pra que se leve a sério a depressão.
Levar a sério a depressão nos coloca diante do problema alertado pela OMS, porém é interessante considerar neste ponto que nem tudo que se diz ser depressão é depressão. Ficar triste não quer dizer estar deprimido. Porém, com a linguagem da psiquiatria e esse negócio que todo mundo tem um transtorno no DSM entrou nos meios sociais, estar triste se expressa por aquela frase já cotidiana "estou depre".
E de fato a depressão é coisa séria mesmo. Vamos a descrição dela então. Depressão é um estado onde o ânimo do sujeito fica abatido, perde o tônus (energia) vital, em outras palavras, a vontade de fazer as coisas não se processa, é melhor ficar ai. Parado. Enfrentar o desafio, ou cumprir a função é penoso de mais, dói mais do que a culpa do que não fazer nada. É como um sentimento de invalidez justificado. O chamado benefício secundário da doença e o problema a ser considerado quanto as ditas aposentadorias por depressão e o fingimento de dor, onde sem se considerar uma história, mas levando em consideração um breve relato está dado o diagnóstico. Como nem todos são frequentadores de psiquiatras, é justo esclarecer que esse é o modo de dar diagnóstico que se tem estabelecido. Mas voltando a depressão, é justo caracterizar que ela se estabelece por uma perda, como um luto, às vezes por perder alguém, tanto no que diz respeito a vir a óbito como fim de relacionamentos. Fim de relacionamentos inclusive algo motivador de muita dor. Num sentido bom, pois mostra que ainda não nos tornamos frios e somos seres de afeto. No entanto, as coisas modificam conforme a questão da intensidade do sofrimento causado pela perda. E isso vale tanto para a perda real de alguém como o fim do relacionamento. Nos dois casos nos damos conta de um luto, tempo de desprendimento de alguém onde é preciso retirar a energia que estava direcionada a este outro e voltar para si. Fator importante pra considerar a importância de porque não se envolver com ninguém logo após um relacionamento. A não ser é claro que não havia bem esse negócio de energia investida ou que esta já tivesse sido retirada faz tempo. De toda forma, importante considerar o tempo de luto necessário para poder voltar a estar consigo mesmo como um e não mais como um par.
Agora, voltando ao que motiva esta reflexão, o suicídio de Cheester, devemos levar em consideração a forma destrutiva em que o humano trata também a si mesmo como uma energia que se volta contra si mesmo como forma de destruição, ou de desinvestimento do mundo. Isso caracteriza mesmo a depressão num sentimento de vazio, futilidade e algo que tem se tornado comum hoje e que é preocupante, o tédio. Não há palavras que descrevam o tédio, apenas formas de lidar com este vazio. Um bom exemplo disso é estar plugado em três telas, de computador, Tv, video game ou celular mesmo como forma de cumprir os mandatos que se estabelece pra si mesmo das tarefas e nào estar fazendo nada a não ser .... sei lá, o vazio continua ai ....
É uma forma de dar continuidade a nada .... próprio do que a psicanálise chamou de compulsão a repetição e que na depressão se da de forma arrastada até que ....
Bom, todo mundo viu e hoje sabe de devido a grande mídia.
Levar a sério a depressão nos coloca diante do problema alertado pela OMS, porém é interessante considerar neste ponto que nem tudo que se diz ser depressão é depressão. Ficar triste não quer dizer estar deprimido. Porém, com a linguagem da psiquiatria e esse negócio que todo mundo tem um transtorno no DSM entrou nos meios sociais, estar triste se expressa por aquela frase já cotidiana "estou depre".
E de fato a depressão é coisa séria mesmo. Vamos a descrição dela então. Depressão é um estado onde o ânimo do sujeito fica abatido, perde o tônus (energia) vital, em outras palavras, a vontade de fazer as coisas não se processa, é melhor ficar ai. Parado. Enfrentar o desafio, ou cumprir a função é penoso de mais, dói mais do que a culpa do que não fazer nada. É como um sentimento de invalidez justificado. O chamado benefício secundário da doença e o problema a ser considerado quanto as ditas aposentadorias por depressão e o fingimento de dor, onde sem se considerar uma história, mas levando em consideração um breve relato está dado o diagnóstico. Como nem todos são frequentadores de psiquiatras, é justo esclarecer que esse é o modo de dar diagnóstico que se tem estabelecido. Mas voltando a depressão, é justo caracterizar que ela se estabelece por uma perda, como um luto, às vezes por perder alguém, tanto no que diz respeito a vir a óbito como fim de relacionamentos. Fim de relacionamentos inclusive algo motivador de muita dor. Num sentido bom, pois mostra que ainda não nos tornamos frios e somos seres de afeto. No entanto, as coisas modificam conforme a questão da intensidade do sofrimento causado pela perda. E isso vale tanto para a perda real de alguém como o fim do relacionamento. Nos dois casos nos damos conta de um luto, tempo de desprendimento de alguém onde é preciso retirar a energia que estava direcionada a este outro e voltar para si. Fator importante pra considerar a importância de porque não se envolver com ninguém logo após um relacionamento. A não ser é claro que não havia bem esse negócio de energia investida ou que esta já tivesse sido retirada faz tempo. De toda forma, importante considerar o tempo de luto necessário para poder voltar a estar consigo mesmo como um e não mais como um par.
Agora, voltando ao que motiva esta reflexão, o suicídio de Cheester, devemos levar em consideração a forma destrutiva em que o humano trata também a si mesmo como uma energia que se volta contra si mesmo como forma de destruição, ou de desinvestimento do mundo. Isso caracteriza mesmo a depressão num sentimento de vazio, futilidade e algo que tem se tornado comum hoje e que é preocupante, o tédio. Não há palavras que descrevam o tédio, apenas formas de lidar com este vazio. Um bom exemplo disso é estar plugado em três telas, de computador, Tv, video game ou celular mesmo como forma de cumprir os mandatos que se estabelece pra si mesmo das tarefas e nào estar fazendo nada a não ser .... sei lá, o vazio continua ai ....
É uma forma de dar continuidade a nada .... próprio do que a psicanálise chamou de compulsão a repetição e que na depressão se da de forma arrastada até que ....
Bom, todo mundo viu e hoje sabe de devido a grande mídia.
Uma reflexão sobre o contemporâneo ...
Freud não foi aceito em suas ideias em seu tempo devido ao toque na ferida narcísica (valor de si) da humanidade. Com a sua descoberta deixava claro que o eu não é senhor da própria casa, mas sim demandado por um inconsciente. Junto a isso, trouxe as questões da sexualidade infantil, ainda hoje não aceita e combatida pela sociedade ...
Porém, diferente dos tempos de Freud, não vivemos uma era vitoriana, moralista, mas sim onde a regra que tem imperado, é que é proibido proibir. Todos tem o direito de gozar.
O ideal francês de liberdade, igualdade, fraternidade se converteu em, todos livres pra gozar. Porém, o que não podemos deixar de considerar que em 68 foi um grande avanço quanto aos direitos sociais de muitos. No entanto, algo cumpre seu papel e instaura como uma nova forma, aqui no caso, mais próximo a liberação do desejo de todos. Consideremos o woodstock que veio logo em seguida, época do qual muitos participaram. Alguns nunca saíram de lá, outros ainda hoje almejam a cada dia um woodstock, como se vivessem dentro de um, mesmo nunca tendo participado de um verdadeiro woodstock. Isso mesmo, uma verdadeira loucura, mundo dos sonhos, percepções aguçadas ...Uhuuu !!!
Quem não nunca sonhou com isso?
Aqui acho interessante considerar o que disse a muito tempo Platão: O que os homens bons sonham os maus fazem,
Uma frase a ser considerada para marcar a diferença quanto a liberação de tudo, aquilo que desejares como uma queda da sociedade, sendo que a mesma se ergueu como uma forma de colocar um impedimento ao desejo das pessoas. Não é tudo que desejar que pode fazer. Neste ponto também veio o direito, as leis, como forma de coibir de fora o que não pode dentro, em favor da ordem social.
Muito bem, acho que é quanto a isso que se revoltam muitos dos ditos revolucionários por aí hoje, afinal também, muitos deles nem sabem, ou identificam pelo que lutam. Mas repito aqui, acho que, e acho que porque é opinião minha quanto a isso e a problemas sociais ....
Mas voltando a Freud, e me explicando porque comecei com ele, quero considerar a questão do vazio que se vive hoje, algo voltado a própria ferida narcísica, no entanto, dessa vez, hoje, de uma forma mais profunda. De um jeito onde o outro que seria companheiro se converte em ameaçado. O pessoal do Woodstock, dessas vibe deve saber muito bem disso, porém, cá entre nós, isso se tornou problema e pra todos. O outro que deveria ser alguém em quem confiar muda para alguém em quem desconfiar.
Mas e o que tem haver a sexualidade infantil com isso?
Grande parte, pois é desse infantil que se toma forma o modo de ser de cada um. Modo de ser onde a sexualidade ocupa grande função como fonte de prazer e satisfação. Mas e a sexualidade não seria só o ato?
Pois é, muito se fala hoje disso, mas não é só isso, sexualidade é também a energia que circula em cada um, muda os modos no entanto que esta opera. Freud foi muito sábio ao usar figuras mitológicas como forma de expressar isso com Eros e Tanatos, expressando uma questão de prazer erótico, mas além dele e uma questão destrutiva e de morte com Tânatos. Tânatos inclusive, não muito aceito ainda, afinal, há uma ferida maior a ser aberta do que afirmar que o homem que se acreditou ser bom, ter mais propensões a ser mau?
Bom, os destinos do sujeito fica a critério dos pais, ou cuidadores e o modo que apresentam o mundo a criança ....
quarta-feira, 17 de maio de 2017
Por que os homens e mulheres são assim? os vejo assim?
Homens são de Marte, Mulheres são de Vênus ... Uma frase comum, até título de um livro, livro que se não me engano o autor é John Grishman. Se não me engano, porque não sei se é mesmo esse o autor, o que faz supor que eu não li o livro. Pois é, não li. Sei dele porque é um livro que normalmente se lê e se faz a propaganda pelo próprio titulo. Bom, mas não é sobre o livro que falaremos, a temática dele serve-nos apenas como introdução a falar de homens e mulheres de uma forma geral.
Trago o tema então, para exemplificar um modelo comum que se tem de homens, como de mulheres. Mais particularmente que se tinha, quanto aos homens e acredito que quando escrito o livro que já não é tão novo também. Uma visão geral, mas muito particular hoje. Homens querem isso, aquilo, algo que fala do desejo que estes supostamente teriam, simplesmente por serem homens. Algo válido hoje de certa forma pras mulheres também num geral. Como se por ser homens ou mulheres, pensariam só naquilo. Homens por um largo período de tempo e também de certa forma presente hoje, ter um carro, pegar mulheres por ter um carro ou ser o suposto pegador. Sei que isto é um tema comum nas falas das pessoas, mas algo não muito escrito de forma direta como estou fazendo. E esclareço que o faço, pois é um tema que de certa forma me incomoda. Me incomoda, pois obviamente, todos homens não são iguais e nem todas as mulheres, mas se acredita nisso a partir de comportamentos e modos mostrados pelas pessoas. Modos estes que fazem que se os veja como um modelo evolucionista, onde por ser homens e a cultura obviamente, mesmo que esta fique de fora diante deste modo de pensamento pensam assim, ou fazem assim, "são todos iguais", "ah, homens!"
Mas, pois então, não é por aí, cada pessoa, independente se homem ou mulher, tem seu jeito de ser, jeito que se perpassa por sua história e modo de conceber o mundo. Modo este que é percebido no social de uma forma reducionista, pois simplesmente por ser homem se crê que são assim. É claro, que isso também passa por uma percepção da pessoa e seu histórico de relações, mesmo que a relação que venha a desenvolver seja a sua primeira.
Cito primeiramente os homens como aqueles vistos de um modo geral, que são assim, pois se escuta muito por aí esta frase, e parto aqui do cotidiano para esta reflexão. Mas não nos enganemos, as mulheres também tem seu jeito por ser mulher e o modo como estas são concebidas a partir do seio familiar e da cultura. Porém, esses modos, tanto para homens como para mulheres, parece ter como que perdido o rumo, afinal, desde maio de 68, a frase que ficou conhecida mundo a fora também ficou como imperativo, é "é proibido proibir", Uma frase que revoga outro sentido diante das revoluções, a liberdade democrática, feminista e de igualdade. Todos tem o direito igual e podem gozar da mesma forma. Uma reivindicação justa, mas que parece ter perdido o sentido, pois barreiras para o desejo e o livre convívio social parecem ter ido por água baixo também. Todos tem o direito, mas deveres, responsabilidades ....
Pois é, parece que estas não interessam.
E dai, todos homens são iguais? As mulheres também?
São de marte? Vênus?
O que quer dizer isto?
Questões que espero que não caiam no reducionismo de sempre de se achar que tá tudo bem e assim tá bom, afinal de contas, o reconhecimento do diferente em sua alteridade também é fundamental para o bom convívio social.
Trago o tema então, para exemplificar um modelo comum que se tem de homens, como de mulheres. Mais particularmente que se tinha, quanto aos homens e acredito que quando escrito o livro que já não é tão novo também. Uma visão geral, mas muito particular hoje. Homens querem isso, aquilo, algo que fala do desejo que estes supostamente teriam, simplesmente por serem homens. Algo válido hoje de certa forma pras mulheres também num geral. Como se por ser homens ou mulheres, pensariam só naquilo. Homens por um largo período de tempo e também de certa forma presente hoje, ter um carro, pegar mulheres por ter um carro ou ser o suposto pegador. Sei que isto é um tema comum nas falas das pessoas, mas algo não muito escrito de forma direta como estou fazendo. E esclareço que o faço, pois é um tema que de certa forma me incomoda. Me incomoda, pois obviamente, todos homens não são iguais e nem todas as mulheres, mas se acredita nisso a partir de comportamentos e modos mostrados pelas pessoas. Modos estes que fazem que se os veja como um modelo evolucionista, onde por ser homens e a cultura obviamente, mesmo que esta fique de fora diante deste modo de pensamento pensam assim, ou fazem assim, "são todos iguais", "ah, homens!"
Mas, pois então, não é por aí, cada pessoa, independente se homem ou mulher, tem seu jeito de ser, jeito que se perpassa por sua história e modo de conceber o mundo. Modo este que é percebido no social de uma forma reducionista, pois simplesmente por ser homem se crê que são assim. É claro, que isso também passa por uma percepção da pessoa e seu histórico de relações, mesmo que a relação que venha a desenvolver seja a sua primeira.
Cito primeiramente os homens como aqueles vistos de um modo geral, que são assim, pois se escuta muito por aí esta frase, e parto aqui do cotidiano para esta reflexão. Mas não nos enganemos, as mulheres também tem seu jeito por ser mulher e o modo como estas são concebidas a partir do seio familiar e da cultura. Porém, esses modos, tanto para homens como para mulheres, parece ter como que perdido o rumo, afinal, desde maio de 68, a frase que ficou conhecida mundo a fora também ficou como imperativo, é "é proibido proibir", Uma frase que revoga outro sentido diante das revoluções, a liberdade democrática, feminista e de igualdade. Todos tem o direito igual e podem gozar da mesma forma. Uma reivindicação justa, mas que parece ter perdido o sentido, pois barreiras para o desejo e o livre convívio social parecem ter ido por água baixo também. Todos tem o direito, mas deveres, responsabilidades ....
Pois é, parece que estas não interessam.
E dai, todos homens são iguais? As mulheres também?
São de marte? Vênus?
O que quer dizer isto?
Questões que espero que não caiam no reducionismo de sempre de se achar que tá tudo bem e assim tá bom, afinal de contas, o reconhecimento do diferente em sua alteridade também é fundamental para o bom convívio social.
segunda-feira, 15 de maio de 2017
O inquietante estranho inconsciente em nós mesmos
O
estranho inquietante do inconsciente que nos faz às vezes fazer
coisas estranhas, é a forma pessoal de quem o faz assinalar a
própria condição a si mesmo. Estranho inquietante, pois este é o
próprio inconsciente em seu caráter de pulsante, daquele que não
descansa, não dorme e insiste em buscar a realização da sua meta,
conforme essa se liga ao desejo, e as formas de prazer vinculadas a
isso.
Frente
a este eterno pulsar que habita em nós, demandamos algo a partir de
nosso modo como concebemos, percebemos o mundo. É claro que este
modo precisa e foi primeiramente também orientado pelas figuras de
cuidado que tomaram conta de nós até então, os pais da primeira
infância e os atuais de nosso presente. Pais estes, que
influenciaram sobremaneira nosso modo de ser, pois também é
importante considerar, que se viemos como pura energia ao mundo,
precisamos de alguém que nos transmita as questões subjetivas e de
identidade e da cultura.
Frente
a esta transmissão, e o modo como se estabeleceu, temos nosso modo
de ser a partir de nós mesmos e a forma como concebemos, recebemos o
que vem do mundo, sendo que, o que vem do mundo está relacionado com
tudo aquilo que se da diante de nossos encontros, seja com pessoas,
objetos ou o que for que seja. É como os estímulos que vem de fora
e o modo como os recebemos. Porém, como já somos alguém, há
também os estímulos internos que influenciam a forma de ver e
conceber estes estímulos que chegam a nós vindo do mundo externo. A
exemplo, você já deve ter ouvido falar, ou talvez você também
pense assim, que, quando está chovendo, se está trovejando, você
tem que se cuidar, pois algum raio poderá cair em você. Essa
percepção, faz com que este poderá fosse como real, então, um
raio vai cair em você. Inclusive, há justificativas pra isso,
afinal de contas, raios já caíram em algumas pessoas.
No
entanto, é importante observar o acontecer desta cena, onde, diante
de um estímulo externo, chuva e trovões, se passa a ideia de que
algo ruim vai acontecer, afinal, o tempo está feio, da sinais da sua
violência digamos. Frente a essa violência, o sujeito teme o ataque
a si, no entanto, como se pode perceber, também, a possibilidade de
um raio cair em alguém é quase mínima e tem também as questões
de proximidade de lugares que se atrai raio, dentre outras, mas de
toda forma, um raio dentro da sua casa em você, é quase
sobrenatural que aconteça. Mas mesmo assim, se acredita que sim. E
justifiquemos então o por que.
Saber
de si, por si, é uma tarefa um tanto quanto difícil, então
precisamos de artifícios externos para sabermos sobre si e nosso
estado muitas vezes. Um exemplo disso, como citado acima, acontece em
casos de temporais, onde se acredita que um raio irá cair sobre si.
Um raio, que serve como objeto para o aparecimento de um conflito
interno, ou força impulsionada no inconsciente que se teme que volte
contra si, como um ataque a si mesmo, desconhecido pelo sujeito. Como
uma incrível capacidade de fazer as coisas erradas, ou de precisar
de alguém como ajuda, pois sozinho não pode. E justamente, sozinho
não pode, pois não sabe nem a força, e nem qual o objeto que
ataca, mas sabe que é de dentro. Tal ideia, como é possível
perceber, se da na fobia, onde se teme uma força atacadora de dentro
que nos ataca e aparece simbolizada por objetos de fora. E como Freud
disse, para poder aparecer, precisa passar por filtros de nosso
aparelho psíquico, onde passa com diferentes atributos, além
daqueles que já tinha em si. Passa de uma forma que possa ser
percebido sem causar uma maior desordem, uma inquietante forma de se mostrar de nosso inconsciente ...
domingo, 7 de maio de 2017
Servidão voluntária como perca da liberdade
A servidão a um outrem, a liberdade, sempre foram temas de muita controvérsia. Nos últimos tempos, o tema com o qual mais se tem debatido é a suposta liberdade. Digo suposta, porque muita ideia que tem se defendido ai como liberdade não passa de servidão. Nesse ponto, é interessante nos voltarmos a obra de La Bótie sobre o Discurso da Servidão, texto escrito no começo do século XVI, mais com um valor a seu tempo e a hoje.
La Bótie nesta obra, fala da questão da liberdade como algo ao qual o sujeito tem que lutar, como aquilo a respeito de nós mesmos que nos deixa livres quanto aos outros, favores, devoção ... Disso, podemos tirar o exemplo de Hipócrates, pai da medicina quando o rei da Pérsia quis atraí-lo para o seu lado à custa de lindos presentes, sendo que Hipócrates se negou a cura de bárbaros que queriam matar os gregos, pois se o fizesse teria problemas de consciência.
Quando se cede a tentações com estas impostas pelo rei persa a Hipócrates se torna uma pessoa submissa, sem brio, se cede a um outrem e a vontade deste, mesmo que isso não seja mais percebido pelas questões de como se vive na cultura, tal qual como vivemos hoje,
Tal situação por fim, nos leva a refletir o que enfrentamos hoje diante da liberdade de expressão, democracia, achados como um avanço da civilização. Porém, é interessante pontuar neste ponto a opinião de alguns sociólogos, psicanalistas, historiadores como Bauman, Zizek e Karnal onde estes afirmam que a liberdade de expressão como a da democracia é uma questão que faz com que os sujeitos tenham um líder. Se não tiverem ainda que o procurem, como uma servidão voluntária. Algo que podemos considerar como força que reprima ou de contas dos impulsos que o sujeito traz dentro de si. Afinal de contas, se a cultura não dá mais conta disso, é preciso achar alguma figura que o faça, ou que pelo menos justifique meus atos. E justamente por isso, esconde-se o problema fundamental, a liberdade. Liberdade de quem e pra que?
Um questionamento que nos coloca diante da primeira questão da liberdade, nós mesmos. Tal qual com Hipócrates, que por uma questão pessoal diante de si mesmo se nega as tentações do rei.
La Bótie nesta obra, fala da questão da liberdade como algo ao qual o sujeito tem que lutar, como aquilo a respeito de nós mesmos que nos deixa livres quanto aos outros, favores, devoção ... Disso, podemos tirar o exemplo de Hipócrates, pai da medicina quando o rei da Pérsia quis atraí-lo para o seu lado à custa de lindos presentes, sendo que Hipócrates se negou a cura de bárbaros que queriam matar os gregos, pois se o fizesse teria problemas de consciência.
Quando se cede a tentações com estas impostas pelo rei persa a Hipócrates se torna uma pessoa submissa, sem brio, se cede a um outrem e a vontade deste, mesmo que isso não seja mais percebido pelas questões de como se vive na cultura, tal qual como vivemos hoje,
Digamos portanto que, se todas as coisas se tornam naturais para o homem quando se acostuma a elas, só permanece em sua natureza aquele que deseja apenas as coisas simples e não alteradas. Assim, a primeira razão da servidão voluntária é o hábito. É o que acontece com os cavalos mais briosos, que no início mordem o freio e depois brincam com ele, que há pouco escoiceavam assim que viam a sela e agora se apresentam sozinhos sob os arreios, e, vaidosos, pavoneiam-se debaixo da armadura. Os homens dizem que sempre foram súditos, que seus pais viveram desse modo. pensam que são obrigados a suportar o mal, persuadem-se com exemplos e consolidam eles mesmos, com o passar do tempo, a posse daqueles que o tiranizam. Mas, na verdade, os anos nunca dão o direito de praticar o mal. Antes, aumentam a injúria. (LA BÓTIE, 2017, p. 41)
Tal situação por fim, nos leva a refletir o que enfrentamos hoje diante da liberdade de expressão, democracia, achados como um avanço da civilização. Porém, é interessante pontuar neste ponto a opinião de alguns sociólogos, psicanalistas, historiadores como Bauman, Zizek e Karnal onde estes afirmam que a liberdade de expressão como a da democracia é uma questão que faz com que os sujeitos tenham um líder. Se não tiverem ainda que o procurem, como uma servidão voluntária. Algo que podemos considerar como força que reprima ou de contas dos impulsos que o sujeito traz dentro de si. Afinal de contas, se a cultura não dá mais conta disso, é preciso achar alguma figura que o faça, ou que pelo menos justifique meus atos. E justamente por isso, esconde-se o problema fundamental, a liberdade. Liberdade de quem e pra que?
Um questionamento que nos coloca diante da primeira questão da liberdade, nós mesmos. Tal qual com Hipócrates, que por uma questão pessoal diante de si mesmo se nega as tentações do rei.
sábado, 29 de abril de 2017
Sempre há um culpado pra tudo ...
Se tornou normal em
nossa cultura achar culpados para tudo. Se algo não deu certo, ou
não está bem, há um culpado. Se há algo que não deu certo pra
mim, há um culpado, sentimento este que deu origem a algo muito de
nossa cultura, o ressentimento, sempre há um culpado pra tudo.
Sentimento este, que configura bem uma fala da peça de Sartre, entre
Quatro paredes, quando no inferno se diz que o inferno são os
outros.
No entanto, é
importante ponderar, que, o outro também é o céu, representa coisas
boas e não só más. O que nos coloca diante da questão de que tipo
de relações estabelecemos e como esperamos do outro. Algo muito
pessoal de cada um, pois há aqueles que acreditam no amor e
compreensão do outro, como aqueles que sempre estão desconfiados do
outro. Se ajuda, é de má vontade, “com certeza não é porque
gosta de mim. O que quer com isso?”
E de fato, também em
diferentes momentos, este outro pode ser céu e inferno. Uma questão
situacional. Porém, se esperarmos tudo do outro, nada fazemos para
nós mesmos, como se sempre dependessemos do outro e não pudessemos
ir ou construir algo por nós mesmos. Repito o termo mesmos, pois é
questão de si, que parece ter sido esvaziada. E não é comum
inclusive ouvir as pessoas falarem de seus vazios, como numa angústia
existencial, onde se é triste por existir?
Muito se escuta de
fato, diferentes queixas, mas não um pensamento construído que
busca significação diante da vida. Pode me objetar quanto a isso,
colocando que isso é algo de uma terapia, e de fato não irei
discordar. Mas terapia de toda forma precisa também de uma ajuda do
sujeito quanto a si mesmo e não se faz só no tempo da sessão, e
pensar sobre si, sem se deprimir ou sentir a chamada angústia do
existir é um ato que hoje parece ter que ter coragem, afinal de
contas, tudo tem parecido tão vazio e triste ….
Sim, sim, não deixa de
ser verdade, mas como se começa no texto falando a respeito do
outro, este não é só inferno, ele também é e pode ser céu. A
questão é como se lida com este outro dentro de si que sempre se
faz presente diante da figura de diferentes outros.
sábado, 22 de abril de 2017
Um sonho continuado a partir das histórias
Um bom filme, um
romance, uma poesia são extremamente capazes de conter, ou mesmo
suscitar nossas angústias, desejos, medos, ambições, nossas
curiosidades e nossos medos. Funcionam como que uma identificação
projetiva, onde projetamos no outro coisas nossas e nos identificamos
com ele. Fator comum este podemos dizer hoje na identificação com o
herói das séries em meio ao seu drama.
Tal fator também é rico nas
obras de literatura infantil e contos de fadas que ajudam as crianças
a nomear, passar por fases e dar sentido a muitas coisas de suas histórias. É como uma
base para a transformação e crescimento mental que possibilita o
sonhar. Nossas vidas podem se enriquecer a partir do contato com
esses objetos, objetos estes que nos ajudam e ensinam a lidar com
nossas fantasias, mas claro, desde que tenha quem nos conte
histórias, nos auxilie quanto aos sentidos delas e nos dê os
elementos necessários para poder continuar. E justamente neste
ponto, onde há um outro que nos dê o suporte, a possibilidade temos
os encontros com diferentes outros em nossas vidas, outros estes que
às vezes tanto podem contribuir com a possibilidade do sonhar e dar sentido, como aqueles que nos paralisam por questões que não
permitem a continuidade. Continuidade esta da própria história e
potencial contido em cada um, onde a partir de sua história,
vivências e sentido das mesmas o sujeito se impulsiona para algo.
Fenômeno este que fica visível na identificação com as histórias em filmes, romances, séries ou com os personagens da mesma, afinal de contas, há nossos desejos,
anseios, mas também medos.
Tal fator se diferencia
na curiosidade e possibilidade que o sujeito da a si mesmo de
continuar, pois também, que um outro faça todo trabalho por mim é
muito mais fácil, pois não exige muito. A não ser a continuidade da
própria história. O que chama atenção quanto a arrependimentos
futuros que o sujeito possa vir a ter, como o de não ter vivido a
própria vida por ter sido apagado por um outrem, ou mesmo pra
realizar o desejo deste outro.
Esse fenômeno de certa
forma foi comum no século XX onde os pais davam sua vida para que
seus filhos dessesm continuidade de si. Mas e esses filhos? Pois bem,
essa é a justa questão, pois é o resultado do hoje onde a própria
cultura interfere de forma diferente que no século passado. A
projeção dos sonhos realizados hoje é maior do que nunca, no
entanto nos esbarramos com o próprio fator humano e a dificuldade
encontrada por cada um diante de seu potencial e capacidade de
sonhar. Algo que passa como que pelo critério do conhecimento de si
e a capacidade de prever, sonhar com o prório futuro e as
consequências de suas escolhas.
Não basta apenas
projetar, se identificar com figuras de histórias já traçadas como
em filmes, romances, seriados, pois estes tem seu destino dado por
quem escreve a história. E nós, bom nós é sempre uma questão
paradoxal, afinal de contas, somos o próprio diretor do sonho,
personagem principal ...
sexta-feira, 21 de abril de 2017
Destino como tragédia
Todos conhecem a trágica história do Titanic, o maior barco do mundo em 1912 que prometia a viagem dos sonhos para muitos, muitos que no fim pereceram. No fim sua história entendemos por aqueles que sobreviveram. Tal como de Auschwitz, mas por que seria isso interessante? Simples, pois a certeza que o fim será trágico é tal qual em nosso inconsciente, no entanto não sabemos e insistimos que não, que temos a força tal qual daquele navio (onipotência infantil) e a certeza que dará certo como em Auschwitz.
De fato tal como nessas histórias elas são traçadas por escolhas. No entanto, essas escolhas fizemos nós muitas vezes sem o saber, diferente podemos dizer do até então maior navio do mundo, que foi planejado e pensado pra não dar errado, mas no limite do que se podia, tal como no maior plano de extermínio, onde se tinha a certeza da vitória.
Nós por outro lado, temos como que um acesso no escuro a aquilo que queremos, onde não podemos ver, mas mesmo assim a certeza daquilo temos. Quanto mais perto nos aproximamos no entanto, podemos ver as diferenças e incertezas, mas mesmo assim, pelo limite e funcionamento de cada um, essas incertezas não ganham força. Assim, por fim seguimos, como que numa trágica e comediante escolha pelo fracasso, cômica porque como que sabemos que não vai dar, trágica porque diante delas o fim é certo. Até que a mudança de rumo se torna possível, no entanto, tal qual Titanic, às vezes a distância do iceberg já é curta demais pra desviar, porém com o inconsciente é um pouco diferente, pois com ele é possível enxergar um pouco além daquilo que está perto.
No fim, sabemos da história do Titanic e de Auscwitz pois alguém sobreviveu pra contar, tal qual o insconsciente, do qual sabemos por que alguém nos conta. Assim como acontece na clínica. Porém inconsciente é modelo pra todos em modos de funcionamento e defesa, mas não de operação, pois cada um guarda consigo um diferente operador ou permissor diante dos desejos perpassados neste e a história que carrega junto de si. História que por fim influencia e muitas vezes determina a escolha. Mas e daí afinal de contas, como mudá-lo?
De fato tal como nessas histórias elas são traçadas por escolhas. No entanto, essas escolhas fizemos nós muitas vezes sem o saber, diferente podemos dizer do até então maior navio do mundo, que foi planejado e pensado pra não dar errado, mas no limite do que se podia, tal como no maior plano de extermínio, onde se tinha a certeza da vitória.
Nós por outro lado, temos como que um acesso no escuro a aquilo que queremos, onde não podemos ver, mas mesmo assim a certeza daquilo temos. Quanto mais perto nos aproximamos no entanto, podemos ver as diferenças e incertezas, mas mesmo assim, pelo limite e funcionamento de cada um, essas incertezas não ganham força. Assim, por fim seguimos, como que numa trágica e comediante escolha pelo fracasso, cômica porque como que sabemos que não vai dar, trágica porque diante delas o fim é certo. Até que a mudança de rumo se torna possível, no entanto, tal qual Titanic, às vezes a distância do iceberg já é curta demais pra desviar, porém com o inconsciente é um pouco diferente, pois com ele é possível enxergar um pouco além daquilo que está perto.
No fim, sabemos da história do Titanic e de Auscwitz pois alguém sobreviveu pra contar, tal qual o insconsciente, do qual sabemos por que alguém nos conta. Assim como acontece na clínica. Porém inconsciente é modelo pra todos em modos de funcionamento e defesa, mas não de operação, pois cada um guarda consigo um diferente operador ou permissor diante dos desejos perpassados neste e a história que carrega junto de si. História que por fim influencia e muitas vezes determina a escolha. Mas e daí afinal de contas, como mudá-lo?
sábado, 1 de abril de 2017
Toda nudez precisa de sua consciência
Em
uma crítica feita ao povo americano logo após o ocorrido de
setembro de 2001 mulá Omar, fala da passividade das pessoas quanto
ao que diz o governo, sendo que com o mesmo é como se o governo
pensasse por elas e tivesse o incrível poder de sempre estar lhe
garantindo o que é bom e deles afastando todo o mal possível.
Uma
promessa tentadora, afinal de contas, nós que vemos de fora, não
sonhamos em morar nos Estados Unidos, nos tornar americanos e nos
livrar das pocarias e falta de oportunidade que se tornou essa terra
de ninguém chamada Brasil?
Isso
sonhamos nós, mas e os americanos? Bom, estes sonham com um colapso,
que uma catástrofe irá os atingir. Mas como juntar essa questão do
belo e do trágico numa mesma moeda como se está fazendo aqui? É
disso que se trata esse nosso breve passeio, como explicar que no
meio da riqueza sejamos assombrados com experiências catastróficas.
Para explicá-lo podemos usar o exemplo do que temos aqui em nossa
terra mesmo. Uma terra cheia de riquezas naturais, mas que ao mesmo
tempo frente a sua exploração produziu uma forma que parece não
poder ser interrompida. É algo como um modo de funcionamento, modo
esse que caracteriza o jeito brasileiro do sempre pode ser pra
depois, do modo mais fácil, do modo onde não há responsabilidade.
Fator esse que serve bem pra justificar porque dizemos que aqui a
terra é de ninguém.
Como num
exemplo de Freud, onde o sonhador de repente se vê nu diante da
multidão, o pior não é estar nu, mas sim que todos passam por ele
como se aquilo não fosse nada. E desse exemplo, podemos tirar a
expressão do que acontece no Brasil. As coisas se mostram a nu e
cru, mas mesmo assim é como se não houvesse nada, as pessoas
continuam indo e vindo e lutando pelas mesmas coisas.
O que
seria então essa nudez?
Esta
nudez responde como em uma recusa da realidade dos fatos ocorridos,
como se nada estivesse acontecendo de mais, então, por que abandonar
os mesmos segmentos e a busca que podemos dizer, de completude que o
sujeito busca?
Nos
encontramos então, diante da questão que o mulá tinha chamado a
atenção nos EUA, é preferível que tenha quem pense por mim do que
eu mesmo tome este trabalho, afinal de contas, assim é muito mais
tranquilo. Porém, isso se torna um problema de segmento mundial
diante da falta de consciência da própria questão de si mesmo. Os
sonhos que se sonha deixam de ser seus e são como produzidos por
como os outros sonham que você seja ou viva, uma questão de
manipulação, e que, justamente por ser manipulação ninguém faz
questão que você saiba, mas e dai, você se interessa em saber?
sábado, 4 de março de 2017
Mal estar ou angústia?
Mal estar na civilização é um dos textos tardios de Freud, onde elabora questões principais de sua teoria, como a da angústia. Palavra que por sinal caberia também dentro da tradução que culmina em o mal estar na civilização ou como preferem alguns, na cultura. A questão é, que aqui não nos toca a questão de considerar o valor da tradução e as mudanças que Freud fez no título em decorrência desta para outras línguas como para o inglês, pois seria uma questão de academicismo. O que vale aqui é a questão da angústia implicada propriamente na questão do mal estar, pois mal estar propriamente dito culmina na própria questão do sujeito diante da angústia.
Como alguns psicanalistas preferem, não é questão de elaborar diagnósticos na clínica, mas sim de que o sujeito se reconheça dentro de sua história e o seu mal estar, ou seja, a questão da angústia, sendo que esta implica uma questão de encontro, tanto quanto ao objeto exterior quanto ao interior da fantasia.Dentro do texto, mais propriamente na última parte Freud elabora a questão da dor de viver, situação frente ao qual os sujeitos buscam uma saída. Saída esta encontrada tanto no álcool, cigarro e outras drogas como na questão da neurose, ou a psicopatologia que acompanha o sujeito. Seu jeito de lidar com o mal estar pelo seu funcionamento e o modo como responde a dor e as situações onde é preciso fazer escolhas.
Diante dessa mesma problemática se levanta outra questão também trabalhada por Freud no mesmo texto, a questão das pulsões e a satisfação destas, em outras palavras, dos impulsos, desejos. Aqui, diferentemente da época de Freud, onde a sociedade funcionava como lei reguladora para o inconsciente, é preciso regular o inconsciente para poder viver em sociedade, pois esta se impulsiona numa cultura do hedonismo a que todos tenham o direito aos prazeres que se achem dignos. "Todos tem direitos", uma expressão não muito estanha nos nossos dias, porém, se esquecem, que além de direitos temos deveres também, o que implica a questão da responsabilidade, a qual parece ter ficado fora de questão, pois se há responsabilidade, esta é para os outros, pra mim não!
Como aponta Lacan, não estamos mais em um tempo da questão do significado da vida, mas sim na orientação do paciente, onde seja possível encontrar um significante que lhe de sentido a vida. A clínica e tradição freudiana isso soa estranho, mas é preciso uma orientação ao sujeito antes de poder o interpretar, é preciso o situar em um lugar, dar o norte para que seja possível suportar, reconhecer e enfrentar o mal estar.
Como alguns psicanalistas preferem, não é questão de elaborar diagnósticos na clínica, mas sim de que o sujeito se reconheça dentro de sua história e o seu mal estar, ou seja, a questão da angústia, sendo que esta implica uma questão de encontro, tanto quanto ao objeto exterior quanto ao interior da fantasia.Dentro do texto, mais propriamente na última parte Freud elabora a questão da dor de viver, situação frente ao qual os sujeitos buscam uma saída. Saída esta encontrada tanto no álcool, cigarro e outras drogas como na questão da neurose, ou a psicopatologia que acompanha o sujeito. Seu jeito de lidar com o mal estar pelo seu funcionamento e o modo como responde a dor e as situações onde é preciso fazer escolhas.
Diante dessa mesma problemática se levanta outra questão também trabalhada por Freud no mesmo texto, a questão das pulsões e a satisfação destas, em outras palavras, dos impulsos, desejos. Aqui, diferentemente da época de Freud, onde a sociedade funcionava como lei reguladora para o inconsciente, é preciso regular o inconsciente para poder viver em sociedade, pois esta se impulsiona numa cultura do hedonismo a que todos tenham o direito aos prazeres que se achem dignos. "Todos tem direitos", uma expressão não muito estanha nos nossos dias, porém, se esquecem, que além de direitos temos deveres também, o que implica a questão da responsabilidade, a qual parece ter ficado fora de questão, pois se há responsabilidade, esta é para os outros, pra mim não!
Como aponta Lacan, não estamos mais em um tempo da questão do significado da vida, mas sim na orientação do paciente, onde seja possível encontrar um significante que lhe de sentido a vida. A clínica e tradição freudiana isso soa estranho, mas é preciso uma orientação ao sujeito antes de poder o interpretar, é preciso o situar em um lugar, dar o norte para que seja possível suportar, reconhecer e enfrentar o mal estar.
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017
Carnaval como encenação do social
Em 54 antes de Cristo, houve a última alteração no calendário, acrescentando-se dois meses a este, o que modificou toda uma organização social, no entanto pelo menos no Brasil parece que ainda continuamos a nos organizar inspirados nessa ordem afinal, aqui o ano começa depois de dois meses, depois do carnaval, como se o ano ainda não tivesse direito os 12 meses do calendário.
No entanto, vale aqui nos determos no que é o carnaval a partir de sua própria tradição, sendo que esta parte da ideia européia em que um dia do ano qualquer um poderia ser quem ele quisesse. Se o mendigo queria ser rei, se o rei queria ser mendigo ou o que se desejasse. É como o dia em que se podia colocar a fantasia de desejo. O uso das máscaras estava permitido.
Sabemos que no nosso caso não é só um dia e a encenação é maior. É como dito acima, o tempo das máscaras. Porém, se sabe ao mesmo tempo que máscaras e encenação de papeis ocorrem o ano inteiro. Mas no carnaval é permitido livremente, você só não pode exercer legalmente as funções da sua fantasia. Durante o ano no entanto, as máscaras servem como forma de lidar com o peso do real, do que são as coisas como são e a forma de dar uma escapadinha pra manter o próprio bem estar.
Que se o diga num tempo como este em que vivemos onde a questão da imagem é tudo, a final, é preciso ter aquela imagem pra que se possa ganhar as coisas. Valhamo-nos aqui de tabacaria de Álvaro de Campos,
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
[...]
Estou hoje perplexo como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
[...]
Fiz de mim o que não soube,
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Com máscara ou sem, carnaval ou não, por fim, a questão é que não se perca de si e não se veja estranho a própria imagem no espelho e tudo aquilo que encenou.
No entanto, vale aqui nos determos no que é o carnaval a partir de sua própria tradição, sendo que esta parte da ideia européia em que um dia do ano qualquer um poderia ser quem ele quisesse. Se o mendigo queria ser rei, se o rei queria ser mendigo ou o que se desejasse. É como o dia em que se podia colocar a fantasia de desejo. O uso das máscaras estava permitido.
Sabemos que no nosso caso não é só um dia e a encenação é maior. É como dito acima, o tempo das máscaras. Porém, se sabe ao mesmo tempo que máscaras e encenação de papeis ocorrem o ano inteiro. Mas no carnaval é permitido livremente, você só não pode exercer legalmente as funções da sua fantasia. Durante o ano no entanto, as máscaras servem como forma de lidar com o peso do real, do que são as coisas como são e a forma de dar uma escapadinha pra manter o próprio bem estar.
Que se o diga num tempo como este em que vivemos onde a questão da imagem é tudo, a final, é preciso ter aquela imagem pra que se possa ganhar as coisas. Valhamo-nos aqui de tabacaria de Álvaro de Campos,
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
[...]
Estou hoje perplexo como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
[...]
Fiz de mim o que não soube,
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Com máscara ou sem, carnaval ou não, por fim, a questão é que não se perca de si e não se veja estranho a própria imagem no espelho e tudo aquilo que encenou.
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017
O que aconteceu com o Brasil?
Diante da
realidade brasileira que enfrentamos nessa época, é difícil não
observar nossa brasileidade e a questão moral, que por sinal, não é
só dos políticos que está mal. Para seguir nessa discussão, quero
fazer uma referência a uma obra e um filme bem conhecidos, “Ensaio
sobre a cegueira”.
No
filme, vemos um grupo separado por um muro do resto da sociedade, que
está ali por ter contraído uma doença que os deixa cegos.
Aparentemente, essa doença não tem explicativa porque acontece,
simplesmente as pessoas do nada perdem a visão, sendo que então,
são levadas para o local onde estão os mesmos. Lá onde ficam,
recebem comida e distribuem entre si, no entanto não demora muito
pra que comecem a monopolizar os suprimentos aqueles que pegam e
fazer exigências. Aí, se instala o caos e o abuso, onde acabam
entrando em estado de guerra. No fim, um grupo vencedor, o qual
acompanhamos desde o início do filme, sai de onde estavam presos, e
descobrem as cidades desertas, não há ninguém pelas ruas que
esteja normal. Todos se tornaram cegos e perdidos. Passam por um
mercado e a herói do filme, que ainda podia ver, faz as coordenadas
para que peguem suprimentos.
Desta
mesma relação entre as pessoas “cegos” vimos estourar no país
uma onda avassaladora, nunca vista antes no Espírito Santo. Quer
dizer, nunca vista assim antes, o que não quer dizer que não vinha
acontecendo. No entanto, com a baixa da lei, os desejos sairão
passear e a violência tomou conta. Um fator que nos chama atenção
quanto ao sintoma, individual e social.
O vírus
que surge aqui tem nome, tem invadido as sociedades principalmente
depois da segunda guerra mundial. Chama-se ele: fascismo.
Caracterizado pela edificação de um Estado total, que se
sobreponha ao indivíduo a ponto de anulá-lo. Em suas
características, a intolerância, torna-se constante. Exclui-se a
diferença e se nega a alteridade, crescendo então a preocupação
com o inimigo, caracterizado como todo aquele que ataca suas
posições.
Tem esse
vírus um importante fator marcado por se apresentar como um fenômeno
natural, em outras palavras, todos o guardam em potencialidade.
Quando aparece, surge como algo necessário diante da vida em
sociedade que enfrenta o sujeito e o modo deste lidar com isso.
Lembrando aqui, que funciona como um vírus, que infecta e tende a
destruir o sistema.
Em outra
sua característica, é importante lembrar que o fascismo, se apóia
na reunião de uma comunidade, por uma exaltação do sentimento
nacional, de modo tal que justifique a primazia de seus direitos
sobre os outros povos. Fator tal, que nos mostra porque surgiu depois
e durante as duas grandes guerra, e não durante guerras de
mercenários. Para incendiar seu espírito, normalmente se
desenvolvem frente a um ideal escolhido por uma pessoa onde há um
grupo que a representa, o que aponta também para uma nova forma de
sofrimento, onde as pessoas constantemente buscam uma questão de
reconhecimento, acentuando com isso a característica da feminilidade
de nossa sociedade.
Aponto aqui a questão da feminilidade, pois é ela que tem caracterizado a globalização e as marcas desta. No entanto, para discutir isso, seria necessário outro texto, levando em consideração que o aqui discutido, é apenas um apontamento de um vírus que se agrava pelo mundo. Mas com certeza, há mais que esses. De toda forma, o que importa, é podermos olhar para as raízes da moralidade brasileira que parece ter se perdido em cada um. Mas pera aí, esta moralidade já existiu?
sábado, 4 de fevereiro de 2017
A falta da experiência de poder ter a quem contar como causa do mal estar
Quando voltavam os soldados da primeira guerra mundial,não tinham uma história para contar. Corroídos pelo silêncio e pela violação da regra que requer a partilha da experiência, acusavam como apontava Walter Benjamin, o início de uma nova era. Esse era também o drama recorrente de Primo Levi, que depois de liberto dos campos de concentração, um único anseio o assediava. Desejava falar sobre sua experiência em Auschwitz. No entanto, para sua surpresa, em sua casa na mesa, quando começava a falar, os outros começavam a bocejar, aos poucos se levantar e logo, se via sozinho, sem quem estivesse disposto a o escutar. O pesadelo de não ter com quem compartilhar o sofrimento de Levi, assim como a falta de experiência de partilha dos soldados que voltavam da guerra, é sintoma de uma nova forma como dizia Benjamin. Uma nova forma de mal estar.
Como apontou Freud também, após a primeira guerra mundial. As pessoas sofriam de traumas, traumas difíceis de tocar. Ou como no caso de Primo Levi, geram necessidade de se falar. De toda forma, como podemos observar o que se gera são excessos e cada um lida de um jeito diferente, seja pela partilha, ou quando por falta desta, por não ter quem o escute ou por não se ter vontade de falar se gera um mal estar.
Se fossemos nomear, conforme os padrões de nossa comunidade, se diria que os saldados e Primo Levi sofrem de stress pós traumático. No entanto, nesse pequeno fragmento, já é possível observar, que esta forma de nomear se torna redutível quanto ao que sofrem os sujeitos afetados pelos excessos.
O mal estar como podemos observar, é um apontador do sofrimento pessoal de acordo com os fatores e elementos da história do sujeito, onde se vê ele com seus desencontros, confusões.
Para se livrar, surge um culpado, os outros, onde é comum ouvir expressões como: "Acho que sou bom demais para este mundo ...
"É só comigo que acontece", "Olha só, da pra acreditar? Toda vez que eu tento da errado"
Nesse ponto, todo mundo se queixa o tempo inteiro. Do clima, do trabalho, porque é muito ou porque é pouco. Do carinho, pela frieza ou pela melação. Da prova, por ser muito difícil ou por ser fácil demais. A queixa por fim, é o motor da união do grupo. Expressão de uma dor, um mal estar, no entanto, raramente acontece dessa forma, pois é habitual que a expressão da queixa exagere muito a dor, até que a dor acabe se conformando no exagero da queixa. Dessa forma, é comum as pessoas acreditarem tanto nas suas lamúrias que acabam emprestando seu corpo, ficando doentes, para comprovar o que dizem.
A partir disso, a condução do tratamento há de ser precisa. Há de se ajustar a palavra à vida, conciliar a palavra com o corpo, fazer da palavra a própria pele até alcançar o almejado senti-se "bem na própria pele". Em outras palavras, é preciso poder se escutar e quando sozinho não mais puder sustentar, procurar ajuda.
Como apontou Freud também, após a primeira guerra mundial. As pessoas sofriam de traumas, traumas difíceis de tocar. Ou como no caso de Primo Levi, geram necessidade de se falar. De toda forma, como podemos observar o que se gera são excessos e cada um lida de um jeito diferente, seja pela partilha, ou quando por falta desta, por não ter quem o escute ou por não se ter vontade de falar se gera um mal estar.
Se fossemos nomear, conforme os padrões de nossa comunidade, se diria que os saldados e Primo Levi sofrem de stress pós traumático. No entanto, nesse pequeno fragmento, já é possível observar, que esta forma de nomear se torna redutível quanto ao que sofrem os sujeitos afetados pelos excessos.
O mal estar como podemos observar, é um apontador do sofrimento pessoal de acordo com os fatores e elementos da história do sujeito, onde se vê ele com seus desencontros, confusões.
Para se livrar, surge um culpado, os outros, onde é comum ouvir expressões como: "Acho que sou bom demais para este mundo ...
"É só comigo que acontece", "Olha só, da pra acreditar? Toda vez que eu tento da errado"
Nesse ponto, todo mundo se queixa o tempo inteiro. Do clima, do trabalho, porque é muito ou porque é pouco. Do carinho, pela frieza ou pela melação. Da prova, por ser muito difícil ou por ser fácil demais. A queixa por fim, é o motor da união do grupo. Expressão de uma dor, um mal estar, no entanto, raramente acontece dessa forma, pois é habitual que a expressão da queixa exagere muito a dor, até que a dor acabe se conformando no exagero da queixa. Dessa forma, é comum as pessoas acreditarem tanto nas suas lamúrias que acabam emprestando seu corpo, ficando doentes, para comprovar o que dizem.
A partir disso, a condução do tratamento há de ser precisa. Há de se ajustar a palavra à vida, conciliar a palavra com o corpo, fazer da palavra a própria pele até alcançar o almejado senti-se "bem na própria pele". Em outras palavras, é preciso poder se escutar e quando sozinho não mais puder sustentar, procurar ajuda.
segunda-feira, 16 de janeiro de 2017
Quando as bússolas orientadoras estão perdidas
Em nossa vida, nos orientamos de acordo com nossos desejos (vontades) e uma busca sempre enigmática de uma completude perdida desde tenra idade, ou seja, desde que nascemos. No entanto, vale observar que o desejo tanto orienta como desorienta, suscitando a invenção de artifícios que cumprem um papel como de bússola. As bússolas são diversas. Ditam o que devemos fazer: como pensar, gozar, reproduzir, entretanto as fantasias de cada um permanecem irredutíveis aos ideais comuns.
Cada um a sua forma observa, recebe e usa as formas com as quais suas bússolas o orientam. O que chama a atenção para um caráter de nosso tempo. Estamos desbussolados! Mas o que, quer dizer isto?
Até o final do século passado, pouco tempo atrás, nossas bússolas, por mais diversas que fossem, apontavam, sem exceção para o mesmo norte, o Pai. Acreditava-se no patriarcado como uma orientação antropológica. No entanto, esta fase também estava em declínio. Declínio que se acelerou com a igualdade de condições, a intensificação do poder do capitalismo, o predomínio da técnica...
O paternalismo ficou em falta, sobrou um buraco, perdemos as figuras de identificação.
Outro discurso que estava em troca do antigo, também se ligava a inovação da tradição. Em vez de hierarquia se criou a rede. O atrativo do futuro começou a prevalecer sobre o peso do passado. O feminino se tornou viril. A igualdade estava colocada.
Tais fenômenos de fato, marcaram seus avanços e importantes ganhos da sociedade, no entanto, nos tiraram consequentemente também as identificações que tínhamos até então. A sociedade ficou desbaratinada quanto ao que fazer. Não sabe mais até onde é possível ir, até onde é possível satisfazer o desejo.
E é justamente por esse caráter que hoje encontramos sujeitos desbussolados.
Cada um a sua forma observa, recebe e usa as formas com as quais suas bússolas o orientam. O que chama a atenção para um caráter de nosso tempo. Estamos desbussolados! Mas o que, quer dizer isto?
Até o final do século passado, pouco tempo atrás, nossas bússolas, por mais diversas que fossem, apontavam, sem exceção para o mesmo norte, o Pai. Acreditava-se no patriarcado como uma orientação antropológica. No entanto, esta fase também estava em declínio. Declínio que se acelerou com a igualdade de condições, a intensificação do poder do capitalismo, o predomínio da técnica...
O paternalismo ficou em falta, sobrou um buraco, perdemos as figuras de identificação.
Outro discurso que estava em troca do antigo, também se ligava a inovação da tradição. Em vez de hierarquia se criou a rede. O atrativo do futuro começou a prevalecer sobre o peso do passado. O feminino se tornou viril. A igualdade estava colocada.
Tais fenômenos de fato, marcaram seus avanços e importantes ganhos da sociedade, no entanto, nos tiraram consequentemente também as identificações que tínhamos até então. A sociedade ficou desbaratinada quanto ao que fazer. Não sabe mais até onde é possível ir, até onde é possível satisfazer o desejo.
E é justamente por esse caráter que hoje encontramos sujeitos desbussolados.
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